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1963 |
Guerrilha na Guiné, cristãos progressistas e marxistas-leninistas-maoístas |
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Cosmopolis |
© José Adelino Maltez, História do Presente, 2006 |
1963
Ponte da Arrábida – Inaugurada nova ponte sobre o
Douro, no Porto, num arrojado projecto da autoria do engenheiro Edgar Cardoso (n.
1913), professor do Instituto Superior Técnico desde 1951.
Guerra colonial intensifica-se – Em
Setembro, começa a guerrilha do PAIGC, na Guiné, de forma sistemática, enquanto
abre a segunda frente de guerra, em Angola, no enclave de Cabinda e surge, em
Argel, o Governo de Angola no Exílio (Fevereiro). Realizam-se pela primeira vez
cerimónias militares no Terreiro do Paço, por ocasião do Dia de Portugal, onde
se condecoram militares (10 de Junho). Craveiro Lopes dá uma entrevista
ao jornal Diário de Lisboa defendendo a livre informação e uma
evolução na política ultramarina que está na tradição, advogando a
participação útil de todos (10 de Agosto).
Incidentes domésticos – Incidentes na Baixa de Lisboa
por ocasião das comemorações do Dia do Trabalhador, retomadas no ano anterior,
novamente sob a direcção do PCP. Um morto, Agostinho Fineza (1 de Maio).
PIDE provoca rombo na direcção do PCP, com a prisão de Blanqui Teixeira,
Guilherme de Carvalho, José Carlos e Jorge Araújo, por denúncias de um detido,
Verdial (28 de Maio).
Oposição – Directório Democrato-Social dirige mensagem
ao Presidente do Conselho solicitando o reconhecimento da personalidade jurídica
da oposição (25 de Agosto). Também em Agosto se dá uma reunião do comité central
do PCP, onde, pela primeira vez, se manifestam as divergências daquilo que virá
a ser a cisão de Francisco Martins Rodrigues, membro do comité central, que
elabora o relatório Luta pacífica e luta armada no nosso movimento. Será
expulso em Janeiro seguinte. Cunhal tem, então, intimas relações com a
hierarquia soviética, sendo directamente recebido por Mikhail Suslov. Enquanto
começam as emissões da emissora Rádio Voz da Liberdade, a partir de
Argel, onde se destacará a voz de Manuel Alegreö ,
o irreverente conspirador Carlos Vilhena (1889-1988), maçon e um dos tenentes do
28 de Maio, activista do reviralho desde 17 de Junho imediato e não falhando
quase nenhum dos golpes anti-Ditadura desde então, chega a esboçar a fundação de
uma Organização Republicana, fiel ao lema de que a história é feita em
última análise com o gatilho. Continua infelizmente por fazer o inventário
profundo destas conspiratas, algumas delas revelando a manutenção do velho
espírito carbonário, onde as parelhas conspiratórias actuaram
ingloriamente durante os anos cinquenta, numa chamada ORP, Organização da
República Portuguesa.
& Antunes, José Freire (I,
1985): 23;1999: 57, 221; Cardoso, Sá (1973): 194; Costa, Ramiro da (II): 160, 177; Cunhal, Álvaro (1964/1975): 220.© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: