Balsemão, Francisco José Pereira Pinto (n. 1937)

Primeiro-ministro português em 1981-1985. Um dos três fundadores do PPD.

Criador do semanário "Expresso" em 1973 e da estação televisiva SIC. Chamado o Berlusconi português.

Surge o primeiro número do semanário Expresso (6 de Janeiro), dirigido por Francisco Pinto Balsemão, detentor de 50% do capital social, o ex-deputado liberal da União Nacional, que havia sido colaborador directo de Soarez Martinez, como secretário, de Kaúlza de Arriaga, como director da revista Mais Alto da Força Aérea, de 1961 a 1963, e de Adriano Moreira. Tem a ajuda de Marcelo Rebelo de Sousa, como administrador-delegado. Tem o apoio do escritório de André Gonçalves Pereira e é financiado por Manuel Bulhosa, Vasco Vieira de Almeida e Sociedade Central de Cervejas. A primeira manchete traz uma sondagem onde se revela que 63 por cento dos portugueses nunca votaram. Um dos principais colaboradores é Francisco Sá Carneiro, que também participa num colóquio da SEDES sobre Lisboa: monopólio da participação política, juntamente com Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Vilar (15 de Janeiro), pouco antes de apresentar formalmente a renúncia ao cargo de deputado (26 de Janeiro).

Adjunto de Kaúlza de Arriaga, quando este foi subsecretário de Estado da Aeronáutica em 1960-1961.  Chega a estar ligado a Adriano Moreira em 1965, nos tempos da fundação da Academia Internacional da Cultura Portuguesa.  Deputado da ala liberal em 1969-1973.  Funda o semanário Expresso em 1973. Tem, então, como principal colaborador, Marcelo Rebelo de Sousa.

Membro português do Clube de Bildberg.  Fundador do Partido Popular Democrático em 3 de Maio de 1974. Sem nunca assumir uma posição de formal dissidência durante a liderança de Sá Carneiro, distancia-se deste nos tempos pós-revolucionários, em nome de uma vaga posição de esquerda, dita verdadeiramente social-democrata. É assim que aparece como um dos animadores do CERESD e que vai invocando Bernstein.

Em 2 de Junho de 1978, durante o governo PS/CDS, 42 dos 73 deputados do PSD e várias outra figuras do partido subscrevem o documento PSD: Opções Inadiáveis, reafirmando a opção social-democrata e a necessidade de se manter o pedido de filiação na Internacional Socialista, criticando a liderança de Francisco Sá Carneiro.

Entre os subscritores, os fundadores Magalhães Mota e Pinto Balsemão, bem como Jorge Miranda, Guilherme d’Oliveira Martins, Joaquim Lourenço, José Alfaia Pinto Pereira, António Sousa Franco, Figueiredo Dias, Sérvulo Correia, Rui Machete, Cunha Leal, Furtado Fernandes, Marques Mendes (pai), Costa Andrade, Nandim de Carvalho, António Rebelo de Sousa.

VI Congresso do PSD no cinema Roma em Lisboa (dia 1 e 2 de Julho de 1978). Regresso de Sá Carneiro à liderança. O grupo das Opções Inadiáveis mantém a maioria do grupo parlamentar. Nas eleições para o Conselho Nacional, o grupo de Sá Carneiro consegue 21 lugares contra 9 da oposição, liderada por Francisco Pinto Balsemão e Ferreira Júnior. Sob a alçada de Sá Carneiro, regressa ao partido Carlos Macedo, dissidente de Aveiro, e entram como militantes, entre outros, Natália Correia, Dórdio Guimarães e Luís Fontoura.

No entanto, acaba por alinhar com a Aliança Democrática e integra o primeiro governo da coligação. Sucede a Francisco Sá Carneiro, depois da morte deste, em 4 de Dezembro de 1980, como presidente do PSD e primeiro-ministro. Chefia os dois últimos governos da Aliança Democrática.  Depois dessa passagem pelo governo, volta aos negócios da comunicação social, reforçando o respectivo grupo pela fundação da principal estação privada de televisão, a SIC, tornando-se num dos homens fortes da comunicação social portuguesa. 

 

De 1981-09-04 até 1983-06-09 Primeiro- Ministro do VIII Governo Constitucional

De 1981-01-09 até 1981-08-14  Primeiro- Ministro do VII Governo Constitucional

De 1980-01-03 até 1980-12-09 Ministro Adjunto do Primeiro  Ministro do VI Governo Constitucional

 

                   

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 22-04-2007