República Democrática do Congo
O ex-Congo Belga, independente desde 1960, dito República do Zaire desde 1971, voltou ao nome de République Démocratique du Congo em 1997. O Estado, presidido por Mobutu desde 25-11-1965, viu este ser derrubado em Maio de 1997, ascendendo ao poder Laurent Kabila, morto em 16 de Janeiro de 2001, sucedendo-lhe o filho adoptado Joseph Kabila.
Se com Mobutu dominava o Mouvement populaire de la révolution (mpr), fundado em 1966 e partido único ate 26-04-1990, presidido por Mobutu, a partir da subida ao poder de Kabila, passou a liderar a chamada Alliance des forces démocratiques pour la libération du Congo-Zaïre (afdl), fundada em 1996, e apenas formalmente dissolvida em 20-4-1999.

|
Joseph Kasavubu |
1-07-1960 |
|
|
|
24-06-1960 |
Patrice Lumumba |
|
|
20-09-1960 |
Albert Ndele |
|
|
4-10-1960 |
Justin Marie Bomboko |
|
|
13-12-1960 |
Antoine Gizenga |
|
|
9-02-1961 |
Joseph Iléo |
|
Antoine Gizenga |
31-03-1961 |
|
|
|
2-08-1961 |
Cyrille Adoula |
|
|
10-07-1964 |
Moise Tshombe |
|
|
18-10-1965 |
Évariste Kimba |
|
|
28-11-1965 |
Léonard Mulamba |
|
Mobutu |
25-11-1965 |
|
|
|
6-07-1977 |
Mpinga Kasenda |
|
|
6-03-1979 |
Bo-Boliko Lokonga Monse Mihambo |
|
|
27-08-1980 |
Nguza Karl-I-Bond (1ª vez) |
|
|
23-04-1981 |
N'singa Udjuu Ongwabeki Untubu |
|
|
5-11-1982 |
Kengo Wa Dondo (1ª vez) |
|
|
22-01-1987 |
Mabi Mulumba |
|
|
7-03-1988 |
Sambwa Pida Nbagui |
|
|
26-11-1988 |
Kengo Wa Dondo (2ª vez) |
|
|
4-05-1990 |
Lunda Bululu |
|
|
1-04-1991 |
Mulumba Lukoji |
|
|
29-09-1991 |
Étienne Tshisekedi (1ª vez) |
|
|
1-11-1991 |
Bernardin Mungul Diaka |
|
|
25-11-1991 |
Nguza Karl-I-Bond (2ª vez) |
|
|
15-08-1992 |
Étienne Tshisekedi (2ª vez) |
|
|
18-03-1993 |
Faustin Birindwa |
|
|
6-07-1994 |
Kengo Wa Dondo (3ª vez) |
|
|
2-04-1997 |
Étienne Tshisekedi (3ª vez) |
|
|
9-04-1997 |
Likulia Bolongo |
|
Laurent Kabila |
17-05-1997 |
|
|
Joseph Kabila |
17-01-2001 |
|

|
Mouvement populaire de la révolution (mpr) |
fondé 1966, tout Zaïrois en est membre de droit (unique avant 26-4-1990. Pt : Mobutu Sese Seko). |
|
l'Usor (Union sacrée de l'opposition radicale) |
Opposition réunie dans fondée 1991, Pt. : Frédéric Kibassa-Maliba |
|
Union pour la Rép. et la démocratie (urd) |
fondée 1994, Pt. : Gérard Kamanda Wa Kamanda |
|
Union des fédéralistes et républicains indépendants (Uferi) |
fondée 1990 ; scindée en 2 mouvements, Nguza Karl-I-Bond |
|
Union pour la démocratie et le progrès social (udps) |
fondée 1982, Pt : Étienne Tshisekedi Wa Malumba (né 14-12-1932). |
|
Rassemblement démocratique pour la Rép. (rdr), |
Pt : Mungul Diaka. |
|
P. démocrate et social chrétien (pdsc) |
fondé 1990 : scindé en 2 mouvements depuis 1994, Pt. : André Bo-Buliko. |
|
Union des démocrates indépendants (udi), |
Pt. : Thambwe Mwamba. Front commun des nationalités (fcn), Pt. : Kamanda Wa Kamanda. |
|
Alliance des forces démocratiques pour la libération du Congo-Zaïre (afdl). |
fondée 1996 par Kabila, regroupait 4 mouvements ; dissoute 20-4-1999. |
2 267 600 km2 e 43,9 milhões de habitantes, distribuídos por mais de 200 etnias, e dos quais 50% são católicos, 20% são protestantes e 10% muçulmanos.
Embora os portugueses tenham sido os primeiros europeus a alcançar a zona, em 1482, foram as explorações de Henry Morton Stanley, a partir de 1870, que desencadearam o interesse das potências colonizadoras, criando-se, para o efeito, a Associação Internacional do Congo, propriedade de Leopoldo II, da Bélgica, que, em 1 de Julho de 1885, se torna o soberano do recém-fundado Estado Independente do Congo. Em 1908, será anexado pela Bélgica, tomando a designação de Congo Belga, situação que vigorará até 1 de Julho de 1960, data da independência, após acção decisiva do Movimento Nacional Congolês (MNC).
A estrutura centralizadora do novo Estado foi a causa imediata da secessão da província do Katanga, orquestrada por Moise Tshombé, enquanto que as divergências entre o Presidente, Joseph Kasavubu, e o Primeiro Ministro, Patrice Lumumba, quanto à forma de abordar a questão motivam a intervenção do comandante do Exército, Joseph Désiré Mobutu, a favor do Presidente. Entretanto, o conflito do Katanga haveria de motivar a intervenção das Nações Unidas, sem resultados, e viria a resultar na morte do seu mediador, o Secretário Geral da organização, Dag Hammarskjöld, quando o seu avião se despenhou. Finalmente, em 1963, a tentativa secessionista é anulada, resultando no exílio de Tshombé, que regressaria, um ano depois, para ser nomeado Primeiro Ministro interino pelo Presidente Kasavubu. A luta de poder entre os dois será travada por Mobutu, que, em Novembro de 1965, funda a segunda república, promulgando nova Constituição, dois anos depois, e, em 1970, será eleito Presidente.
Em 1971, na sequência de um "programa de autentificação", que visava promover a unidade nacional e eliminar os vestígios do passado colonial, transforma a República Democrática do Congo em Zaire, e, no ano seguinte, faz do seu partido, o Movimento Revolucionário Popular, o único permitido por lei, adoptando ele próprio o nome de Mobutu Sese Seko Kuku Ngbendu Waza Banga («o guerreiro resistente e triunfador que avança de vitória em vitória, deixando um rasto de fogo»). Dissolvida a Assembleia Nacional e apoiado num sistema presidencialista, concentra em si os poderes legislativo, executivo e judicial e será apoiado pelo Ocidente, enquanto bastião anti-comunista em África.
Após a formação, em 1982, da União para a Democracia e o Progresso Social pelos oposicionistas, só em 1990 o país adoptará a democracia, marcada por constantes confrontos entre Mobutu e a nova Assembleia, que dissolverá diversas vezes. A presença de refugiados hutus no leste do país, resultado do conflito que opôs esta etnia aos tutsis no Ruanda, constituirá a causa próxima do levantamento armado que se inicia em Outubro de 1996, no Zaire, liderado pela Aliança das Forças Democráticas para a Libertação do Congo (AFDL), que incluía no seu seio o Partido Revolucionário Popular (PRP), do grupo tutsi Banyamulenge, considerado estrangeiro por Mobutu. A sua acção resultará, em Maio de 1997, na deposição do Presidente, substituído por Laurent Kabila, cuja primeira medida será a readopção do anterior nome do país - República Democrática do Congo. Suspensa a actividade política e dissolvido o Parlamento, a promessa de retorno à democracia deu lugar a um descontentamento crescente, em face da não convocação de eleições, prometidas para 1999, e da grave crise económica, situação que resulta no reinício da guerra, em 2 de Agosto de 1998. Agrupados sob a liderança de Jean-Pierre Ondekane, os grupos rebeldes (Causa Nacional, Fórum para o Renascimento Nacional, Fórum dos Renovadores pela Democracia e Partido da Renovação Democrática) contam com o auxílio do Ruanda e do Uganda e de mercenários americanos. Em Julho e Agosto de 1999, o acordo de paz de Lusaca conduziu ao cessar-fogo, que tem sido violado, e à assinatura de um acordo de paz. Em Janeiro de 2001, Kabila foi assassinado por um elemento da sua guarda pessoal, tendo sido escolhido para lhe suceder o filho, o major-general Joseph Kabila.
© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: