Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Depois de instaurada a chamada Ditadura Nacional em 28 de Maio de 1926, eis que, na sequência do decreto de 24 de Fevereiro de 1928, onde se estabeleceu o modelo de eleição presidencial por sufrágio directo, Óscar Fragoso Carmona foi sufragado no dia 25 de Março com 761 730 votos. Obtinham-se bem mais votos que a totalidade dos que exerceram o sufrágio na última eleição parlamentar da I República em 1925 (407 960), ultrapassando-se inclusive os próprios votantes nas eleições de Sidónio Pais, em 1918 (513 958). Carmona apareceu assim legitimado pelo voto popular, assumindo-se como o segundo presidente da república portuguesa eleito por sufrágio directo, depois de Sidónio Pais. Estabeleceu-se, do mesmo modo, uma relação directa entre o autoritarismo e o sufrágio universal.
Entretanto, em Julho de 1929, uma questiúncula governamental, a edição de uma portaria do ministro da justiça que permitia a realização de procissões, a célebre portaria dos sinos, levava a uma reacção da ala maç ónica do 28 de Maio, com a efectiva demissão de Mário Figueiredo e o pedido de demissão, não aceite, do próprio Salazar.
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4º governo da ditadura |
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| Governo de Vicente de Freitas |
De 18 de Abril a 8 de Julho 81 dias |
| ·Vicente de Freitas acumula a pasta do interior. ·Na justiça, José da Silva Monteiro. A partir de 10 de Novembro de 1928, Mário de Figueiredo. ·Nas finanças, António de Oliveira Salazar, desde 27 de Abril de 1928. Como subsecretário Guilherme Luiselo Alves Moreira, desde 1 de Maio ·na guerra Júlio Ernesto de Morais Sarmento. ·Na marinha, Aníbal de Mesquita Guimarães. ·Nos negócios estrangeiros, mantém-se Bettencourt Rodrigues. A partir de 10 de Novembro de 1928, Mesquita Guimarães. A partir de 19 de Dezembro de 1928, Quintão Meireles. ·No comércio, José Bacelar Bebiano. A partir de 11 de Junho de 1928, José Dias de Araújo Correia. A partir de 10 de Novembro, Bacelar Bebiano. A partir de 19 de Novembro, Eduardo Aguiar Bragança. A partir de 11 de Janeiro de 1929, Vicente de Freitas. ·Nas colónias, Ortins de Bettencourt que não toma posse. Desde 25 de Abril, José Bacelar Bebiano. ·Na instrução pública, Duarte Pacheco. A partir de 10 de Novembro de 1928, Gustavo Cordeiro Ramos. ·Na agricultura, Joaquim Nunes Mexia. Desde 11 de Junho de 19128, Joaquim Mendes do Amaral. A partir de 10 de Novembro, Pedro de Castro Pinto Bravo. | |
[1]Entre outros ministros desse governo, destacou-se Joaquim Nunes Mexia, na Agricultura, e Bettencourt Rodrigues, nos estrangeiros. O convite de Vicente de Freitas a Salazar teve como portador Duarte Pacheco que, para tanto se dirigiu a Coimbra.
[2] Salazar passou a ter como subsecretário de Estado do Orçamento Guilherme Luiselo Alves Moreira, desde 4 de Maio. O respectivo chefe de gabinete foi Antero Leal Marques, antigo funcionário das finanças de Coimbra. Manteve a colaboração activa do director-geral da fazenda e secretário-geral do ministério Alberto Xavier, republicano convicto e antigo chefe de gabinete de Álvaro de Castro, que chegou a estar preso, durante um mês, em 1927. Outro elemento colaborador, proveniente da anterior máquina republicana, foi o governador do Banco de Portugal, Inocêncio Camacho. Sobre a matéria, ALBERTO XAVIER, Memórias da Vida Pública e ANTÓNIO DE SOUSA FRANCO, Ensaio sobre as Transformações Estruturais das Finanças Públicas Portuguesas (1900-80), Lisboa, 1982, in Análise Social, vol. XVIII, pp. 1105 ss.
[3] Para além da reforma orçamental de 1928, segue-se a reforma da dívida pública de 1929 (extinção da dívida flutuante externa em 1929 e da externa em Junho de 1933), a reforma fiscal, também de 1929, e a reforma monetária, de 1931. Ver OLIVEIRA SALAZAR, A Reorganização Financeira, 1930, bem como Doze Anos na Pasta das Finanças, 1928-1940, 2 vols, 1968.
[4] Entre os implicados, salientem-se os nomes de Maia Pinto, Aquilino Ribeiro, Neves Anacleto, Jacinto Simões, Amâncio Alpoim e o tenente Carlos Vilhena. No lado governamental, destacou-se Lopes Mateus. Dos incidentes, resultaram 7 mortes, 20 feridos e 240 prisões. Ver ROCHA MARTINS, op. cit., pp. 582 ss.
[5]Nesta remodelação surge um novo Ministro da Agricultura, Pedro de Castro Pinto Bravo, sucedendo a Joaquim Mendes do Amaral que, em 7 de Julho, substituíra Joaquim Nunes Mexia. Em 19 de Dezembro era nomeado ministro dos estrangeiros o então capitão de fragata Quintão Meireles. Salazar que jogara forte na remodelação, contando com o apoio do general Craveiro Lopes, comandante da 1ª Região Militar, não conseguiu, no entanto, superar os vicentistas que continuavam a preponderar. Na altura, a União Liberal Republicana, através de Bissaya Barreto, chegou a sondá-lo para assumir a presidência do ministério. Ver FRANCO NOGUEIRA, II, pp. 23 ss.
[6] FERNANDO PESSOA, Da República (1910-1935), Lisboa, 1979, p. 384. Pessoa considera também que o prestígio de Salazar contrastava com o de Afonso Costa: quando este apresentou em 1912 o seu superavit, foi recebido à gargalhada pelo público, e os seus próprios partidários tiveram de fazer esforços sobre si mesmos para ter fé na obra, como a tinham no homem. Quando Salazar apresentou o seu superavit, todo o grande público imediatamente o aceitou. Não foi pois o superavit, comum aos dois, que provocou o prestígio de um, o não prestígio do outro, eram anteriores ao espectáculo financeiro.
[7] Em 13 de Abril de 1929, surgiam os decretos nº 16 731, sobre a reforma geral do sistema tributário, e nº 16 733, sobre a reorganização do contencioso das contribuições e impostos. Antes, em 22 de Março, reformava-se a Caixa Geral de Depósitos; em 27 de Março criava-se a Intendência Geral do Orçamento. Curiosamente, entre Maio e Agosto, o jovem ministro das finanças teve o seu posto de comando num quarto do Hospital da Ordem Terceira de S. Francisco, pelo facto de ter fracturado uma perna.