Soljenitsine,
Aleksandr
(n. 1918) Partindo de um
humanismo existencialista, marcado pela memória do sofrimento das vítimas do
totalitarismo soviético, trata de retomar certas pistas do romantismo
messiânico e das utopias conservadoras, proclamando uma espécie de teologia
laica de libertação. Com efeito, através de uma paradoxal prosa, a obra de
Soljenitsine é uma espécie de curso de lógica perante uma sociedade
alógica, até porque, como dizia Hegel, a prosa é uma realidade
ordenada. Com Soljenitsine vai assim reintroduzir-se na história cultural
russa, o conceito de povo e o de consciência popular, à maneira
da Escola Histórica Alemã, bem como o radical humanismo que o leva à
consideração daquela verdade que está cima do povo, acima da pátria e
acima da ideologia, como dizia Dostoievski.
·
Arquipélago de Gulag
(2 vols.,1973
-
1974) (cfr. trad. port. do I vol., a partir do russo, por José Augusto Seabra
e Francisco Ferreira, Amadora, Livraria Bertrand,1975, e do II vol., a
partir da ed. fr., de Leónidas Carvalho, idem, ibidem,1977).
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