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Marrocos

Em Marrocos (al-Mamlaka al-Maghribiya), com o rei Muhammad VI (1999), o governo é presidido por Abderrahmane Youssoufi (1998), da USFP, com USFP, I, RNI, MNP, PRP, FFD e PSD. O actual rei é filho de Hassan II (1929-1999), que esteve no trono de 26-02-1961 a 23-07-1999, e neto do fundador do reino, Muhammad V, no trono, como rei, desde 14-08-1957, embora como sultão de Marrocos, tivesse exercido tais funções desde 18-11-1927, apenas interrompidas, por ter sido deposto pelos franceses, de 21-08-1953 a 06-11-1955.
As principais forças políticas, com assento na Assembleia dos Representantes (Majlis al-Nuwab), de acordo com os resultados eleitorias de 14-11-1997 são a Union Socialiste des Forces Populaires (13,9%), o Partido da Independência, de tendência social-democrata, Istiqlal (13,25) o Rassemblement National des Indépendents (11,15%), o conservador Mouvement Populaire (10,3%), a centrista Union Constitutionelle (10.2%), o Mouvement Démocratique et Social (9,5%), o conservador Mouvement Nationale Populaire (6,8%), o comunista Parti du Renouveau et du Progrés (4.3%), o Parti National-Démocrate (4,2%), o islâmico e moderado Mouvement Populaire Constitutionel et Démocratique (4,1%), a Front des Forces Démocratiques (3.8%), o Parti Social et Démocratique (3%), e a comunista Organisation de l'Action pour Démocratie et Peuple (2,9%).
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Majlis al-Nuwab Assembleia dos Representantes |
14-11-1997 |
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Union Socialiste des Forces Populaires |
Fundado em 1959 por Abderrahim Bouabid (1921-92), uma cisão da Union nationale des forces populaires (unfp), criada por Mehdi Ben Barka (1920 65), scission de l'unfp, Abderrahmane Youssoufi. 1959 par Moulay Abdallah Ibrahim. Juillet 1972, 2 tendances : Abdallah Ibrahim, proche de l'umt, et Commission administrative d'Abderrahim Bouabid, dite groupe de Rabat.
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11,15 |
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Mouvement Populaire |
Movimento berbere, fundado em 1959, liderado por Muhammad Laenser. Conservador. |
13,9 |
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Istiqlal |
O partido histórico independentista, de tendência social-democrata, fundado em 10-12-1943 par Allal el-Fasi (1910-74). M'Hamed Boucetta (né 1925). Ahmed Balafrej (1908-90). Abbas El Fassi depuis 22-2-1998. |
13,25 |
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Rassemblement National des Indépendents |
Partido fundado em 1978 por Ahmed Osman (cunhado de Hassan II), Moulay Ahmad Alaoui. |
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Union Constitutionelle |
Union constitutionnelle (uc). Fundada em 1983, por Maâti Bouabid (1927-96). Liderada por Abd al-Latif Samlali. |
10.2 |
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Mouvement Démocratique et Social |
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9,5 |
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Mouvement Nationale Populaire |
Cisão de 1967 do Mouvement populaire. Abdelkrim Khatib, remplacé par le P. de la justice et du développement, (4-10-1998), islamiste, Abdelilah Boukirane.
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6,8 |
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Parti du Renouveau et du Progrés |
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4.3 |
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Parti National-Démocrate |
P. national démocrate (pnd) 1981, scission du rni, Arsalane al-Jadidi. P. de l'action 1974, Abdallah Senhaji. P. libéral progressiste 1974, Agnouch Ahmed Oulhaj. P. démocratique de l'indépendance (pdi) 1946, Thami el-Ouazzani.
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4,2 |
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Mouvement Populaire Constitutionel et Démocratique |
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4,1 |
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Front des Forces Démocratiques (%), |
Front des forces démocratiques (ffd) 6-7-1997 dissidents du pps. Mouvement pour la démocratie oct. 1997 extrême gauche.
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3.8 |
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Parti Social et Démocratique (3%), |
P. socialiste démocratique (psd) oct. 1996 dissidents de oadp. Aissa el-Ouardighi.
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3 |
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Organisation de l'Action pour Démocratie et Peuple (2,9%). |
Organisation de l'action démocratique et populaire (oadp) 1983, gauchiste. Mohamed Bensaid.
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2.9 |
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o o islâmico e moderado, a o e a comunista
P. du progrès et du socialisme (pps, 1974 ancien pc, créé 1943, Ismail Alaoui.
P. du centre social (pcs). ex-P. de l'unité et de la solidarité nat. 1982, centriste. Mohamed Smar. Association justice et bienfaisance (Al-Adl Wal-Ihsan), islamiste. Cheikh Abdessalam Yassine (en résidence surveillée depuis 1990).
Mouvement national populaire (mnp) 1991. Mahjoubi Aherdane.
Mouvement démocratique et social juin 1996 scission du mnp, Mahmoud Archane.
P. de l'avant-garde démocratique et socialiste (pads) gauche, refuse de participer aux élections.
Nota. - Après le référendum de juillet 1970. Istiqlal et unfp ont constitué une alliance : Al Koutlah al Watania (Front national).
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Reis |
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Chefes do governo |
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Muhammad V |
14-08-1957 |
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7-12-1955 |
Mubarak al-Bakkai |
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12-05-1958 |
Ahmed Balafrej |
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16-12-1958 |
Abdallah Ibrahim |
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Hassan II |
26-02-1961 |
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13-11-1963 |
Ahmed Bahnini |
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7-07-1967 |
Muhammad Benhima |
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6-10-1969 |
Ahmed Laraki |
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6-08-1971 |
Muhammad Karim Lamrani (1ª vez) |
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2-11-1972 |
Ahmed Osman |
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22-03-1979 |
Maati Bouabid |
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30-11-1983 |
Muhammad Karim Lamrani (2ª vez) |
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30-09-1986 |
Azzedine Laraki |
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11-08-1992 |
Muhammad Karim Lamrani (3ª vez) |
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25-05-1994 |
Abdellatif Filali |
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4-02-1998 |
Abderrahmane El Youssoufi |
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Muhammad VI |
23-07-1999 |
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Superf. 447 milliers de km2
Pop. 28 millions
PNB 33,7 mds de dollars (1999)
PNB/hab. 1 190 dollars (1999)
Croiss. -0,7 % (1998-1999)
Budg. éduc. 5 % du PNB
Serv. dette 24,4 % des exportations
Mort. inf. 48 pour mille naissances
Esp. vie 67 ans
IDH 112e rang mondial sur 162 pays
Budg. déf. 1 700 millions de dollars (2000)
Armée 198 500 actifs et 150 000 réservistes
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14-08-1957 Muhammad V |
Em 1944 é criado o Istqlal Em Marrocos, o partido Istqlal de Marrocos incia uma campanha de atentados contra as autoridades francesas (Dezembro de 1954). Em Marrocos, abdica Ifn Arafa, que os franceses, em 20-08-1953, tinham feito ascender a sultão, e regressa o sobrinho, Muhammed V (16-11-1955), reconhecendo-se um governo autónomo. A independência de Marrocos confirma a promessa que Roosevelt havia feito a Mohammed V (1927-1961), que os franceses não cumpriram, deportando o próprio sultão de 1953 a 1955. Segue-se o reconhecimento da independência pela Espanha (07-04-1956), a integração de Tanger (21-10-1956), até então cidade sujeita a um estatuto internacional, a integração do Marrocos espanhol (1958) e do Ifno (1969). As tropas espanholas e francesas abandonam o país em 1961 e os norte-americanos encerram as suas bases em 1963. Em Marrocos estrutura-se assumindo o título de Reino de Marrocos, em vez do anterir império xerifiano, com o sultão Muhammed V a tornar-se rei (11-08-1957). 1959 Em Marrocos, o partido Istqlal, que está no poder desde Maio de 1958, vê surgir uma dissidência de esquerda, liderada por Ben Barka, que cria a União Nacional das Forças Progressistas. Este líder político será assassinado em Paris em Outubro de 1965.
De 1953 a 1955, os franceses afastam-no do poder Em Maio de 1958, reconhecimento da independência |
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26-02-1961 Hassan II |
Em Marrocos, com a morte de Mohammed V em Fevereiro de 1961, sucede-lhe o filho Hassan II que, logo em Dezembro de 1962 atribui ao país uma nova constituição parlamentarista, numa situação que é alterada em 1965, quando é decretado o estado de excepção, até que em Julho de 1970 surge novaa Constituição que reforça os poderes reais. O rei de Marrocos promulga uma nova constituição que instaura uma “monarquia constitucional, livre e social” (18-11-1962). ·Referendo aprova monarquia constitucional ·Em 1965, depois da morte de Ben Barka, é suspensa a Constituição |
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·Em 10 de Julho de 1971, golpe contra Hassan II em Skhrat |
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·Em 16 de Agosto de 1972, novo golpe contra o rei, quando caças F5 atacam o Boeing do rei, quando este regressava de França. O golpe, promovido pelo próprio ministro da defesa general Oufkir, que se suicida. |
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Rei promove redistribuição de terras |
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1975 |
Entre 6 e 9 de Novembro de 1975, Marcha Verde. Cerca de 350 000 voluntários marroquinos avançam sobre o antigo Sahra Espanhol |
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1976 |
Espanha cede dois terços do Rio do Ouro a Marrocos e o restante território à Mauritânia. Em 1979, a Mauritânia acaba por ceder à Polisario |
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1980 |
Violentas manifestações oposicionistas |
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1981 |
Massacre de oposicionistas em Casablanca |
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1983 |
Eleições locais |
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1984 |
Marrocos abandona a OUA, quando esta organização reconhece a RASD, comandada pela Polisario, com o apoio da Argélia e da Líbia |
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1988 |
Marrocos restabelece relações diplomáticas com Argélia |
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1992 |
Nova Constituição de marca parlamentarista |
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1993 |
Eleições, com subida da oposição |
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1997 |
As primeiras eleições realizadas por sufrágio universal dão a vitória às forças da oposição lideradas pela USPF |
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4-02-1998 Abderrahmane El Youssoufi |
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Muhammad VI |
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446 300 km2 e 27 milhões de habitantes, de maioria muçulmana sunita. País do Magreb. Presença de minorias cristãs e judaicas e acções de fundamentalistas islâmicos.
É o mais antigo reino árabe e o único que não caíu sob domínio otomano. As costas de Marrocos foram objecto da presença fenícia e cartaginesa, tendo igualmente integrado o Império Romano. Em 1415 os portugueses anexam Ceuta, que, em 1580, passaria para o controlo espanhol, facto confirmado pelo Tratado de Lisboa de 1688, assim como o restante território, a partir de 1859. Contudo, Marrocos será dividido em dois protectorados em 1912, um espanhol e um outro, francês, presenças que serão desafiadas pelos locais com o início da luta armada na região do Rif, a partir da década seguinte, e da constituição do movimento independentista, nos anos 30, impulsionado pelo sultão Sidi Muhammad, e que culmina na criação, em 1944, do Partido Istiqlal (Independência).
O início da guerra na Argélia, em 1954, será aproveitada para garantir a independência de Marrocos, em 20 de Março de 1956. No mês seguinte, a Espanha abdica dos seus territórios, à excepção dos enclaves de Ceuta, Melilla (enclave de 12 Km2 cedido à Espanha em 1556) e Ifni (este último será devolvido em 1969).
O primeiro monarca será o sultão Sidi Mohammad, ao qual sucede, em 1961, Hassan II, figura máxima e incontornável do Estado. No plano do sistema político, o rei, cuja origem divina é consagrada na Constituição, passará a assumir o controlo por duas vias: a repressão do fundamentalismo islâmico, para cujos militantes está reservada a pena de morte, e a concentração dos poderes na pessoa do rei, incluindo a escolha dos membros do Executivo. No plano interno, formou regiões que juntam grupos étnicos e culturais distintos, por forma a evitar separatismos. Já no plano das relações externas, nos anos 90 impulsionou o processo de paz no Médio Oriente e praticou uma política pró-ocidental, assinando um acordo de associação com a União Europeia em 1995.
Tendo escapado a várias tentativas de assassínio, viria a suceder-lhe, em Julho de 1999, o seu filho, Mohammed VI, que tem optado por uma política de carácter reformador, permitindo o regresso de vários exilados políticos e sobretudo, demitindo o Ministro do Interior, Driss Basri, peça basilar do chamado makhzen (emaranhado de laços de clientelismo que ligam os funcionários do palácio, os governadores regionais, os administradores estatais e as autoridades locais, ou walis) e gestor da pasta do Sahara Ocidental.
Sahara Ocidental
266 770 km2 e 300 mil a 400 mil habitantes. Anteriormente Rio do Ouro. Foi cedido à Espanha por Marrocos em 1860, tomando, em 1884, a designação de África Ocidental Espanhola e, em Janeiro de 1958, torna-se província ultramarina, com o nome de Sahara Espanhol.
Em 1975, a Espanha cede o território a Marrocos e à Mauritânia, em troca da concessão da exploração dos fosfatos de Bu-Craa. Nesse ano, o Tribunal Internacional de Justiça pronuncia-se a favor da autodeterminação para a população do território, ao mesmo tempo que o rei Hassan II promovia com incentivos estatais a colonização das redesignadas Províncias do Sul, através da "Marcha Verde", composta por 350 mil marroquinos. A conjugação destes dois elementos conduz à criação do movimento independentista da Frente Polisário (Frente Popular para a Libertação de Saguia e do Rio do Ouro), que, apoiada pela Argélia, e mais tarde pela Líbia, inicia a luta armada e o seu líder, Mohammed Abdelaziz, proclama a República Árabe Democrática Sarawi, actualmente reconhecida por 70 países. Em 1979, a Mauritânia assina um acordo de paz com a Frente Polisário, renunciando à sua parte do território, que é imediatamente anexada por Marrocos.
Em 1991, sob os auspícios da ONU, a Frente Polisário e Marrocos assinam um acordo de paz, que prevê um cessar-fogo e um referendo, para o que se colocou no terreno uma Missão para o Referendo no Sahara Ocidental (Minurso). No entanto, a sua realização tem sido sucessivamente adiada devido às diferentes interpretações das duas partes quanto ao recenseamento: enquanto a Polisário defende que votem no referendo os habitantes e os respectivos descendentes que constem no recenseamento de 1974 feito pela Espanha, Marrocos pretende a atribuição do direito de voto para os sarawis e respectivos descendentes que tenham abandonado o território após o início da colonização espanhola.
