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1956 |
Entre a revolta da Hungria e o degelo de Kruchtchev |
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Cosmopolis |
© José Adelino Maltez, História do Presente, 2006 |
Entre a revolta da Hungria e o degelo de Kruchtchev – O ano é marcado pela Conferência de Veneza que aprova o relatório Spaak
(29 de Maio), o qual está na base do Tratado de Roma, negociado na conferência
diplomática de Bruxelas (26 de Junho). Nasser nacionaliza o Canal de Suez
(26-07-1956) e falha a intervenção franco-britânica no Egipto, face à pressão
de norte-americanos e de soviéticos. Publicitado o relatório de Khruchtchev
sobre o estalinismo (24 de Fevereiro), apesar de ser reprimida a revolta
polaca de Poznam (28 de Junho) e de se esmagar a experiência húngara (04 de
Novembro). Contudo, na Polónia, dá-se o regresso de Gomulka ao poder (22 de
Setembro), onde vai manter-se até1971, mas sem qualquer desvio titista,
apesar de logo libertar o primaz Wyssinsky (28 de Outubro). Entretanto,
lançam-se as bases do futuro movimento dos não alinhados, numa reunião
em Brioni (17 a 21 de Julho), com Tito, Nasser e Nehru, enquanto os
norte-americanos fazem o primeiro teste de uma bomba de hidrogéneo na
atmosfera, no atol de Bikini (21 de Maio). A questão franco-alemã sobre o
Sarre é resolvida pelo Tratado do Luxemburgo (27 de Outubro) e, no fim do ano,
a Bundeswehr já possui doze divisões operacionais. Entretanto, no ano
em que se inaugura o Estádio José de Alvalade, a nova casa do Sporting Clube
de Portugal, realiza-se o IV Congresso da União Nacional, onde já não
participam os monárquicos, protestando contra a não possibilidade de discussão
da questão do regime. Há uma drama no Estoril, durante a semana santa, quando
Juan Carlos de Borbón, então com 18 anos, mata por acidente o irmão, Alfonso,
então com catorze anos.
A denúncia do totalitarismo – É um tempo de
profunda reflexão sobre a democracia, com as obras de Eric Weil (1904-1977) e
Robert Dahl (A Preface to Democratic Theory), enquanto outros denunciam
os mecanismos de falta de autenticidade do poder estabelecido, dominado por
uma power elite (Wright Mills) e Ludwig von Bertalanffy propõe a
unificação das ciências através de uma general systems theory. Nos
Estados Unidos, Carl Joachim Friedrich edita, em Harvard, Totalitarian
Dctatorship and Autocracy e Eric Voegelin lança, em Baton Rouge, na
Louisiana, o primeiro volume de Order and History. Já em Portugal se
destaca o primeiro grande texto pedagógico de Adriano Moreira sobre matérias
politológicas Política Ultramarina, influenciado pelos modelos
franceses e já com algumas invocações das doutrinas norte-americanas da moda,
no ano em que Charles de Gaulle publica o II volume das suas Mémoires de
Guerre e o jurista alemão Karl Engisch lança a primeira edição do sua
introdução ao pensamento jurídico.
À volta do mundo: Europa OcidentalPolóniaTunísiaMarrocosArgéliaEgipto
Ideias
Livros:A Preface to Democratic TheoryZbigniew Brzezinski 1956
PAIGC e MPLA, morte de Gulbenkian e tempo de não-alinhados
Entre a revolta da Hungria e o degelo de Kruchtchev
ä Conferência de Veneza aprova o relatório
Spaak ä Nacionalização do canal Suez
ä Revolta de Poznam
A denúncia do totalitarismo
µ MPLA/ PAIGC
M Revolta estudantil. 1956-1957
O nosso partido, todos nós condenamos resolutamente
Estaline pelos erros e deformações grosseiras que causaram um grave prejuízo à
causa do partido e à causa do Povo
(Kruchtchev)
O objectivo de um mercado comum europeu deverá ser a
criação de uma vasta área com economia política comum que constituirá uma
poderosa unidade produtiva e permitirá uma firme expansão, um aumento de
estabilidade, uma mais rápida subida do nível de vida e o desenvolvimento de
relações harmoniosas entre os Estados membros
(Relatório Spaak)
A genialidade do método era que tomou um grupo de
pessoas que se tinham confinado a ideias gerais e transformou os seres humanos
em delegações; depois, eles souberam resistir a pressões nacionais a fim de
preservarem os seus conceitos internacionais
Daqui em diante o Canal é nosso, só nosso
(Nasser)
Entre a revolta da Hungria e o degelo
de Kruchtchev O ano é marcado pela Conferência
de Veneza que aprova o relatório Spaak (29 de Maio), o qual está na base do
Tratado de Roma, negociado na conferência diplomática de Bruxelas (26 de Junho).
Nasser nacionaliza o Canal de Suez (26-07-1956) e falha a intervenção
franco-britânica no Egipto, face à pressão de norte-americanos e de soviéticos.
Publicitado o relatório de Khruchtchev sobre o estalinismo (24 de Fevereiro),
apesar de ser reprimida a revolta polaca de Poznam (28 de Junho) e de se esmagar
a experiência húngara (04 de Novembro). Contudo, na Polónia, dá-se o regresso de
Gomulka ao poder (22 de Setembro), onde vai manter-se até1971, mas sem qualquer
desvio titista, apesar de logo libertar o primaz Wyssinsky (28 de Outubro).
Entretanto, lançam-se as bases do futuro movimento dos não alinhados,
numa reunião em Brioni (17 a 21 de Julho), com Tito, Nasser e Nehru, enquanto os
norte-americanos fazem o primeiro teste de uma bomba de hidrogéneo na atmosfera,
no atol de Bikini (21 de Maio). A questão franco-alemã sobre o Sarre é resolvida
pelo Tratado do Luxemburgo (27 de Outubro) e, no fim do ano, a Bundeswehr
já possui doze divisões operacionais. Entretanto, no ano em que se inaugura o
Estádio José de Alvalade, a nova casa do Sporting Clube de Portugal, realiza-se
o IV Congresso da União Nacional, onde já não participam os monárquicos,
protestando contra a não possibilidade de discussão da questão do regime. Há uma
drama no Estoril, durante a semana santa, quando Juan Carlos de Borbón, então
com 18 anos, mata por acidente o irmão, Alfonso, então com catorze anos.
É
um tempo de profunda reflexão sobre a democracia, com as obras de Eric Weil
(1904-1977) e Robert Dahl (A Preface to Democratic Theory), enquanto
outros denunciam os mecanismos de falta de autenticidade do poder estabelecido,
dominado por uma power elite (Wright Mills) e Ludwig von Bertalanffy
propõe a unificação das ciências através de uma general systems theory.
Nos Estados Unidos, Carl Joachim Friedrich edita, em Harvard, Totalitarian
Dctatorship and Autocracy e Eric Voegelin lança, em Baton Rouge, na
Louisiana, o primeiro volume de Order and History. Já em Portugal se
destaca o primeiro grande texto pedagógico de Adriano Moreira sobre matérias
politológicas Política Ultramarina, influenciado pelos modelos franceses
e já com algumas invocações das doutrinas norte-americanas da moda, no ano em
que Charles de Gaulle publica o II volume das suas Mémoires de Guerre e o
jurista alemão Karl Engisch lança a primeira edição do sua introdução ao
pensamento jurídico. Os
ventos da história tinham acelerado e a Europa sofria as consequências da
derrota da Segunda Guerra Mundial. A nova ordem mundial não admitia
qualquer espécie de protagonismo para os antigos senhores do mundo. O
falhanço da Comunidade Europeia de Defesa e da Comunidade Política
Europeia, através da instituição de uma autoridade política europeia capaz
de dár vértice e de servir como o catalizador para os vários projectos de
integração sectorial, desde as vertentes económicas à militar, obrigaram o
núcelo duro dos europeístas a uma inflexão estratégica. Os
saltos em frente pareciam condenados ao insucesso e só a concentração na
metodologia gradualista e funcionalista se mostrava capaz de produzir resultados
de facto.
Ninguém pode remar contra os ventos da história se não for capaz de
produzir factos através de elementos de poder. No caso da construção
europeia, não podiam fazer-se pegas de caras ao touro populista capaz ainda de
despertar as ideias de Estado Nação.
Frustrados que foram os vanguardismos da CED e CPE, o núcleo duro dos
europeístas foi obrigado a recuar para melhor saltar. Os
próprios federalistas herdeiros do Congresso de Haia acabam por dividir-se. Se
alguns ainda permanecem numa postura maximalista, defensora do imediatismo e com
certos arrobos vanguardistas, eis que o grosso da coluna trata de aderir ao
gradualismo, alinhando com os esforços possibilistas de Jean Monnet. De qualquer maneira, o federalismo deixa
de ser um movimento político-social, transformando-se numa posição
político-cultural que vai colorindo as mais diversas posturas
político-partidárias. O
ambiente cultural dos anos cinquenta é todo ele internacionalista. Ainda
se vivem os drams dos Impérios Coloniais. Duas
frentes se esboçam em conjugação. Por um lado, a frente encabeçada por Spaak Por
outro a frente dos grupos de pressão. Uma
vai ter como efeitos imediatos a instituição do Tratado de Roma. A
outra vai criar uma elite que o sustenta. Que no médio prazo caminha para a
adesão britânica. Mais
uma vez, eis Jean Monnet
a dar a táctica. Primeiro, reconhecendo que falhara
aquilo que Duverger qualifica como o método elitista e camuflado que tinha
permitido edificar a CECA através de um esquema técnico para o qual os cidadãos
não prestavam nenhuma atenção (Duverger, p. 78).
?Mas
Monnetque
se declarava como não pessimista, nem optimista, mas sim determinado, foi
capaz de perceber que o poder na poliarquia contemporânea não era uma coisa, mas
sim uma relação. Sobretudo, uma relação entre as forças vivas dos vários
grupos participantes no processo político. Assim, em vez de pressionar
directamente os centros de decisão ou de promover qualquer movimento de
conquista do próprio poder, preferiu actuar no ambiente do sistema político de
forma determinada. Decidiu prosseguir o caminho. Não através do combate
populista, mas sim pela utilização dos grupos de pressão e dos grupos de
interesse. Monnet,
face à atitude dos seus compatriotas na questão da CED, onde até um dos
pioneiros do europeísmo dos anos vinte, Édouard Herriot, proferiu um dramático
discurso em prol da soberania nacional, logo em 9 de Novembro de 1954,
anuncia que não tenciona candidatar-se a um novo mandato na presidência da Alta
Autoridade. Declarou então querer participar, com inteira liberdade de acção
e de palavra, na realização da unidade europeia e reafirma a fé,
considerando que a unidade dos povos europeus reunidos nos Estados Unidos da
Europa é o meio de aumentar o seu nível de vida e de manter a paz. Não
tarda que constitua o Comité de Acção para os Estados Unidos da Europa,
anunciado em 13 de Outubro de 1955, depois de Monnet abandonar efectivamente a
presidência da Alta Autoridade, no verão. A
semente de um núcleo duro de europeístas, liderado por uma minoria que sabia
o que queria, conforme a qualificação de Spaak(PAUL-HENRI SPAAK, Combats Inachevés,
II, p. 71). Depois
do falhanço da CED e da instituição de uma comunidade política europeia, na
segunda metade de 1954, desde logo os europeístas trataram de projectar um
relance do modelo. Com
efeito, desfeito que foi o projecto de uma Europa militar e de uma Europa
política, restava utilizar a CECA e instituir uma metodologia gradualista e
funcionalista. Mais
uma vez surge Jean Monnet
que, em 9 de Novembro de 1954, numa reunião
extraordinária da Alta-Autoridade da CECA, anuncia que não tenciona
recandidatar-se a um novo mandato na presidência, cujo prazo expirava em 20 de
Fevereiro de 1955. Aí declara assumir tal atitude a fim de poder participar,
com inteira liberdade de acção e de palavra, na realização da unidade europeia.
O que está em vias de conseguir-se pelo carvão e o aço dos seis países da nossa
Comunidade, é preciso prossegui-lo até à sua realização: os Estados Unidos da
Europa... Os nossos países tornaram-se muito pequenos para o mundo actual, à
escala dos meios técnicos modernos, à medida da América e da Rússia de hoje, e
da China e da Índia de amanhã. A unidade dos povos europeus reunidos nos Estados
Unidos da Europa é o meio de aumentar o seu nível de vida e de manter a paz. É a
grande esperança e a grande oportunidade da nossa época. Se trabalharmos para
isso sem demora e sem desfalecimento, ela é a realidade de amanhã (Gerbet,
p.164). O
comité que procurava reunir líderes políticos e sindicais chegou a congregar
cerca de 65% do eleitorado dos Seis e 10 milhões de trabalhadores, isto é, dois
terços do eleitorado e dos trabalhadores sindicalizados, assumia claramente o
método corporativo, de estabelecer, através das cúpulas, a unidade de acção
das organizações.
?Depois
do abandono da presidência da Alta-Autoridade, Jean Monnet vai criar um grupode de pressão dito
Comité d'Action pour les États Unis de l'Europe, anunciado em 13 de Outubro
de 1955, sendo participado pelas figuras cimeiras dos partidos socialistas e
sociais-democratas, democratas-cristãos e liberais, bem como dos sindicatos não
comunistas dos Seis, enquanto representantes institucionais, a que em1968 se
vão juntar os três principais partidos britânicos. Isto é, como referia o mesmo
Monnet,
juntava no seu grupo de pressão reppresentantes de 65% do eleitorado dos Seis e
de 10 milhões de trabalhadores. Poucas
são as palavras constitutivas do comité: unidade de acção das organizações
que dele são membros para se alcançar, através de realizações concretas, os
Estados Unidos da Europa... fazer da resolução de Messina de 2 de Junho uma
verdadeira etapa para os Estados Unidos da Europa ... Uma simples cooperação
entre os governos não parece ser suficiente. É indispensável que os Estados
deleguem alguns dos seus poderes em instituições federais europeias..
?O
modelo organizacional é típico do inspirador. Na sede, situada no nº 83
da Avenue Foch, de Paris, uma equipa restrita de colaboradores: o francê Jacques
Van Helmont, o holandês Max Kohnstamm e os britânicos Richard Mayne e François
Duchene. Muitos contactos com Pierre Uri, Robert marjolin, jean Guyot, Bernard
Clappier, Paul Delouvrier, bem como uma rede informal com certos jornalistas,
como Walter Lippmann, André Fontaine, Marc Ulmann e Roger Massip. Depois
são os membros formais, reunidos por 18 sessões, entre1968 e1973, cerca de 130
responsáveis por partidos e sindicatos, onde desfilam alemães como Willy Brandt
(1913-1992), Schmidt, Kiesinger, Scheel e Strauss; franceses como Pflimlin,
Pleven, Giscard d’Estaing, Pinay, Mollet; italianos como Fanfani, Mori, Forlani,
Piccoli, Nenni, Saragat, belgas como Tindemans e, depois de 1968, britânicos
como Douglas-Home, Heath e Jenkins. A
anunciada saída de Monnet da presidência da Alta-Autoridade da CECA,
que deveria tornar-se efectiva em 20 de Fevereiro de 1955, foi, entretanto,
protelada por cinco meses, dado que os ministros dos estrangeiros dos seis,
apenas se vão reunir, de 1 a 3 de Junho de em Messina, na Sicília. o
italiano Gaetano Martino, o luxemburguês Joseph Beck, o francês Antoine Pinay, o
alemão Walter Hallstein, o holandês Willem Beyen e o belga Paul-Henri Spaak.
Estava-se num tempo de encruzilhada quanto à construção europeia. Os
franceses, então sob um governo presidido por Edgar Faure, incluindo gaullistas,
parecem mais inclinados à mera constituição de novas comunidades sectoriais, à
semelhança da CECA; alemães e países do Benelux, parecem, por seu turno, apostar
no desenvolvimento do modelo de união aduaneira (Toulemon, p. 26). Em
Maio os países do Benelux apresentavam um memorando contendo um plano de
relançamento da CECA pela instauração de um mercado comum
alargado a vários sectores da economia, incluindo a energia atómica. No
entanto, a Conferência de Messina vem dar novo impulso à ideia de Europa Unida,
insistindo na expressão construção europeia que assim substituía a de
integração. Isto é, os Seis consideravam que já não bastava o pool
do carvão e do aço, mesmo que acrescentado por outras integrações sectoriais,
como a das políticas agrícola ou dos transportes, exigindo-se uma fusão do
conjunto das economias nacionais. Os
governos dizem acreditar que chegara o momento de se passar para uma
nova etapa na via da construção europeia e que esta deve ser realizada
primordialmente no domínio económico, considerando que é preciso
prosseguir o desenvolvimento de uma Europa unida pelo desenvolvimento de
instituições comuns, a fusão progressiva das economias nacionais, a criação de
um Mercado Comum e a harmonização progressiva sas respectivas políticas sociais,
proclamando-se que se desenvolverão esforços para a criação de uma Europa
unida, de modo a permitir à Europa continuar a conservar o lugar que ocupa no
mundo, reconquistar a sua influência e o seu poder de irradiação, e para
aumentar, de maneira permanente o nível de vida da sua população. Nestes
termos, consideram a necessidade de construção de um Mercado Comum Europeu,
isento de direitos alfandegários e de qualquer restrição quantitativa, mas
por etapas. Na
mesma conferência, face à vontade de não recondução de Jean Monnet, era
nomeado para a presidência da Alta-Autoridade o antigo presidente do conselho
francês René Mayer. O
Relatório Spaak Na
Conferência de Messina foi decidida a criação de um comité intergovernamental de
peritos, encarregado de estudar a criação de uma união económica geral, bem
como de uma união no domínio nuclear. É a partir de então, como rezam as
crónicas oficiosas da história comunitária, que a Europa arranca, que se
dá o relance. O
comité vai ser presidido por Paul-Henri Spaak
e conta, entre os principais peritos os franceses
Pierre Uri, antigo colaborador de Monnet
, e Félix Gaillard, futuro presidente do conselho, bem
como o alemão Hans von der Groeben (Toulemon, pp. 27). Estes
vão reunir-se em Val-Duchesse de Julho de 1955 a Abril de 1956 e, para além dos
representantes dos seis, é convidado a participar um perito britânico, com o
estatuto de observador. O resultado destes estudos foi reunido num documento
que ficou conhecido como o relatório Spaak .
Conforme pode ler-se no mesmo, o objectivo de um mercado comum europeu deverá
ser a criação de uma vasta área com economia política comum que constituirá uma
poderosa unidade produtiva e permitirá uma firme expansão, um aumento de
estabilidade, uma mais rápida subida do nível de vida e o desenvolvimento de
relações harmoniosas entre os Estados membrosi (Sampson; p. 60).
Conferência de Veneza É já
em 29 de Maio de 1956 que uma conferência dos ministros dos negócios
estrangeiros da CECA, realizada em Veneza, aprova o relatório Spaak,
decidindo abrir negociações inter-governamentais, para as quais vão ser
convidados a participar, para além dos seis, outros países europeus.
Conforme reconhecia Hallstein, a genialidade do método era que tomou um grupo
de pessoas que se tinham confinado a ideias gerais e transformou os seres
humanos em delegações; depois, eles souberam resistir a pressões nacionais a fim
de preservarem os seus conceitos internacionais (Sampson, p. 60).
Decidida a convocação de uma conferência diplomática para a preparação do
aprofundamento da integração europeia, que, se reuniu em Bruxelas a partir de 26
de Junho, concluindo os seus trabalhos nos começos de Março de 1957. A
intervenção franco-britânica no Egipto
Contudo, é também em1956, que, acontece o desembarque franco-britânico de
Port-Said, na sequência da nacionalização do Canal de Suez por Nasser, onde o
líder egípcio, sem aviso prévio, estabelece que a Companhia do Suez não
existe mais a partir de hoje. Daqui por diante o canal é nosso, só nosso (26
de Julho de 1956). A primeira das tentativas de intervenção autónoma dos
europeus nos negócios mundiais depois de 1945, que foi prontamente rebatida
pela conjugação das diplomacias norte-americana e soviética, obrigando a uma
humilhante retirada. Em França, nas eleições parlamentares francesas (2 de Janeiro
de 1956) não há vitória clara para nenhuma das forças, apenas se
verificando uma clara derrocada gaullista, algum sucesso comunista e a
emergÊncia do poujadismo. Sobe assim ao poder um novo gabinete presidido
pelo socialista Guy Mollet (1 de Fevereiro de 1956). A questão franco-alemã sobre o Sarre é resolvida pelo Tratado do
Luxembro (27 de Outubro de 1956) e, no fim do ano, a Bundeswehr
já possui doze divisões operacionais. Já em Itália, o líder comunista Palmiro Togliatti defende a
tese do policentrismo do movimento comunista (17 de Junho de 1956),
precedendo o futuro eurocomunismo. Depois do levantamento operário de Poznam, em 28 de Junho1956, e na
sequência da desestalinização Khrushchoviana, Gomulka, reabilitado em 5
de Agosto, voltou ao poder, em 22 de Outubro, onde, aliás, se vai manter
até1971. Dias antes, entre 19 e 20 de Outubro, os principais dirigentes
soviéticos chegaram mesmo a visitar Varsóvia. Por esta altura, dia 28, é
também libertado o Primaz da Polónia. 163 610 km2. 9 300 000 habitantes, quase todos arabizados, ao
contrário do que sucede com os vizinhos do Magrebe, onde há fortes
minorias berberes. Antiga província romana da África, onde se situava a
cidade de Cartago. Dominada pelos árabes. No século XVI passam para a
dependência dos otomanos que nomeiam um governador, o bei de
Tunis, de carácter hereditário, com a família Husseinita desde 1705.
Estabelecido um protectorado francês a partir de 1882, com o acordo dos
britânicos que pretendem compensar a França pela perda do canal de Suez.
Surge o movimento autonomista dos Jovens Tunisianos logo em 1907.
Aparece o partido Destur em 1920 que em 1934 se cinde, surge o
Novo Destur, este de carácter laico, sob a liderança do advoagdo
Habibe Bourguiba. Reconhecida a independência logo em1956. Destituído o
bei e proclamada a república em 25 de Julho de 1957, pela
assembleia constituinte, depois do triunfo eleitoral do partido de
Bourguiba que se mantém no poder até1987.
A Preface to Democratic Theory Obra de Robert Dahl, onde se faz o estudo comparado de três tipos de
democracia norte-americana: madisonian democracy (o esforço de
compromisso entre o poder das maiorias e o poder das minorias),
populistic democracy e polyarchal democracy. Considera que a poliarquia se caracteriza por um profundo
pluralismo social, havendo uma pluralidade de centros de decisão
autónomos. Há uma diversidade de organizações sociais e cada uma delas tem um
certo grau de autonomia face às concorrentes. Os vários líderes independentes entram em concorrência e fazem
coligações sempre mutáveis, sob o controlo popular. Impõe-se assim o compromisso e a conciliação, através de
intermináveis negociações (bargaining) entre grupos que se opõem
uns aos outros. A livre concorrência entre grupos rivais, nos limites impostos pelo
consenso, leva a um equilíbrio espontâneo, equilíbrio que será tanto
mais estável quanto a sociedade é mais diversificada (Chicago, The
University of Chicago Press,1956).
Ludwig von Bertalanffy(1901-1972)
Biólogo, amigo de
Hayek. Nasce em Viena, onde vai ser director do Instituto de Estudos
Biológicos, e instala-se nos Estados Unidos a partir de 1949. Visa a
criação de uma teoria dos sistemas gerais, defensora de um movimento de
unificação da ciência, criticando‑se a redução da comunicação entre os
vários campos de investigação, que conduzia a uma duplicação de
esforços, e defendendo‑se a necessidade de cada disciplina ter uma
teoria geral e abstracta para integrar o conhecimento adquirido noutras
disciplinas. Depois da Segunda Guerra Mundial, em1956, chega mesmo a
fundar‑se uma Sociedade para o Desenvolvimento da Integração dos
Sistemas Gerais, editora da revista General Systems. Considera
que a vida é uma luta contra a entropia, através da informação. No mundo
físico existe um sistema fechado, dado que não recebem informação do
ambiente, a não ser quanto ao impulso inicial, pelo que há uma tendência
para a desordem e para o caos. Nos fenómenos vitais e sociais, há
sistemas abertos, marcados pela complexidade crescente. ·
1956
Entre a Revolta da Hungria e o degelo de Kruchtchev
In General Systems, vol. I,1956 [ reed., Nova York, Brazillier, 1968; trad. fr. Théorie Générale des Systèmes, Paris, Librairie Dunod,1973] .
Politólogo norte-americano de origens polacas. Professor na Columbia University de Nova Iorque e na John Hopkins University. Conselheiro dos presidentes democratas, de Kennedy a Carter. Nesta última presidência foi director do National Security Council. Manteve funções de conselheiro, perito em matérias da Europa do Leste na presidência de George Bush. Um dos principais sovietólogos da Guerra Fria, analista do fenómeno totalitário. Assinala a existência de três ciclos no sovietismo: se com Lenine, temos um partido totalitário visando a reconstrução total da sociedade, já com Estaline, passou a existir um Estado totalitário que subordinou totalmente a sociedade e tornou o próprio partido dependente do poder pessoal do secretário-geral deste que, aliás, também passou a ser assessorado directamente pelo aparelho militar e policial. Finalmente, com Brejnev, surgiu um Estado totalmente estagnado dominado por um partido totalitário corrupto. Analisando a subida de Gorbatchev ao poder, observa que que quanto mais o período estalinista fosse denunciado, mais o período leninista teria de ser idealizado, passando a fingir-se que tinha sido verdade aquilo que, nunca realmente, o tinha sido. Porque ao ter que atacar o estalinismo na base de um revitalizado leninismo, estava também a dar nova energia, a dar nova legitimidade e, assim, a perpetuar as forças ideológico-políticas que conduziram directamente ao leninismo.
·
The Permanent PurgeCambridge Massachussetts, Harvard University Press,1956.
Norte de África
· A França reconhece independência de Marrocos (2 de Março de 1956) e da Tunísia (20 de Abril de 1956). A independência de Marrocos confirma a promessa que Roosevelt havia feito ao então sultão Mohammed Bem Youssef (1927-1961), que os franceses não cumpriram, deportando-o de 13 de Agosto de 1953 a Outubro de 1955, primeiro para a Córsega e, depois, para Madagáscar e substituindo-o pelo tio, o pachá de Marraqueche, Bem Arafa. Segue-se o reconhecimento da independência pela Espanha (7 de Abril de 1956), a integração de Tanger (21 de Outubro de 1956), até então cidade sujeita a um estatuto internacional, a integração do Marrocos espanhol (1958) e do Ifne (1969). As tropas espanholas e francesas abandonam o país em1961 e os norte-americanos encerram as suas bases em1963.
— Na Argélia, a visita do novo chefe do governo francês, Guy Mollet, logo depois de tomar posse, é acolhida com uma sedição dos pieds noirs (6 de Fevereiro de 1956), dado que se vive desde 7 de Janeiro de 1956, a chamada batalha de Argel, a perseguição aos militantes da FLN sedeados na própria capital, numa operação dirigida pelo general Massu. Entretanto, tendo em vista o esforço de guerra são chamados 170 000 homens às fileiras do exército em França (11 de Abril de 1955). Em 22 de Outubro de 1955, o comando militar francês, sem ouvir Paris, numa operação de surpresa consegue desviar um avião onde seguiam os principais chefes da FLN, provindos de Marrocos, detendo Ben Bella.
· Apesar de Moscovo proclamar a coexistência pacífica (24 de Fevereiro de 1956) e dissolver formalmente o próprio Kominform (17 de Abril de 1956), o Egipto de Nasser começa a receber armamento soviético (10 de Julho de 1956) e os norte-americanos recusam o financiamento da barragem do Assuão (19 de Julho de 1956). Segue-se a intervenção israelita no Sinai (29 de Outubro de 1956) e o desembarque de tropas franco-britânicas em Port-Said (31 de Outubro de 1956), que, depois da pressão de norte-americanos e soviéticos (6 de Novembro de 1956) são obrigadas a uma desonrosa retirada (24 de Dezembro de 1956).
· Na Tunísia mantém-se também o regime monárquico liderado pelo bey de Tunes, mas tendo como chefe do governo Habib Bourguiba, o líder do Partido Neo-Destour, independentista, que, no ano seguinte (25 de Julho de 1957), instaura a República, de que se torna presidente. O partido único virá em1964, rebaptizando-se o anterior como Partido Socialista Destour, com o líder a tornar-se presidente vitalício em1974, até1986, onde é destituído por senilidade.
© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: