L'Hopital, Michel (1505?-1573) Um dos inspiradores do grupo de les politiques. Embaixador francês junto do Concílio de Trento em 1560. Campeão da tolerância em matéria religiosa.
·Mémorie adressé à Charles IX et à Catherine de Medicis sur la necessité de mettre un terme à la guerre civile ou le but de la guerre et de la paix
1570.
Liberal Party em 1840,108,753
Liberal, Partido (1919) Imediatamente após a queda do sidonismo, surgem tentativas para a unificação das oposições republicanas aos democráticos. Alberto Madureira, em 13 de Abril de 1919, tenta a criação de um partido republicano conservador, com o unionista Nunes da Ponte, o sidonista ex-monárquico Francisco Fernandes e o sidonista António Miguel de Sousa Fernandes, antigo governador civil de Lisboa. Em 15 de Abril, a Junta Municipal de Lisboa dos evolucionistas manifesta-se contrária à dissolução do partido. No dia 16 de Abril, reunião no consultório de Egas Moniz de delegados dos partidos centrista, unionista e evolucionista, com republicanos independentes, tendo em vista a unificação naquilo que então se qualificava como o partido republicano reformador. malogro, face à resistência dos evolucionistas O evolucionista Ribeiro de Carvalho, em entrevista a A Capital, defende um grande partido moderado, incluindo democráticos, que se oposraia a um grande partido radical, para onde deveriam transitar os radicais democráticos, evolucionistas e unionistas, o que só se conseguiria com a dissolução dos três grandes partidos. Em 24 de Abril, ex-parlamentares evolucionistas reúnem com António José de Almeida e manifestam-se contrários à dissolução do partido. Mas, em fins de Setembro, sob o governo de Sá Cardoso, onde apenas participam democráticos, depois de António José de Almeida ter sido eleito presidente em 6 de Agosto, dissolvem-se os partidos unionista e evolucionista. A reunião dos unionistas decorrem em 29 de Setembro. O congresso dos evolucionistas em 30 de Setembro e 1 de Outubro. No dia 5 tomava posse António José de Almeida. Não tarda que o novo partido, já integrado por evolucionistas e unionistas, abra as portas aos sidonistas: primeiro, à facção do ex-evolucionista e ex-centrista, Egas Moniz. Depois, aos restantes sidonistas moderados. Assim, em 13 de Outubro o directório do Partido Nacional Republicano, então liderado por Egas Moniz, aconselha a dissolução do mesmo grupo. Idêntica posição é tomada em 15 de Outubro, pela facção sidonista que se lhe opunha, então dirigida por Feliciano Costa e que publicava A Situação. No entanto, um grupo de antigos evolucionistas, liderado por Júlio Martins, não adere à fusão e, com o apoio de alguns democráticos radicais e do ex-centrista e ex-sidonista Cunha Leal, em 8 e Outubro, trata de constituir o grupo parlamentar populares. Nesse mesmo dia, o novo partido liberal logo elege como líder parlamentar o antigo evolucionista António Granjo, que se havia destacado como conspirador contra o sidonismo. Entretanto, o governo Sá Cardoso pede a demissão em 3 de Janeiro de 1920 e António José de Almeida logo trata de convidar os novos liberais para constituirem governo, o que fazem sob a presidência de Fernandes Costa, com António Granjo, Mesquita de Carvalho, Mendes dos Reis, Tito de Morais, Jorge Vasconcelos Nunes, José Barbosa, Pinto Veloso e Fernandes de Almeida. Contudo, o gabinete nem sequer chega a tomar posse, marcada para o dia 15 de Janeiro de 1920, face a uma manifestação promovida pela ala radical dos democráticos, a chamada formiga branca. Nesse mesmo dia, chega a esboçar-se uma tentativa de assalto aos jornais apoiantes dos liberais, A Luta e a República. António José de Almeida reconduziu imediatamente o gabinete de Sá Cardoso e logo trata de convidar algumas personalidades para a constituição de um ministério nacional. Tenta, em primeiro lugar, o liberal e ex-unionista Tomé de Barros Queirós, que logo desiste. Recorrre, depois, ao presidente do Senado, Correia Barreto, que também desiste. Finalmente tenta o presidente da Câmara dos Deputados, Domingos Pereira, que em 21 de Janeiro já constitui gabinete, com quatro democráticos e outros tantos liberais, acompanhados por um socialista. Era a primeira vez que os liberais, enquanto tal, acediam ao governo, mobilizando o ex-evolucionista Luís Augusto Pinto Mesquita de Carvalho para a justiça, o ex-unionista José Barbosa para as colónias; o ex-evolucionista Celestino Germano pais de Almeida para as colónias; e Jorge Vasconcelo Nunes para o comércio. Dura pouco esta concentração e em 8 de Março de 1920 no governo democrático de António Maria Baptista apenas aparece o ministro liberal Joaquim Pero Vieira Júdice Biker, na marinha. Em 19 de Julho de 1920, os liberais voltam ao governo e à presidência do ministério, com António Granjo numa experiência de conjugação com os reconstituintes e um democrático, que dura apenas quatro meses. Entre os ministros liberais deste gabinete, para além de Granjo na preisdência e na agricultura, Inocêncio Camacho nas finanças, Manuel Ferreira da Rocha nas colónias e Júlio Ernesto Lima Duque no trabalho. Entretanto, os liberais são afastados dos gabinetes de Álvaro de Castro, Liberato Pinto, Bernardino Machado de 20 de Novembro de 1920 a 23 de Maio de 1921. Contudo, nesta data voltam ao poder com Tomé de Barros Queirós num governo integralmente constituído por elementos do partido, com os generais Abel Hipólito e Alberto Carlos da Silveira, José de Matos Cid, Ricardo Pais Gomes, Melo Barreto, António Granjo, Fernandes Costa, Ginestal Machado, Lima Duque e Manuel Sousa da Câmara. É durante este gabinete que se realizam as eleições de 10 de Julho de 1921 que dão a primeira e única vitória eleitoral dos liberais face aos democráticos. Estes ficam reduzidos a 54 deputados (cerca de 30%) contra 88 deputados liberais (cerca de 50%), mas com 15% para os reconstituintes de Álvaro de Castro, à frente da dissidência dos reconstituintes, oriunda dos mesmos democráticos. Uma fraca maioria relativa, aliás, dependente de uma minoria dominada pelos ex-jovens turcos. Mesmo assim, constitui-se novo governo liberal a partir de 30 de Agosto, agora liderado por António Granjo, com Raúl Lelo Portela, Vicente Ferreira, Freitas Soares, Ricardo Pais Gomes, Melo Barreto, Ferreira da Rocha, Ginestal Machado, Lima Duque, Fernandes Costa e Aboim Inglês. A experiência é bruscamente interrompida pelo golpe outubrista de 19 de Outubro e pelo assassinato do próprio chefe do governo. Depois dos liberais, juntamente com os democráticos e os reconstituintes, terem em finais de Novembro, acordado no princípio da não colaboração com os governos outubristas, segue-se o gabinete de concentração partidária liderado por Francisco Cunhal Leal, em 16 de Dezembro de 1921, onde participa o liberal Augusto Joaquim Alves dos Santos, na pasta do trabalho. Aliás, neste gabinete, estava previsto que os liberais assumissem a pasta do comércio, através de Celestino de Almeida, mas Cunha Leal rejeitou o nome. Seguem-se as eleições de 29 de Janeiro de 1922 onde os democráticos voltam à vitória, com 74 deputados. Com efeito, depois de se esboçarem listas conjuntas de democráticos, liberais e reconstituintes, o governo decidiu apresentar listas próprias, baralhando todo o esquema e prejudicando essencialmente os liberais, dado que estes foram obrigados a uma conjunção com os reconstituintes e os cunha lealistas. Segue-se o longo governo democrático de António Maria da Silva, de Fevereiro de 1922 a Novembro de 1923, o governo mais estável da I República, que também marca o fim dos liberais que, em 5 de Fevereiro de 1923 se diluem num partido nacionalista, onde também começam por participar os reconstituintes e os seguidores de Cunha Leal.
Liberal, Liga (1930) Grupo oposicionista onde se destaca o Engenheiro Perpétuo Cruz.
Liberal, Partido (1974) Criado em 28 de Maio de 1974 por dissidentes da Convergência Monárquica que não concordam com a criação do PPM. Junta militantes da Acção Católica.
Liberais, Encontro dos (30 de Julho de 1973) Nome dado a reunião em que participam, para além de Pinto Balsemão e Magalhães Mota, José da Silva, Oliveira Dias, Correia da Cunha, Moura Guedes, Mota Amaral, Raquel Ribeiro, Ferreira Júnior, José Vera Jardim, Sedas Nunes, Mário Pinto, Alberto Regueira, Fraústo da Silva, Mário Pinto, António Patrício Gouveia, bem como os monárquicos Barrilaro Ruas, Gonçalo Ribeiro Teles e Serra Moura. Visava-se a criação de uma lista concorrente às eleições de Outubro que se assumiria como terceira força. Sá Carneiro, que tinha tido um acidentes, apenas passa pela reunião, não tendo tomado parte nos trabalhos.
Liberalism Ancient and Modern, 1968 Obra de Leo Strauss onde se faz a análise da educação liberal e do liberalismo da filosofia política clássica. Notas sobre Lucrécio, Marsílio de Pádua e Espinosa. Perspectivas sobre a boa sociedade. Nesta obra fala no liberalismo como o contraponto do conservadorismo. (cfr. trad. fr. Libéralisme Antique et Moderne, Paris, Presses Universitaires de France, 1990).
Liberalismo ético. A tentativa de religação entre a política e a moral. O moralismo escocês (Adam Smith, Adam Ferguson).
Liberalismo Segundo Fernando Pessoa, numa definição modelar, é a doutrian que mantém que o indivíduo tem o dirieto de pensar o que quiser, de exprimir o que pensa como quiser, e de pôr em prática o que pensa como quiser, desde que essa expressão ou essa prática não infrinja directamente a igual liberdade de qualquer outro indivíduo.
Etimologia
Apesar de Napoleão ter usado a expressão libérale na proclamação de 10 de Novembro de 1799 (19 de Brumário), ela só foi consagrada após a revolução espanhola de Cádis. Com efeito, Napoleão, qualifica como tal os idéologues, os sensualistas, como Cabanis e Destutt de Tracy, proclamando les idées conservatrices, tutélaires, libérales, sont rentrées dans leur droit. Assim, os wighs ingleses passam a ser conhecidos, a partir de 1816 pelo castelhanismo de british liberales, até que em 1840 o partido recebe a designação de Liberal Party.
Por outras palavras, o nome foi encontrado a posteriori, destinando-se a recobrir uma realidade que foi gradativamente instituída. Gournay falava num laissez faire, laissez passez. Galliani num le monde va tout seul. Mercier de la Rivière em proprieté, sureté, liberté, voilà tout l'ordre social. D'Argensson cunha o ne pas trop gouverner.
Liberalismo em Portugal.
A primeira vaga liberal, ligada aos desencadeadores do movimento de 20 de Agosto de 1821 é a do liberalismo radical, à maneira de Manuel Fernandes Tomás e Ferreira Borges. O segundo grupo tem a ver com o chamado liberalismo moderado, à maneira de Silvestre Pinheiro Ferreira e de Palmela.
Liberdade
Liberdade (Hobbes). Adopta um conceito mecanicista de liberdade, entendendo-a como mera ausência de obstáculos exteriores. Neste sentido, considera odireito como a liberdade de fazer uma coisa ou de a não fazer.
Liberdade (Kant). Considerada como aquele único e originário direito que compete a todos os homens só por força da sua humanidade, dado que o homem é livre se não precisar de obedecer a ninguém, mas apenas às leis. Pelo que, se a minha acção, ou, em geral, o meu estado pode coexistir com uma lei geral, então, qualquer um que me impeça de realizar algo cometerá uma injustiça. Neste sentido, chega mesmo a proclamar que a coacção equivale à liberdade: se certo uso da liberdade se converte num obstáculo à liberdade segundo leis universais (isto é, se é injustiça), a coacção que se opõe, enquanto impedimento de um obstáculo à liberdade, coincide com a liberdade segundo leis universais, ou seja, que é justa, pelo que direito e capacidade de constrangimento significam o mesmo.
— O princípio fundamental do Estado de Direito, Boa Sociedade, Sociedade Aberta ou Great Society: onde está a sociedade está o direito, onde está o direito está a liberdade. A passagem da teleocracia de uma sociedade tribal e fechada, à nomocracia de uma sociedade aberta (tese de Michael Oakeshott). — A paz pelo direito. O Estado de Direito e o ideal de Estado-Razão contra a Razão de Estado. A operação de juridificação da política e de constitucionalização do poder, visando dar direito a uma sociedade senhorial e civilizar uma comunidade guerreira, através do direito contra o poder e da paz contra a guerra (tese de Blandine Barret-Kriegel). — A perspectiva kantiana de direito, como o conjunto das condições pelas quais o arbítrio de cada um pode concordar com o arbítrio de todos segundo uma lei universal da liberdade. A liberdade como status negativus (as liberdades) e a liberdade como status positivus (autonomia e afirmação do valor da pessoa). — Os direitos do homem. Da Déclaration des Droits de l’Homme et le Citoyen de 1789 à Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. Dos direitos originários e dos direitos, liberdades e garantias aos direitos fundamentais e aos direitos de personalidade. O desafio globalista. — A perspectiva pós-liberal de liberdade: a libertação. Liberdade dos antigos e liberdade dos modernos HUMBOLDT,115,804
Liberdade Política vs. L. Filosófica Montesquieu distingue entre uma liberdade filosófica e uma liberdade política. Se a primeira não passa de uma mero exercício de vontade, já a segunda é um poder fazer o que se deve querer (pouvoir faire de que l’ondoit vouloir), isto é, não consiste em fazer o que se quer, mas sim em poder fazer tudo aquilo que se deve querer e em não ser obrigado a fazer aquilo que se não deve querer. Como salienta Hannah Arendt, a liberdade política não é o eu quero, mas antes o eu posso, dado consistir sempre na conciliação entre a liberdade propriamente dita, ou liberdade filosófica, e o poder, o domínio político devia ser constituído e construído de modo a que o poder e a liberdade estivessem combinados. A liberdade política não pode pois reduzir-se à indeterminação do querer, sendo tributária dos concretos sistemas de direito e de política estabelecidos.
Liberdade dos modernos e dos antigos Benjamin Constant distingue a liberdade dos Antigos, a liberdade pública de participação no governo, da liberdade dos modernos, a liberdade de privada de resistir ao governo e de desenvolver uma liberdade individual
Liberdade orgânica António Sardinha fala numa liberdade orgânica, considerada irmã gémea da competência, da hierarquia e da autoridade,132,913
Liberdade política ParaMontesquieu é o poder das leis e não o poder do povo, sendo sinónimo de independência: a liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem, porque se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proibem, não teria mais liberdade, dado que os outros também teriam tal poder. A liberdade não é o fazer o que se quer, mas sim em fazer tudo o que se deve querer e em jamais ser coagido a fazer o que não se deve querer. Distingue claramente entre uma liberdade filosófica,que consistiria no "exercício da vontade",e uma liberdade política,entendida como "poder fazer o que se deve querer".Para ele "a liberdade política não consiste em fazer o que se quer.Num Estado,isto é,numa sociedade onde existem leis e liberdade,não pode consistir senão num poder natural de se fazer ou não se fazer o que quer que se tenha em mente".mais considera que a liberdade "consiste em poder fazer tudo aquilo que se deve querer e em não ser obrigado a fazer aquilo que não se deve querer".
Conforme refere Hannah Arendt,"conceptualmente falando a liberdade política não residia no eu quero,mas no eu posso,e que,por isso mesmo,o domínio político devia ser constituído e construído de modo a que o poder e a liberdade estivessem combinados"
Libéria Estado africano, fundado em 1821 pela American Colonization Society. República independente desde 1847. Neste século, entre os principais líderes destacam-se William Tubman, presidente de 1944 a 1971, e William Tolbert, de 1971 a 1980, data em que foi assassinado. A partir de 1990, o Estado entra em convulsão, depois da revolta de Charles Taylor.
Liberismo Para Benedetto Croce, em Elemti di Politica, de 1925, há um liberalismo ético e político e o liberismo, o capitalismo ou o liberalismo económico.
Libertarismo Uma das facetas do liberalismo contemporâneo de matriz norte-americana. Os libertarians, também ditos anarco-capitalistas, assumem o extremismo da liberdade e da propriedade, contraditando os liberais conservadores. Invocam John Locke e Ludwig von Mises, num radical individualismo que, no plano da política externa, também assume o isolacionismo. Entre os seus principais representantes, contam-se Robert Nozick, David Friedman (The Machinery of Freedom), Barry Norman (On Classic Liberalism and Libertarianism, 1980) e Murray Rothabard (For a New Liberty. The Libertarian Manifest, de 1973). Consideram o liberalismo e o marxismo são irmãos-gémeos.
Liberté (De La) des Anciens Comparée à celle des Modernes”, 1815 Obra de Benjamin Constant onde se ditingue a liberdade dos Antigos, a liberdade pública de participação no governo, da liberdade dos modernos, a liberdade de privada de resistir ao governo e de desenvolver uma liberdade individual: o direito de não ser submetido senão às leis, de não poder nem ser preso, detido ou sujeito à morte, nem maltratado de qualquer maneira, por efeito de uma vontade abstracta de um ou de vários indivíduos. É, para cada um, o direito de dizer a sua opinião, de escolher o seu trabalho e de o exercer, de dispor da sua propriedade, de até abusar dela, de ir, de vir, sem obeter autorização, e sem dar conta dos seus motivos e dos seus passos. É para cada um o direito de se reunir com outros indivíduos, para conferenciar sobre os seus interesses, para professar o culto que ele e os seus associados preferem ou para preencher os seus dias e as suas horas de uma maneira mais conforme às suas inclinações ou às suas fantasias. Em suma, é o direito que cada um tem de influenciar a administração do governo, pela noemação de todos ou de certos funcionároios, através de representações, petições, ou requerimentos a que a autoridade está mais ou menos obrigada a tomar em consideração. É uma liberdade individualista que se distingue da liberdade colectiva, a liberdade pública típica dos Antigos.
Liceu Do gr. Apolo Lykeios, lugar onde Aristóteles começou a ensinar por volta de 395 a.C.. Aí se construiu um passeio coberto (peripatos), donde veio o chamado modelo peripatético de ensino, o investigar passeando à volta de um problema.
Lichnowsky, Príncipe Félix (1814-1848) Oficial prussiano. Serve os cartistas espanhóis.
·Portugal Erinnerungen aus dem Jahre 1842
Mogúncia, 1843. A primeira edição portuguesa é de 1845 (ver Portugal. Recordações do Ano de 1842, prefácio de Castelo Branco Chaves, Lisboa, Ática, 1946).
Liderança. Do inglês leader. O mesmo que chefia. Comando ou verticalidade do poder. A qualidade que permite a uma pessoa liderar outras, através de um comando baseado na aquiescência e não na coacção. Não é apenas uma qualidade pessoal, mas antes a interacção da personalidade do líder com uma dada situação social, pois as mesmas qualidades pessoais podem não servir para certas circunstâncias de tempo e de espaço.
A polis tem de ter uma liderança, um comando, mas não pode deixar de ter participação popular. A polis precisa da verticalidade de um poder, mas não prescinde da horizontalidade da cidadania. Ela tem de ser auto-suficiente, mas não pode deixar de permitir que o governado também seja governante, que também ele participe na decisão. O exagero da liderança, da estruturação vertical, ao mesmo tempo que permite o crescimento da população e do território, leva a que surja uma pirâmide do poder, onde no vértice, se constitui uma elite, os poucos da sede activa do poder, e na base se conglomera a sede passiva do poder, os muitos. Parsons coloca a liderança como um dos três elementos do poder institucionalizado, ao lado da autoridade e das regras. Com efeito, em qualquer democracia impõe-se tanto uma liderança governativa como a participação dos cidadãos nas decisões, mas essas duas exigências são sempre acompanhadas pelas degenerescências do elitismo, por um lado, e pela indiferença ou apatia das massas, por outro. A necessidade de governabilidade e de liderança tende para o estabelecimento de uma elite no topo da pirâmide do poder, muitas vezes marcada pelo facciosismo da partidocracia, pelo burocratismo e pelo fenómeno da compra do poder ou da corrupção.
Liderança em Parsons,135,932
Líderes de opiniãoìKatz, Elihu.
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Lieber, Franz (1798-1872) Alemão, instalado nos Estado Unidos desde 1827, mudando o nome para Francis Lieber. Estuda em Jena e assume-se como liberal, sendo preso por duas vezes por causa da respectiva militância política. Professor da Columbia University de Nova Iorque, marcado pelo organicismo e pela teoria germânica. Adepto do organicismo intervencionista e anti-individualista, defendendo um conceito de soberania una e indivisível, totalmente contrário ao modelo da divisibilidade dos federalistas norte-americanos. Influencia John William Burgess, A. Browson, autor de Constitutional Government, de 1842, e E. Mulford, autor de The Nation, 1870.
1829 |
Encyclopedia Americana |
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1829-1833. Editor. |
1838 |
Manual of Political Ethics |
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1838 - 1839. |
1839 |
Legal and Political Hermeneutics |
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1839. |
1853 |
On Civil Liberty and Selfgovernment |
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1853. |
1868 |
Fragments of Political Science on Nationalism and Internationalism |
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1868. |
1881 |
Miscellaneous Writings |
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Ed. de D. C. Gilman, Philadelphia, 1881. |
4Gettell, Raymond G., História das Ideias Políticas, trad. port. de Eduardo Salgueiro, Lisboa, Editorial Inquérito, 1936, pp. 421 segs..4Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, p. 144. Idem, Princípios de Ciência Política. Introdução à Teoria Política, Lisboa, ISCSP, 1996, p. 81.
Liebknecht, Wilhelm (1827-1900)
Liebknecht, Karl (1871-1919) Filho do fundador do SPD Wilhelm Liebnecht. Advogado, celebrizado pela defesa de revolucionários. Funda em 1907 o primeiro movimento de juventude socialista. Ataca desde logo o militarismo, denunciando depois as relações das chefias políticas alemãs com os fabricantes de armamento. Assume o pacifismo da II Internacional em 1914, aliando-se a Jean Jaurès. É o único deputado do Reichstag que em Dezembro de 1914 vota contra as despesas de guerra. Aliado a Rosa Luxemburg contra a direcção do SPD forma então o Gruppe Internationalle, mais tarde transformado no Spartakusbund. Expulso do partido em Janeiro de 1916, é mobilizado como soldado raso, mas será preso por liderar uma manifestação contra a continuação da guerra. Proclama a República Socialista em Berlim em Novembro de 1918, quando já advoga as teses da revolução violenta. Será assassinado juntamente com Rosa Luxemburg. Autor de Militarismus und Antimilitarismus de 1907, obra que lhe valeu uma condenação à prisão, e de Estudo das Leis do Movimento no Desenvolvimento da Sociedade, publicado postumamente em 1920.
Liebmann, Otto (1840-1912) Professor em Estrasburgo e em Iena. Autor de Kant und die Epigonen, de 1865. Iniciador do neokantismo que dá origem à Escola de Marburgo.
Liechenstein (Furstentum Liechenstein) Um micro-Estado de 157 km2 e 30 000 habitantes. O principado foi instituído em 1719 pelo imperador Carlos VI, tendo integrado o Sacro Império, a Confederção do Reno, entre 1807 e 1814, e a Confederação Germânica, a partir de 1815; o pincipado, soberano desde 1866, está agregado à Suiça nos domínios monetário e diplomático desde 1921
Liège (em flamengo Luik) Principado eclesiástico que fazia parte dos Países Baixos e que se manteve nos Habsburgos
Liga de Acção Nacional (1918) Fundada a Liga de Acção Nacional em Fevereiro de 1918. Com António Sérgio, Francisco Reis Santos e Pedro José da Cunha.
Liga Anarquista Portuguesa (1929) Em Setembro de 1929 é criada a Liga Anarquista Portuguesa, na clandestinidade, procurando-se a reorganização de uma corrente abalada pela vaga de prisões de 1927.
Liga Comunista Internacionalista (1974) Considera-e como organização pertencente à IV Internacional, de cariz trotskysta.
Liga de Defesa da República (1928) A chamada Liga de Paris. Criada por Afonso Costa e Bernardino Machado no exílio da capital francesa. Procura insurgir-se contra a pretensão do governo da Ditadura no sentido da obtenção de um grande empréstimo internacional, quando era ministro das finanças Sinel de Cordes.
Liga Liberal (1890) Movimento de protesto surgido em Agosto de 1890 durante o governo de António Serpa contra a assinatura do Tratado de Londres, em 20 de Agosto. O movimento, presidido por Augusto Fuschini e participado por João Crisóstomo chegou a mobilizar uma manifestação com cerca de 400 oficiais fardados. Em 14 de Outubro, João Crisóstomo constituía um governo extrapartidário.
Liga da Mocidade Republicana (1923) Movimento fundado por estudantes de direito antes do 28 de Maio de 1926, reunindo Adelino da Palma Carlos, Mayer Garção, Joaquim Camacho, José Rodrigues Miguéis e Filipe Ferreira. Participa na revolta de 3 e 7 de Fevereiro de 1927.
Liga Portuguesa contra a Guerra e o Fascismo (1934) Organismo criado em Agosto de 1934 pelos comunistas, sob a direcção de Bento de Jesus Caraça, na sequência da fundação de uma liga internacional com o mesmo nome criada em 1932 pela Internacional Comunista. A LPCGF assumia um carácter frentista, um programa de democracia popular e, a partir de 1935, tenta a criação em Portugal de uma Frente Popular.
Liga de Unidade e de Acção Revolucionária (1967) Movimento fundado em Paris em 19 de Junho de 1967, sob a liderança de Palma Inácio, depois do assalto ao banco de Portugal na Figueira da Foz. Entre os principais aderentes, Camilo Mortágua e Fernando Pereira Marques, futuro deputado do PS. Ligada a Emídio Guerreiro e José Augusto Seabra.
Lígure, República República criada por Napoleão em Itália em Outubro de 1797, a partir da antiga República de Génova; em 1805 foi anexada a Império francês; em 1815 foi integrada no Piemonte
Lijphart, Arend
·Political Parties
Nova York, John Wiley & Sons, 1963.
·The Politics of Accomodation. Pluralism and Democracy in the Netherlands
Berkeley, University of California Press, 1968.
·Democracy in Plural Societies. A Comparative Exploration
New Haven, Yale University Press, 1977.
·Choosing an Electoral System. Issues and Alternatives
Nova York, Praeger Press, 1984.
·Democracies. Patterns of Majoritarian and Consensus Government in Twenty-One Countries
New Haven, Yale University Press, 1984 [trad. cast. Las Democracías Contemporáneas, Barcelona, Ediciones Ariel, 1987; trad. port. As Democracias Contemporâneas, Lisboa, Edições Gradiva. 1989].
·Parliamentary versus Presidential Government
Oxford, Oxford University Press, 1992.
Lilienfeld, Paul von (1828-1903) Russo. Um dos teóricos do organicismo. Considera o Estado como organismo real (realer Organismus), como a mais alta classe do organismo vivo. O governo é o cérebro do conjunto social, assumindo-se como o supremo representante da consciência da sociedade. Considera que o desenvolvimento da autoridade central representa um sintoma da evolução. Salienta que o Estado está sujeito à lei da decadência, podendo padecer de algumas doenças, nomedamente do parasitismo. Salienta, em 1896: para que um organismo social funcione regularmente, não basta que tenha à sua frente um governo, é necessário que a vida da família, indústria, comércio, propriedade, relações jurídicas, etc. Estejam igualmente penetrados do mesmo princípio, porque só assim se prestaraão ao regime disciplinar do organismo cemtral, e só assim este poderá efectuar, por actos reflexos, directos ou indirectos, a sua acção excitadora ou depressiva.
·Die Menschliche Gesellschaft als Realer Organismus
de 1873.
·Gedanken uber die soziale Wissenschaft der Zukunft
1873-1881.
·A Patologia Social
1896.
Lille Em 1369 a cidade foi integrada no ducado da Borgonha; passou depois para os Habsburgos e fez parte dos Países-Baixos espanhóis; conquistada por Luís XIV em 1667, permaneceu em França, pela Paz de Aix-la-Chapelle de 1668
Lima, Alceu Amoroso (1893-1983) ì Athayde, Tristão d'
Lima, Alfredo Augusto Lisboa de Professor da Escola Politécnica. Ministro das colónias do governo de Bernardino Machado, de 9 de Fevereiro a 12 de Dezembro de 1914.
Lima, Fernando Andrade Pires de (1906-1970) Doutor em direito. Civilista. Ministro da educação nacional de 4 de Fevereiro de 1947 a 7 de Julho de 1955. Assume-se como um dos principais representantes do movimento da jurisprudência dos conceitos. Um dos líderes da geração que leva ao Código Civil de 1966.
Lima, Henrique Linhares de (1876-1953) Oficial do exército. Natural dos Açores. Um dos homens do 28 de Maio e da Ditadura Nacional, apoiante da institucionalização do salazarismo. Director da Manutenção Militar. Ministro da agricultura de 8 de Julho de 1929 a 5 de Julho de 1932, quando organiza a Campanha do Trigo, instituída em 16 de Agosto de 1929. Presidente da câmara municipal de Lisboa, Ministro do interior de 23 de Outubro de 1934 a 18 de Janeiro de 1936. Está para a agricultura dos anos trinta, assim como Duarte Pacheco está para as obras públicas. Logo na conferência de imprensa de apresentação da Campanha, no dia 17 de Agosto de 1929, considera: em breve nos bastaremos a nós próprios com a produção de trigo nacional. Logo em 1 de Agosto desse ano decreta a existência de um tipo único de pão, reivindicação tradicional dos sindicalistas. Chama para organizar a propaganda da campanha Rocha Martins. Para a coordenação técnica mobiliza o professor de agronomia António Sousa da Câmara, indicado pelo Instituto Superior de Agronomia e que o ministro até então desconhecia. A Campanha, a partir de 13 de Agosto de 1830 passou a designar-se Campanha de Produção Agrícola, terminando oficialmente em 1937,
Lima, Hermes (n. 1902) Pensador brasileiro. Depois de formado em direito pela escola do Salvador, adere às correntes reaccionárias, entre Pareto e Maurras e estuda Durkheim. A partir de 1934, assume-se como discípulo de John Dewey. Catedrático na Faculdade de Direito do Distrito Federal em Niteróis e memebro do Supremo Tribunal Federal.
·Introdução à Ciência do Direito
São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1933.
·Problemas do Nosso Tempo
São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1935.
·Notas à Vida Brasileira
São Paulo, Editora Brasiliense, 1945.
·Ideias e Figuras
Rio de Janeiro, Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura, 1957.
Lima, João Pedroso de Ministro do interior de 14 a 26 de Junho de 1920.
Lima, Lourenço José de (1767-1839)
1º Conde de Mafra Desde 1836 Maçon. Filho do 1º marquês de Ponte de Lima e irmão do marquês de Nisa. Embaixador em Turim (1791-1792), Viena (1794-1801), Londres (1801-1803) e Paris (1804-1807). 1º Conde de Mafra desde 1836. Membro da embaixada a Napoleão de 1808.
Lima, João Evangelista Campos (1887-1956) Um dos mais consolidados teóricos portugueses do anarquismo. Formado em direito em 1907, é um dos líderes da greve académica. Abraça desde então os ideais anarquistas. Organiza Congresso do Livre pensamento em 1913. Não é então admitido como professor da faculdade de direito de Lisboa em 1914. Recusa ser ministro da justiça em Outubro de 1921. –Concepção anarquista de Estado,102,690
·O Estado e a Evolução do Direito
Lisboa, Livraria Bertrand, 1914; dissertação apresentada na então Faculdade de Estudos Sociais e Direito de Lisboa
· O Reino da Traulitânia
Livro de memórias.
Lima, João Maria de Almeida (1859-1930) Oficial do exército e professor catedrático de física da faculdade de ciências de Lisboa. Ministro do fomento de 23 de Junho a 12 de dezembro de 1914, no governo de Bernardino Machado. Director do Observatório Meteorológico. Reitor da Universidade de Lisboa. Autor de um Curso de Física Geral.
Lima, Luís António Abreu e 1º Visconde de Carreira em 1834. Conde de Carreira (n. 1875). Membro activo do grupo de amigos de D. Pedro IV. Nomeado plenipotenciário de D. Pedro em Abril de 1833, juntamente com o marquês do Funchal, cabendo-lhes a negociação do Tratado da Quádrupla Aliança de 22 de Abril de 1834.
Lima, Sebastião Magalhães (1851-1928) Guerra Junqueiro chamava-lhe o caixeiro viajante da República. Ministro do fomento de 15 a 17 de Maio de 1915, no governo de João Chagas. Ministro da instrução pública desde esta data a 19 de Junho de 1915 no governo de José de Castro. –Positivismo e republicanismo,28,182. Magalhães Lima,vulto eminente do Partido Republicano e Grão Mestre da Maçonaria que reconhece:"assim como a revolução francesa nasceu da Enciclopédia,assim a República portuguesa ,como o tinha sido já a Revolução Brasileira,foi uma consequência da doutrina positivista"
èRaul Brandão, Memórias III, pp. 179 ss.; Álvaro Neves, A Vida de um Apóstolo. S. Magalhães Lima, 2 vols., Lisboa, 1930-1931
Lima, Cândido Figueiredo e (1782‑1851) Professor de direito romano. Deputado por Trás-os-Montes em 1822. Procurador às Cortes Gerais de 1828, por Chaves. Ministro do reino e da fazenda de D. Miguel, nomeado em 18 de Agosto de 1834. Demitido de professor pelo governo de D. Pedro, em 15 de Julho de 1834. Conspirdor no Minho em 1846. Defende então o modelo constitucional inglês, considerando que "o commum dos homens, se conduz melhor pelos seus hábitos, que pelo juízo", pelo que a regra vulgar da política, e recebida em todas as Naçoens, e em todos os séculos, que as Leis fundamentaes , e Políticas (dos) Estados, se não devem alterar, sem huma absoluta necessidade, que he só quando ellas são contrárias à recta razão, e oppostas ao bem público; e que neste cazo único, ainda a alteração, e mudança se deve operar muito lenta, e imperceptivelmente aos homens, porque a antiguidade de qualquer estabelecimento,e Leis, sempre foi tido por couza Sancta e venerável. E isto porque os costumes dos Povos necessitão do socorro das Leis para serem mantidos; e as Leis tem precizão dos costumes dos Povos , para serem observadas"( Para ele "a máxima vulgar da política , e adoptada na Arte de Reinar, pelos mais graves homens d'Estado, que he precizo ganhar o coração dos homens, para se submetterem de vontade; e que, quanto for possível, se devem conduzir sem coacção pela boa ordem, e pela esperança das recompensas"
Lima, Paulo Jorge de
·Curso de Teoria do Estado
São Paulo, Bushatsky, 1970.
Lima, Wenceslau de Sousa Pereira de (1858-1919) Professor na Politécnica do Porto. Casado com uma neta de D. Antónia Adelaide Ferreira. Deputado regenerador desde 1882. Ministro dos negócios estrangeiros por quatro vezes. Duas em governos de Hintze Ribeiro, entre 23 de Fevereiro de 1903 e 20 de Outubro de 1904 e entre 21 de Março e 19 de Maio de 1906. No de Ferreira do Amaral, de 4 de Fevereiro a 25 de Dezembro de 1908. E no de Campos Henriques, desde a última data a 11 de Abril de 1909. Presidente do ministério de 14 de Maio a 22 de Dezembro de 1909, acumulando a pasta do reino. Considerado valido de D. Manuel II.
Limburgo Região repartida actualmente entre a Bélgica e a Holanda, onde, na parte holandesa, se situa Maastricht; constituiu a partir de 1155 o ducado do Limburgo, conquistado pelos duques de Brabante em 1288; em 1430 passou para a Borgonha e depois para os Habsburgos; era uma das 17 províncias dos Países-Baixos de Carlos V, mas a partir de 1648 foi dividido entre os Países-baixos espanhóis e as Províncias Unidas; conquistado pelos franceses em 1794, foi cedido ao Reino dos Países-Baixos em 1814; depois de 1830, os belgas reclamaram em vão todo o Limburgo holandês
Limes como espaços vazios nos impérios antigos,76,510. Pelo contrário, nos antigos impérios os limes eram meros espaços vazios.Com efeito, nem sequer havia linhas aduaneiras e os impostos, que recaíam sobre as mercadorias im‑portadas, eram recebidos nos portos marítimos e no interior dos próprios mercados.Só com o Estado Moderno, na verdade, é que surge, como elemento preponderante, a raia seca, com as consequentes guardas fiscais e polícias alfandegárias. Diga‑se ,de passagem que os referidos limes também não constituiam fronteira militar já que os exércitos , normalmente, em lugar da defesa em linha optavam pela ocupação de pontos estratégicos. Só no século XVI é que a matemática e a cartografia visualizaram a representação gráfica global do território de um determinado Estado.E os juristas para definirem as fronteiras, tiveram que recorrer a analogias com os limites da propriedade privada.Isto é, quando o Estadso caminha para a abstractização do conceito de estado contra a visão feudal do Estado patrimonial, eis que se tem de patrimonializar o território, recorrendo ao regime do privatistico direito da propriedade.
Linear O que se desenvolve segundo uma sequência ininterrupta, segundo uma linha, cuja origem e cujo fim são idênticos.
Linguagem e política As palavras são significantes, imagens fónicas que remetem para um conceito, o significado, conforme a terminologia de Saussure. Há, assim, que passar da expressão, do significante, para o conteúdo, o significado. Utilizando os termos de Charles S. Peirce, diremos que os signos são entidades compostas por um significante (um elemento material que pode ser um som, um desenho ou uma escritura) que remete para um significado. No caso da linguagem, usamos símbolos, relações convencionais que têm duas faces: a tal imagem acústica ou fónica, e o conceito. Acontece que na política, onde, pelo menos, há três níveis de abordagem, o filosófico, o empírico e o da linguagem dos homens comuns, as palavras têm inúmeros significados. As palavras da política são marcadas pela ambiguidade. A linguagem do homem comum é afectiva e ideológica. A dos cientistas políticos difere dos juristas. No caso da política, também é complexa a questão da etimologia. Se há termos de origem grega e latina que se referem a realidades políticas gregas e latinas, há vocábulos que foram inventados posteriormente, com raízes latinas mas que não correspondem a realidades políticas de gregos e romanos. Há etimologia. Evolução semântica. Palavras demonizadas.
Linguet, Simon M.
·Théorie des Lois Civiles
2 vols., Londres, 1774.
·Mémoires sur la Bastille
1783
Linguística Ciência das línguas que atende aos seus princípios organizacionais ou estruturais e não nos aspectos gramaticais ou históricos. Fundada por Ferdinand de Saussure.
Lins, Álvaro (1912-1970) Licenciado em direito. Embaixador do Brasil em Portugal de 1956 a 1959. Autor de Missão em Portugal
Linz, Juan J. Analisando o modelo do corporativismo de Estado do salazarismo, aproxima-o do regime brasileiro instaurado em 1964. Assinala que nos dois modelos autoritários há uma delegação de certos atributos do Estado em corpos intermediários de natureza profissional, cultural ou educativa. Distingue o totalitarismo do autoritarismo, considerando que neste modelo se admite um pluralismo limitado, não identificação com uma ideologia e não se procura a mobilizar popular, preferindo-se a despolitização das massas.
·The Party System of Spain. Past and Future
In S. M. Lipset e S. Rokkan, Party Systemand Voter Alignements, Nova Iorque, 1967.
·«The Future of an Authoritarian Situation and the Institutionalization of an Authoritarian Regime: The Case of Brazil»
In A. Stepan, Authoritarian Brazil, New Haven-Londres, 1973.
·«Totalitarian and Authoritarian Regimes»
In Fred. I. Greenstein e Nelson W. Polsby, Handbook of Political Science, II, 1975, pp. 175-411.
·The Breakdown of Democratic Regimes. Crisis, Breakdown and Requilibrium
Baltimore, The Johns Hopkins University Press, 1978, 4 vols. [La Quiebra de las Democracias, Madrid, Alianza Universidad, 1989]. Com Alfred Stepan (eds.).
·Des Élections, Pas Comme les Autres
Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, Paris, 1978. Com A. Rouqué e Guy Hermet.
·Between States. Interim Governments and Democratic Transition
Cambridge, Cambridge University Press, 1995. Com Yossi Shain.
·Politics in Developing Countries. Comparing Experiences With Democracy
2ª ed., Boulder, Lynne Rienner, 1995. Com Larry Diamond.
Lipovetsky, Gilles Professor de filosofia em Grenoble.
·L’Ère du Vide. Essais sur l’Individualisme Contemporain
Paris, Éditions Gallimard, 1983 [trad. port. A Era do Vazio. Ensaio sobre o Individualismo Contemporâneo, Lisboa, Relógio d’Água, 1989].
·L’Empire de l’Éphémère. La Mode et son Destin dans les Societés Modernes
Paris, NRF-Gallimard, 1987.
Lippmann, Walter (1899-1974) Jornalista norte-americano, colunista de opinião nos jornais World (1921-1931), Herald Tribune (1931-1962) e Washington Post (1962-1967). Nos anos trinta assume-se como um dos principais vulgarizadores do neo-liberalismo. Fica célebre o chamado colóquio Lippmann que se reuniu em Paris, de 26 a 30 de Agosto de 1938, no qual participaram Jacques Rueff, Louis Baudin, Paul van Zeeland, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Wilhelm Ropke.
1913 |
A Preface to Politics |
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Nova York, 1913. |
1922 |
Public Opinion |
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Nova York, Penguin, 1922. |
1925 |
The Phantom Public |
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Nova York, Harcourt, 1925. |
1937 |
An Inquiry into the Principles of a Good Society |
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Boston, 1937. Trad. fr. com pref. de André Maurois, La Cité Libre, Paris, Éditions Medicis, 1938. |
1955 |
Essays in the Public Philosophy |
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1955. |
Lipset, Seymour Martin (n. 1922) Politólogo norte-americano. Doutorado pela Universidade de Columbia em 1949. Professor em Berkeley de 1956 a 1966, em Harvard, desde 1966, e em Stanford, no Hoover Institute, desde 1975. Analisa a coesão social, considerando que o conflito institucionalizado, como o levado a cabo pelos sindicatos, pode favorecê-la. Defende assim um estado de tensão moderada entre as diversas forças em luta. Considera que nas sociedades ocidentais marcadas pela industrialização avançada as análises dos sociólogos acabaram por substituir as ideologias, existindo uma espécie de fase pós-política. Só os países subdesenvolvidos precisam de ideologias. Há assim nas sociedades ocidentais um conformismo com reivindicações moderadas e sem clivagens entre a direita e a esquerda.
1943 |
U. S. Foreign Polity. Shield of the Republic |
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Nova Iorque, Pocket Books, 1943. Ver trad. Port., Política Exterior dos Estados Unidos, Rio de Janeiro, Atlântica, 1944. |
1950 |
Agrarian Socialism |
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Berkeley, University of California Press, 1950. |
1956 |
Union Democracy. The Internal Politics of International Typographical Union |
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Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1956. |
1957 |
«Political Sociology» |
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In Current Sociology, vol. VI, n.º 2, pp. 79-99, 1957. Com Reinhard Bendix. |
1960 |
Political Man. The Social Bases of Politics |
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Garden City, Doubleday Books, 1960 [reed., Baltimore, The Johns Hopkins University Press, 1981; trad. cast. El Hombre Político, Madrid, Editorial Tecnos, 1961; trad. fr. L’Homme et la Politique, Paris, Éditions du Seuil, 1963; trad. Port., Homem Político, Rio de Janeiro, Zahar, 1967]. |
1963 |
The First New Nation. The United States in Historical and Comparative Perspective |
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Nova York, Basic Books, 1963. |
1967 |
Party Systems and Voter Alignments. Cross National Perspectives |
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Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1967. Com Stein Rokkan. |
1968 |
Revolution and Counterrevolution. Change and Persistance in Social Structures |
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Nova York, Basic Books, 1968 [reed., Rutgers, Transaction Books, 1988]. |
1969 |
Politics and Social Sciences |
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Oxford, Oxford University Press, 1969 [com texto de W. J. Mitchel, «The Shape of Political Theory to Come. From Political Sociology to Political Economy», pp. 101-136]. Ver a trad. port. de Álvaro Cabral, Política e Ciências Sociais, Rio de Janeiro, Zahar, 1972. |
1970 |
The Politics of Unreason |
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1970. Com Earl Raab. |
1972 |
The Rebellion in the University |
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1972. |
1975 |
The Divided Academy |
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1975. Com E. C. Ladd. |
1978 |
Emerging Coalitions in American Politics |
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1978. |
1983 |
The Confidence Gap. Business, Labor, and Government in the Public Mind |
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1983, com William Schneider. |
1985 |
Consensus and Conflict. Essays on Political Sociology |
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New Brunswick, Transaction Books, 1985 [trad. port. Consenso e Conflito. Ensaios de ciologia Política, Lisboa, Edições Gradiva, 1992]. |
Lipsius, Justus (1547-1606) Também dito Justo Lipsio, em catelhano, e Joest Lip, em flamengo. Autor fundador da chamada razão de Estado cristã, também conhecida por tacitismo. Começando como protestante, marcado pelo neo-estoicismo, destaca-se nesta fase como professor em Iena e Leiden. Converte-se ao catolicismo em 1591 e passa a professor em Lovaina em 1593. Em 1595 torna-se historiador de Filipe II de Espanha. Autor de Politicorum, de 1589, obra posta no Index pelo papa Sisto V, em 1590. Contudo, depois da conversão do autor ao catolicismo, ela é revista no sentido católico, em 1596. A obra teve cerca de quarenta e cinco edições durante a vida do autor. A edição revista no sentido católico é traduzida em castelhano no ano de 1604.
·De constantia in malis publicis
Leiden, 1584.
·Politicorum, sive civilis doctrinae libri sex
Antuérpia, 1589.
·De militia Romana
1595-1596. Comentário a Políbio.
·Poliorceticon
1596.
Lisboa, José da Silva (1756-1835) Barão e Visconde de Cairu. Influencia D. João VI no sentido da abertura dos portos do Brasil. Liberal, apoia a independência brasileira, destacando-se como deputado apoiante de D. Pedro.
·Principios de Economia Politica
Lisboa, Imprensa Regia, 1807.
·Principios de Direito Mercantil e Leis da Marinha
Lisboa, 1808.
·Extracto das Obras Politicas e Economicas de Edmund Burke
Rio de Janeiro, 1812, 2 vols..
·Memoria dos Beneficios Politicos do Governo de El-Rey Nosso Senhor D. João VI
Rio de Janeiro, 1818.
Lissenko, Trofime D. (1898-1976) Um agrónomo que em 1929 tinha inventado o processo da iarovização, um método agrotécnico que consistia na submissão a uma temperatura positiva das sementes da cultura de inverno a fim de acelerar-se o respectivo florescimento da época da sementeira. Vivia-se nessa época o ambiente da proletarização dos estabelecimentos de ensino superior, que levou, por exemplo, a que o catedrático de genética da Universidade de Moscovo, Nikolai Koltsov tivesse sido substituído pelos seus assistentes. Como o processo não fora suficientemente demonstrado e corria o risco de ser desmascarado, Lissenko, em 1935, discursando no Kremlin perante Estaline questionou: não estará a luta de classes também presente na frente da iarovização. m 1938 é nomeado presidente da Academia Federal Lenine de Ciências Agronómicas e, no ano seguinte, entra para a Academia de Ciências da URSS, num cursus honorum que, além de três Prémios Estaline, o levará, em 1940, a director do Instituto de Genética de Moscovo. Entretanto, alguns adversários científicos, são declarados inimigos do povo, com prisões, deportações e passagens por campos de concentração. A tese voltou a ser apresentada em 1948 na Academia Lenine de Ciências Agrícolas, sob o título Duas Ideologias. Duas Biologias, depois dos opositores de Lissenko terem conseguido adeptos nas estruturas agrícolas do partido, nomeadamente I. Jdanov, filho do ideólogo do PCUS, e que estava à frente da secção do Comité Central para a ciência. Mesmo este hierarca acabou por ter de escrever uma carta de arrependimento que foi publicada no Pravda, triunfando, assim, a linha que teve a ilusão de criar também no campo científico uma doutrina marxista leninista. A predominância de Lissenko dura até 1964, dado que o mesmo era grande amigo de Kruchtchev. Aliás, foi Lissenko que inspirou o monumental desastre agrário do mesmo Kruchtchev, a valorização das terras virgens da Sibéria, na mesma altura em que se davam monumentais saltos na biologia molecular em toda a investigação científica do mundo ocidental. Entretanto, graças a Lissenko, muitos comunistas ocidentais, mais fiéis à ciência do que ao materialismo dialéctico, foram abandonando as hostes comunistas, como Jacques Monod e Marcel Prenant, logo em 1950, apesar dos comunistas franceses, terem tentado reagir contra a genética burguesa, nomeadamente através do inevitável Louis Aragon. Lissenko acabou por falecer em 1976, com 78 anos e ornado das honrarias da nomenklatura.
List, Friedrich (1789-1846) Professor alemão. Defende de um Zollverein, mas sob a liderança austríaca. Refugiado em França, muda-se para os Estados Unidos a partir de 1825. Regressa à Alemanha em 1831, exercendo funções de cônsul norte-americano em Hamburgo e Leipzig. Vive em Paris entre 1837 e 1841. Defensor do proteccionismo e do nacionalismo económico. Combate a escola inglesa da economia clássica. Assume aquilo que François Châtelet qualifica como bio-historicismo, quando considera que a raça germânica foi designada pela Providência, por causa da sua natureza e do seu próprio carácter para … dirigir as questões do mundo inteiro, civilizar os países selvagens e bárbaros e povoar os ainda desabitados. Nele se inspiram posteriores movimentos do proteccionismo, do nacionalismo económico e do próprio colonialismo.
·Das nationale System der politischen Oekonomie
(Estugarda e Tubinga, 1841) (cfr. trad. fr. Système Nationale d'Économie Politique, 1857).
4Halévy, Élie, História do Socialismo Europeu, trad. port. de Maria Luísa C. Maia, Amadora, Livraria Bertrand, 1975, pp. 202 segs.4François Châtelet, História das Ideias Políticas, p. 266.
Littré, Maximilien Paul Émile (1801-1881) Discípulo de Comte. Entra para a Academia Francesa em 1871, provocando a demissão de Dupanloup. Deputado e senador. Autor de um dicionário da língua francesa, em 1863-1872. Acaba por ser dissidente do positivismo, quando triunfa a ala dos ortodoxos, liderada por Lafitte. Nos últimos momentos de vida converte-se ao catolicismo. Na sua fase positivista considera que o Estado é posterior à sociedade e que a sociedade é que cria o Estado e não o Estado a sociedade, pelo que a sociedade guarda sempre o seu direito de rioridade e a sua prerrogativa criadora, que faz valer nas grandes épocas.
Lituânia (Lietuvos Respublika) 65 000 km2 e 3 700 000 habitantes, com várias minorias nacionais - 9,4% de russos; 7% de polacos; 2% de bielo-russos; 1% de ucranianos. O território foi conquistado pelos cavaleiros teutónicos no século XIII; torna-se num forte grão-ducado que ocupa o vazio deixado pelo reino de Kiev; no século XV estende-se do Báltico ao Mar Negro; em 1569 surge uma união pessoal com a Polónia; em 1795, por efeito da partilha da Polónia, passa a integrar o Império russo; ocupada pelos alemães em 1915. Proclama a independência em 16 de Fevereiro de 1918; é ocupada pelos soviéticos em 1940, passando a integrar a URSS. No âmbito da URSS, o partido comunista local e o respectivo soviete distanciam-se de Moscovo, na segunda metade dos anos oitenta; logo em 1988, o soviete reconhece o carácter revolucionário da independência de 1918; em 6 de Outubro do mesmo ano é atribuído carácter oficial à bandeira histórica amarela-verde-laranja; em de Novembro proclama-se o lituano como língua oficial; em 21 de Dezmebro de 1989, o partido comunista lituano desliga-se do PCUS; em 7 de Fevereiro de 1990, o parlamento considera ilegal a incorporação da Lituânia na URSS; em Fevereiro e Março desse ano, em eleições livres, obtém a vitória o movimento independentista Sajudis liderado por Vytautas Landsbergis que logo proclama a independência em 11 de Março de 1990. Uma série de incidentes vai entretanto ocorrer; por iniativa conjunta de Mitterrand e de Kohl, o parlamento lituano aceita suspeender a declaração de independência a 23 de Maio de 1990; de 12 para 13 de Janeiro de 1991, comandos do Ministério do Interior de Moscovo tomam de assalto alguns edifícios públicos em Vilnius, mas as forças inependentistas resistem no parlamento, com apoio da população; em 9 de Fevereiro seguinte realizava-se um referendo sobre a independência que foi esclarecedor, dado que houve uma participaçáo eleitoral de 85%, com 90,5% de votos favoráveis; em 29 de Julho de 1991, já Boris Ieltsine, enquanto presidente do Parlamento russo reconhecia a independência da Lituânia que era admiitida na ONU em 17 de Setembro seguinte. Quanto aos chamados Estados Bálticos, refira-se que com a partilha da Polónia de 1795 os mesmos passaram para a soberania russa. Tornados independentes, entre 1918 e 1920, serão marcados pelo mesmo ritmo histórico desde então. Começando por adoptar constituições democráticas, vão entrando em modelos autoritários entre 1926 e 1934. Nesta data unem-se por um pacto de colaboração nos domínios dos negócios estrangeiros e da defesa. O Pacto Germano-Soviético de Agosto de 1939 integra-os na zona de influência soviética e são ocupados pela URSS em 14 de Junho de 1940, para serem oficialmente anexados em 21 de Julho seguinte. Entre 1941 e 1944 acabam por ser ocupados pelos alemães e, entre 1944 e 1945, voltam a ser anexados pela URSS. A Lituânia, Lietuvos em lituano e Litvá por transliteração do russo, actualmente com cerca de 3 723 000, dos quais 80% são lituanos, 9,4% russos, 7% polacos, 2% de bielo-russos e 1% de ucranianos. Nos começos do século XIII, o território da actual Lituânia, ocupado por tribos pagãs, foi conquistado pelos cavaleiros teutónicos, passando a constituir uma unidade política que, no fim desse mesmo século, aproveitando a destruição do Reino de Kiev, vai tratar de ocupar o grosso do respectivo território. Organizada como unidade política feudal, liderada por um grão duque, a Lituânia estabeleceu a sua capital em Vilnius, no século XIV, com Gediminovici. Mas é a partir do grão duque Vytautas, morto em 1430, que a Lituânia atinge o máximo da dimensão, dominando territórios que se estendiam do Báltico ao Mar Negro. Em 1569 foi estabelecida em Lublin uma união pessoal com a Polónia, a Rzeczpospolita, que já havia sido tentada, embora de forma frustrada, em 1385. Por essa união, os lituanos conservavam as respectivas instituições de governo, mas a influência política e cultural da Polónia vai ser esmagadora e, a partir do século XVII, a língua lituana é substituída pelo polaco, é imediatamente adoptado pelas classes altas. Sofre, a partir dos finais do século XVIII, os efeitos das sucessivas partilhas da Polónia, passando grande parte do território a integrar o Império Russo, a partir de 1795. Apenas a zona de Suvalki foi, nesta data, atribuída à Prússia. Esta mesma zona, que chegou a fazer parte do napoleónico Grão Ducado de Varsóvia, em Março de 1939, foi, então, anexada pelos alemães, depois de ter vivido em regime de autonomia desde 1933. A russificação do século XIX significou tanto uma perseguição aos católicos, como a tentativa de liquidação da língua lituana, em caracteres latinos. A partir de 1830-1831, argumentando-se com a circunstância dos lituanos terem participado no levantamento polaco, foi encerrada a Universidade de Vilnius e o nome Lietuvos passou a ser proibido. Em 1839 perdem mesmo a autonomia legislativa. Entretanto, em 1863, depois da segunda grande insurreição polaca, onde os lituanos voltam a participar activamente, são proibidos os próprios caracteres latinos e divide-se em dois o território. Esta perseguição vai fazer acirrar o movimento nacionalista. Ocupada pelos alemães em 1915, proclamou a independência em 16 de Fevereiro de 1918, depois de, em Setembro de 1917, se ter instaurado o Taryba, ou Conselho. Entretanto, os alemães, impõem, como rei, Guilherme de Wurtenberg. Só em Novembro de 1918 é que o poder passou para o nacionalista Augustinas Voldemaras. Entretanto, os soviéticos ocupam a capital, Vilnius, em Janeiro de 1919, apesar de virem a reconhecer a independência em 12 de Julho de 1920. Vilnius vai, contudo, ser ocupada pelos polacos, em 9 de Outubro de 1920, sendo atribuída a estes pelos aliados em 1923, ao mesmo tempo que a zona de Memel era concedida aos lituanos. Em 1926 celebram um pacto de não agressão com a URSS. Passam a ter um regime autoritário a partir de 17 de Dezembro de 1926. Memel, a que fora atribuída autonomia em 1933, acaba por ser ocupada pelos alemães em 22 de Março de 1939. Pouco depois, Vilnius, entretanto conquistada pelos soviéticos aos polacos, é restituída à Lituânia pelo Tratado de 11 de Outubro de 1939, em troca de bases militares. A ocupação soviética é de 15 de Junho de 1940. A transformação em República Socialista Soviética data de 21 de Julho do mesmo ano. A reocupação pelos soviéticos ocorre entre Julho e Agosto de 1944. Tornou-se independente em 11 de Março de 1990, mas tal como os outros Estados Bálticos, apenas viu tal independência reconhecida pelo Congresso dos Deputados do Povo da URSS em 6 de Setembro de 1991. Em 17 de Setembro seguinte, os três Estados Bálticos eram, entretanto, admitidos na ONU. Refira-se que na noite de 12 para 13 de Janeiro de 1991 se deram sangrentos confrontos em Vilnius, a capital da Lituânia, quando tropas especiais soviéticas, sob as ordens directas do Ministro do Interior soviético, Boris Pugo, assaltaram o edifício da televisão lituana. Contudo, em 9 de Fevereiro seguinte, 76,39% dos eleitores lituanos pronunciaram-se pela independência. Entretanto, por lei de 10 de Dezembro de 1991, foi adoptada uma nova lei da nacionalidade que apenas concede a cidadania lituana aos que a tinham antes de 1940 e aos residentes na República há, pelo menos, três anos.
Liturgias políticas Liturgia, etimologicamente, significa obra pública, serviço por parte de/ e em favor do povo Em termos cristãos, passou a significar o povo de Deus que toma parte na obra de Deus, abrangendo, sobretudo, a celebração do culto divino, no sentido de serviço de Deus e dos homens. Com efeito os instrumentos simbólicos do poder político exercem várias funções. Em primeiro lugar servem para exaltar o Estado; em segundo, contribuem para a educação política, permitindo que as populações adquiram instrução sobre as matérias políticas; em terceiro lugar despertam emoções positivas por parte da população.
1
·Maurray Edelman, The Symbolic Uses of Politics, University of Illinois Press, 1964.
·Georges Balandier, Le Pouvoir sur Scènes, Paris, Balland, 1980.
·Claude Rivière, Les Liturgies Politiques, Paris, PUF, 1988.
·David Kertzer, Rituals, Politicas and Power, New Haven, Yale University Press, 1988.
·Philippe Braud, Le Jardin des Délices Démocratiques, Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, 1991.
Livónia (em letão Vidzeme)
Uma das actuais regiões da Letónia, com parte do território na Estónia; pertenceu à ordem teutónica até 1561; de 1710 a 1918 esteve sob domínio russo; em 1920 foi dividida entre a Letónia e a Estónia
Livre-cambismo em Portugal O governo regenerador de Terceira, em 1859, através do ministro António Serpa tinha como programa a importação livre de cereais.
Livres Pensadores Expressão de origem inglesa, datada de 1697, servindo para qualificar os seguidores de J. Tolland. Ligados desde à maçonaria, dado que a Grande Loja de Londres, criada em 1717, assumiu o livre-pensamento. Abrange, depois, os entusiastas das teses de Paine, Helvétius, Holbach e Haeckel. Em 1880 chega a fundar-se em Bruxelas a Fédération Internationale de la Libre Pensée. Em 1906, surge a Liga Monista, criada por Haeckel. Ainda hoje, qualquer estudante que pretenda matricular-se na Universidade Livre de Bruxelas, é obrigado a subscrever a sua adesão aos modelos do livre-pensamento.