É de acordo com estas perspectivas do decadentismo pós-totalitário, concentracionariamente apodrecido e tendencialmente suicidário, que devemos compreender a sucessões pós-brejnevianas. Com efeito, depois da morte de Brejnev, em 10 de Novembro de 1982, o círculo superior do poder soviético, marcado
pela tentação totalitária de querer controlar os próprios órgãos de controlo, vai escolher, em Junho de 1983, Yuri Andropov (1914-1984), então chefe do KGB, desde 1967, onde se destacara na perseguição à corrupção. Tinha sido embaixador na Hungria em1954-1956.
Foi talvez a última hipótese de eficaz evolução na continuidade, dado que a bandeira da moralização que Andropov representava poderia constituir um balão de oxigénio para o sistema, permitindo que a burocracia pela burocracia pudesse esmagar a bandocracia burocraticamente
sustentada. Mas eis que Andropov morre prematuramente em 9 de Fevereiro de 1984 e a nomenklatura retoma inevitavelmente os tiques escleróticos do brejnevismo, escolhendo, para um reino cadaveroso, um cadáver adiado, mas já sem capacidade de procriação, chamado Konstantin
Tchernenko, o qual apenas vai durar biologicamente até 10 de Março de 1985.