Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
ANO:1807
| Destaques | Cronologia | Acontecimentos | Bibliografia | Personalidades | Livros do Ano | Falecimentos e Nascimentos |
| PORTUGAL | MUNDO | |
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Política |
· Primeira Invasão Francesa de Portugal (Novembro) · Corte portuguesa passa para o Brasil (Novembro) · Começa o período de el-rei Junot (Novembro) |
· Paz de Tilsitt entre Alexandre e Napoleão (Julho) |
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Ideias |
· Fichte e a fundação do nacionalismo alemão. As catorze conferências proferidas em Berlim entre 1807 e 1809, onde se vai defender a existência de uma espécie de eu nacional com base na unidade da língua e na identidade da raça, para além de uma predestinação do povo alemão e da necessidade de um Estado forte. é então que se proclama a necessidade de construir a nação alemã entendida como um dever do espírito alemão para com a humanidade, em nome do destino histórico. é então que o romantismo passa do panteísmo do eu individual para a deificação do eu colectivo, em nome da língua, da raça e do Estado. O povo alemão é o povo original ou o povo primitivo (Urvolk), entendido como um povo puro, livre de toda a contaminação histórica, uma individualidade que, em vez de derivar da universalidade, seria, pelo contrário, a originadora da universalidade. Os outros povos da terra é que seriam os idólatras, corrompidos, degenerados. Só nós somos o Povo vivo. Nós somos o Povo primitivo, o verdadeiro Povo de Deus. O povo alemão seria pois um postulado eterno da Razão, um princípio metafísico, um povo absoluto, o que existe em si, o povo simplesmente (das Volk schlechtweg). · Malthus Professor de história e economia em Heileybury, a partir de 1807
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NACIONAL |
INTERNACIONAL |
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· Outubro Corpo invasor francês comandado por Junot, composto por 28000 soldados franceses e 11000 espanhóis, sai de Baiona. 27 de Outubro Tratado de Fontainebleau entre a França e a Espanha, onde se procede à divisão de Portugal. |
· 14 de Junho Vitória francesa sobre a Rússia na Batalha de Friedland. |
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· Novembro 17 Napoleão decide abrir a frente ibérica e, neste dia, tem início a primeira invasão francesa de Portugal, comandada por Junot. 21 Junot em Abrantes 25 Junot em Tomar 26 Decreto cria uma Junta de Regência 27 Embarque da Corte para o Brasil. Cerca de quinze mil pessoas 28 Junot em Santarém 29 Junot é saudado em Sacavém no dia 29 de Novembro de 1807 por uma delegação composta por membros da regência, da maçonaria e da Academia das Ciências de Lisboa. Alarga a regência, onde inclui Francisco António Herman. Laborde passa a comandante chefe das tropas ocupantes 30 Junot chega a Lisboa |
· Julho A Rússia faz as tréguas com a França, após um encontro de Alexandre com Napoleão em Tilsitt, uma ilha do rio Niemen, que emprestou o nome ao Tratado assinado. Com a paz de Tilsitt Alexandre vê-se forçado a aceitar a criação do Grão Ducado de Varsóvia, sob a titularidade do rei da Saxónia, reconhecer a Confederação do Reno, e a comprometer-se a encerrar os portos aos navios ingleses. Napoleão passa então a ser qualificado pelos russos como Imperador do Ocidente, enquanto os franceses chamam a Alexandre, o Imperador do Oriente. |
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· Ainda em 1807... - Começa o chamado período de el-rei Junot. Até Agosto de 1808.
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· Ainda em 1807... - Talleyrand deixa de ser ministro os estrangeiros de Napoleão. |
Regência, Conselho da (1807-1808) De 26 de Novembro de 1807 a 1 de Fevereiro de 1808...
Elementos do Conselho de Regência:
Francisco da Cunha e Meneses, Marquês de Abrantes
Principal Castro
Pedro de Melo Breyner
D. Francisco de Noronha
Conde de Castro Marim
Conde de Sampaio
D. Miguel Pereira Forjaz
João António Salter Mendonça
Guerra da Quarta Coligação- Rússia e Prússia contra França- (de Outubro de 1806 a Junho de 1807)
Entretanto a Prússia volta-se contra Napoleão, pelo facto da França ter ocupado Ansbach e Bayreuth. Em 14 de Outubro de 1806 era derrotada em Jena. Napoleão transforma a Prússia de aliada em mero satélite; em 21 de Novembro de 1806 já Napoleão em Berlim decretava o boloqueio continental.· Depois dos russos terem sido derrotados em Friedland, em Julho de 1807, já Alexandre assinava com Napoleão a Paz de Tilsit, de 7 de Julho de 1807; Napoleão é qualificado pelos russos como Imperador do Ocidente e os franceses chamam a Alexandre, o Imperador do OrienteA Rússia entrava no Bloqueio Continental; a Rússia aproveita a circunstância e ataca a Suécia, obtendo domínio sobre a Finlândia· .Paz de Schoenbrunn. Forma-se o Reino da Vestefália, com as regiões da Prússia situados na margem esquerda do Elba, juntamenete com o Brunsvique e o eleitorado de Hesse; para rei vai Jerónimo Bonaparte · Os territórios polacos atribuídos à Prússia pela partilha da Polónia eram transformados no Grão Ducado de Varsóvia, atribuído ao Rei da Saxónia que logo adere à Confederação do Reno.
Junot, Andoche (1771-1813) General francês. Duque de Abrantes. Comandou a invasão de Portugal em 1807-1808. Havia sido ajudante de campo de Napoleão na campanha de Itália.
Carbonários Os carbonari nascem de uma sociedade secreta surgida em Nápoles entre 1807 e 1810 para lutarem contra a ocupação napoleónica. Organizam-se em grupos de 20 homem, as chamadas vendas que se submetem a uma Venda Suprema. mantêm-se depois de 1815, lutando contra a Santa Aliança, promovendo a revolta de Nápoles de 1820. Passam a França, na luta contra a Restauração, sob o nome de charbonniers. Têm como chefe supremo Lafayette. Em Italia, a partir de 1831, são integrados na Jovem Europa de Mazzini.
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AUTORES |
OBRAS |
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Machiavelli Ver a trad. fr. de Luc Ferry, Machiavel et Autres écrits Philosophiques et Politiques de 1806-1807, Paris, Payot, 1981 |
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Fichte |
Reden an die deutsche Nation Berlim, 1807 - 1808. Cfr. Trad. fr. Discours à la Nation Allemande, Paris, Aubier-Montaigne, 1975. Nova trad. De Alain Renault, Paris, Imprimerie National, 1992. |
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Gondon |
Projecto de Paz Geral e Perpétua |
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Hegel |
Phänomenologie des Geistes |
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Lisboa, José da Silva |
Principios de Economia Politica Lisboa, Imprensa Regia |
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Paine |
The Age of Reason, 1794, 3º volume, onde defende o deísmo, criticando qualquer espécie de religião organizada. |
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Saint-Simon |
Introduction aux Travaux Scientifiques du XXème Siècle , 1807 - 1808 |
Saint-Simon, Claude Henri De Rouvroy, conde de (1760-1825) Oriundo da grande nobreza francesa. Sobrinho do memorialista Louis de Rouvroy. Começa como militar, combatendo na América em 1779. Adere à Revolução em 1789. Preso em 1793-1794, mas não por razões políticas. Apoia Bonaparte. Tem como secretários particulares, Augustin Thierry, em 1814, e Auguste Comte, a partir de 1817. Funda L'Industrie, em 1818, e L'Organizateur, 1819. Um dos clássicos do socialismo utópico. Descobre a lei dos três estados, inventa a ideia moderna de planeamento e fomenta uma ideia de renovação moral, paralela ao desenvolvimento de grandes obras públicas, influenciando em França o desenvolvimento dos caminhos de ferro e a construção do canal de Suez, bem como a renovação do sistema bancário. Tem, entre nós, reflexos no fontismo. Comte vai retirar deste autor a ideia de ordem e de física social
Hegel, Georg Wilhelm Friedrich (1770-1831) Nasceu em Estugarda, tendo feito os seus estudos de filosofia e de teologia em Tubinga. Aqui se liga a Schelling e Holderlin. Começa como preceptor em Berna e Frankfurt. A partir de 1800 aparece como professor em Jena, juntamente com Schiller, Novalis, Fichte e Schelling. Ensina, depois, em Nuremberga, Heidelberg e Berlim, aqui, a partir de 1818. Foi profundamente influenciado pelas leituras que fez dos místicos Eckhart (1260-1327) e Jacob Boehme (1575-1624), os quais consideravam Deus idêntico ao Ser, que Deus se torna no mundo criado e que Deus e o Mundo se reconciliaram, cada um deles, consigo mesmo, através de Cristo.
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& Discursos à nação alemã (Reden an die deutschen Nation). Série de catorze conferências proferidas por Fichte em 1807-1808, na Academia de Berlim, na ressaca da invasão napoleónica, depois da derrota de Jena, onde se defende a existência de um eu nacional germânico baseado no chão, na unidade da língua e na identidade da raça. Primeiro, considera que a superioridade do povo alemão está no seu enraizamento territorial, no facto dos primeiros alemães terem ficado no habitat natural dos seus antepassados. Em segundo lugar, a língua que não recorreu a estrangeirismos, uma língua viva que tem a força das fontes originárias. Em terceiro lugar a raça enquanto cultura, uma cultura de liberdade que permite aos alemães o acesso ao supra-sensível. Predestinação. Retoma a tese de Lutero sobre a predestinação do povo alemão, concluindo pela necessidade do estabelecimento de um Estado forte. Aí especula sobre o germanismo (Deutschtum) ou germanidade (Deutschheit). Urvolk considerando que o povo alemão é o povo original ou o povo primitivo (Urvolk), entendido como um povo puro, livre de toda a contaminação histórica, uma individualidade que, em vez de derivar da universalidade, seria, pelo contrário, a originadora da universalidade. Os outros povos da terra é que seriam os idólatras, corrompidos, degenerados. Só nós somos o Povo vivo. Nós somos o Povo primitivo, o verdadeiro Povo de Deus. O povo alemão seria pois um postulado eterno da Razão, um princípio metafísico, um povo absoluto, o que existe em si, o povo simplesmente (das Volk schlechtweg) . Saliente-se que Fichte começara por um estrito individualismo kantiano, marcado por uma espécie de panteísmo do eu, considerando, nessa primeira fase, que o espírito era o criador de todas as coisas, incluindo as próprias regras disciplinadoras do espírito, ao mesmo tempo que saudava entusiasticamente a Revolução Francesa. é o chauvinismo da pós-revolução napoleónica, sobretudo o objectivismo da ocupação dos territórios alemães pelos herdeiros da bandeira tricolor da liberté, égalité et liberté, que o obriga a passar desse panteísmo do eu individual para uma deificação do eu colectivo, como ele qualifica a nação. A partir de então proclama que o espírito concebe a vida terrestre como uma vida eterna e a pátria como a representação terrestre dessa eternidade. Reconhece, no entanto, que, apesar de haver um espírito alemão, ainda não existe uma nação alemã, pelo que os alemães devem começar por se fazerem a eles próprios conscientemente . Que construir a nação alemã é o dever do espírito alemão para com a humanidade, dado haver um destino histórico e que tudo se conseguirá pela educação nacional, um caminho pela convicção moral, por dentro, e não pelo poder material, de fora . Assim, conclui que o povo absoluto deve bastar-se a si mesmo e não depender dos outros, exigindo tanto um Estado comercial fechado, como um Estado entendido como uma instituição jurídica, aquela que deve alcançar o fim inferior (v. g. a legalidade) através do fim superior (v. g. a moralidade) e, portanto, converter-se numa instituição educativa. O que até nem impediria o surgimento de um Ditador que pela violência levasse o mundo a ser alemão, porque um povo metafisicamente predestinado tem o direito moral de se realizar por todos os meios da astúcia e da força. |
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& Gondon Em 1807, Gondon, com novo Projecto de Paz Geral e Perpétua, condena o modelo vigente de equilíbrio europeu, pelo facto do mesmo assentar na oposição entre blocos rivais e, tentando superar a questão, faz uma divisão entre a independência civil, que continuaria a caber aos Estados, e o domínio político, que passaria a caber à Europa. Ai retoma as ideias de Bentham sobre a paz assente na liberdade de comércio e, rejeitando a fórmula federal, por poder prejudicar a liberdade de cada Estado, propõe um Estado maior que formaria um só governo político; seria este Estado uma sociedade geral composta por várias sociedades particulares, onde os príncipes, sem nada perder da sua soberania, se tornarão, por assim dizer, uns relativamente aos outros, cidadãos para a paz e a felicidade dos povos |
VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS
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FALECIMENTOS |
NASCIMENTOS |
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AHRENS, Heinrich (1807-1874) Agassiz, Jean Louis Rodolphe (1807-1873) Garibaldi, Giuseppe (1807-1882) |