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Burundi
República do Burundi
République du Burundi
Distribuída por uma superfície de 25 650 km2, a população do Burundi, 6,4 milhões, engloba três etnias: hutus (85%), tutsis (14%) e Twas (1%). A característica dominante é a rivalidade entre os dois grupos principais, que remonta ao século XVI, altura em que os tutsis se estabeleceram na região e criaram uma sociedade em que, a troco da sua protecção, os hutus, agricultores, se viam obrigados a prestar vassalagem à aristocracia tutsi, detentora do gado.
Juntamente com o Ruanda, o Burundi foi integrado, a partir de 1884, na África Oriental Alemã e, em 1922, a Sociedade das Nações cria o mandato do Ruanda-Urundi, entregue à Bélgica, situação posteriormente confirmada pela ONU, com a transformação do território em legado, em 1946. Em 1959 separou-se do Ruanda e em 1 de Julho de 1962 obtém a independência, mantendo a monarquia até 1966, ano em que os mwamis reinantes são depostos e o capitão Michel Nicombero, tutsi, institui a república e, em 1973, assume o cargo de Presidente. No mesmo ano, a Constituição é emendada para tornar a UPRONA (União para o Progresso Nacional) no único partido legal. Em 1976, Nicombero é deposto por um golpe militar chefiado pelo coronel Jean-Baptiste Bagaza, que passava a presidir a um Conselho Supremo Revolucionário. Em 1987, um novo golpe, encabeçado pelo major Pierre Buyoya, depõe Bagaza e cria um Conselho Militar para a Redenção Nacional. A chegada do primeiro hutu à presidência ocorreria apenas em 1993, após a adopção do multipartidarismo, em 1992, e da realização de eleições gerais que deram a vitória a Melchior Ndadaye e à FRODEBU (Frente para a Democracia no Burundi), constituindo-se um Governo que integrava hutus e tutsis. Em Outubro de 1993, um golpe de Estado conduzido pelo exército, dominado pelos tutsis, resulta na morte do Presidente, que será substituído por Cyprien Ntaryamira, hutu. Em Abril de 1994, Ntaryamira e o seu homólogo do Ruanda morrem num desastre aéreo, desencadeando uma onda de violência étnica. Sylvestre Ntibantunganya, também hutu, assume a presidência interinamente, ao mesmo tempo que os partidos políticos mais importantes concordam com a formação de um Governo de coligação durante quatro anos. Em 25 de Julho de 1996, Pierre Buyoya reassume a Presidência, a título provisório, enquanto a guerra civil continua, tendo como mediador desde Dezembro de 1999 Nelson Mandela.

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: