Guiné-Bissau

República da Guiné-Bissau

 

28 120 km2 e 1,1 milhões de habitantes, dos quais 90% são muçulmanos e 9% são cristãos. Principais etnias: balantas, fulanis, mandingas e mestiços.

Os portugueses chegam ao território, que designaram de Guiné de Cabo Verde, em 1446 pela mão de Diogo Gomes e Luís de Cadamosto e, vinte anos mais tarde, implantavam o tráfico de escravos. Mais tarde, a presença de ingleses e franceses na área obriga às primeiras negociações, realizadas em 1870 com a França, permitindo a transformação da Guiné em colónia portuguesa, em 1879, e a definição final de fronteiras, que data de 1915.

O movimento pela independência inicia-se em 1956, com a criação do Partido Africano para a Independência da Guiné e de Cabo Verde (PAIGC), de orientação marxista-leninista, por Amílcar Cabral, Luís Cabral e por Aristides Pereira. Em 1961, já com o auxílio chinês, inicia-se a luta armada no terreno, dando frutos em 1972, ano em que o PAIGC é reconhecido internacionalmente como representante legítimo do povo da Guiné-Bisau, facto que abre caminho, em 1973, para a formação de um Governo e de uma assembleia legislativa, composta por 17 membros, dos quais cinco eleitos por sufrágio directo e os restantes pelas organizações religiosas e por grupos de interesse. Nesse ano, o assassínio de Amílcar Cabral, líder do PAIGC, em Conakri, precipita para a sua sucessão o seu meio-irmão cabo-verdiano, Luís Cabral, que, em 24 de Setembro, proclama unilateralmente a independência da República da Guiné Bissau, que é prontamente reconhecida por 82 membros com assento nas Nações Unidas. O reconhecimento português virá em 10 de Setembro de 1974, permitindo a declaração conjunta de independência. O PAIGC assume o controlo do país, mas o papel de destaque assumido pelos mestiços oriundos de Cabo Verde nas estruturas governativas, de que Luís Cabral constituía o expoente máximo, ao lado de um exército formado predominantemente por negros, pelos ressentimentos que causou especialmente entre a etnia balanta (que havia contribuído com o maior número de soldados durante a luta pela independência), há-de constituir a causa próxima do golpe de Estado liderado em 1980 por João "Nino" Vieira. Em 1984, a nova Constituição tranforma a Guiné Bissau num Estado de partido único, o PAIGC, mas, em 1986, é criado em Lisboa o Movimento Bafatá.

Em 1991-92, após o advento da democracia, em 1990, começam a surgir novos movimentos políticos, que hão de disputar as eleições gerais de 3 de Julho de 1994 (realizadas depois de uma tentativa de golpe de Estado, no ano anterior), vencidas pelo PAIGC e por Nino Vieira, mas contestadas pela oposição.

Em 7 de Junho de 1998, a formação de uma Junta Militar, liderada pelo brigadeiro Ansumane Mané, que havia sido demitido do cargo de Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, por, alegadamente, ter promovido o envio de armas para os separatistas de Casamansa (no Senegal), constitui o ponto de partida para a luta armada que deporá Nino Vieira em Maio de 1999. A presidência é assumida interinamente por Malam Bacai Sanhá, Presidente da Assembleia Nacional, e pelo Comando Supremo da Junta, enquanto que o Governo de Transição é entregue a Francisco Fadul, cargos que assumirão até à realização das eleições gerais de Dezembro de 1999, vencidas pelo balanta Kumba Ialá (na segunda volta), que havia perdido o escrutínio de 1994 para Nino Vieira, e pelo seu partido, o Partido da Renovação Social.

 

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: