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Respublica
Repertório Português de Ciência Política
Total: J/Ja © José Adelino Maltez. Última revisão em: 17-02-2009 |
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Jackson, Andrew (1767-1845) Jacobinos Jdanov, Andrei Jadanovismo Jaeger, Werner (1888-1961) Jaguaribe, Hélio (n. 1923) Jaime Stuart (1566-1625) James, William (1842-1910) Janet, Paul Jano Janowitz, Morris Jansen, Cornelius Japão Jardim, Alberto João Jaspers, Karl Jaspers, Karl. Alemanha Jaurès, Jean (1859-1914) Jay, John (1745-1829) |
Jackson, Andrew (1767-1845) Sétimo presidente dos Estados Unidos da América, eleito em 1828. Estabelece o sistema do spoil system, segundo o qual to the victor belong the spoils. Assume a visão dos partidos como máquinas plebiscitárias, criando um modelo que precedeu o caucus.
Reeleito em 1835, retira-se em 1837. Começou por ser o candidato dos camponeses do Oeste. äSpoil system Jacobinos Do fr. Jacobins. Nome dado a um clube político de 1790 que reunia os membros da extrema-esquerda da assembleia constituinte. A designação tem a ver com o sítio de reunião do mesmo, o convento de Saint Jacob (S. Tiago, em português) dos dominicanos, na rua de Saint Honoré, em Paris. Assim, por ironia etimológica, o nome de jacobinos equivale ao de dominicanos, dado que estes, em Paris, eram conhecidos até então por aquele último designativo. O grupo, em oposição aos girondinos, que propunham a colaboração entre as classes e a descentralização, assumiram o radicalismo revolucionário que conduziu ao Terror, invocando a Razão, a Virtude e a Regeneração, visando a construção de um homem novo. Invocando o Povo estabeleceram o centralismo democrático, procurando eliminar quer os corpos intermediários quer a autornomia das províncias. O grupo teve a sua origem em Outubro de 1789, reunindo deputados ditos patriotas que constituem a Societé des Amis de la Constitution, alargada a advogados e ricos burgueses não parlamentares. Em 1790 já congregam cerca de 1200 pessoas. Nesse ano criam secções em quase todos os bairros de Paris e promovem a formação de cerca de 2 000 sociedades nos vários departamentos franceses. äGirondinos. Jdanov, Andrei (1896-1948) Considerado o ideólogo puro do estalinismo, destacou-se, a partir de 1934, quando assumiu a liderança do PCUS de Leninegrado, depois do assassinato de Kirov. Chamado a Moscovo a partir de 1944, passou a trabalhar nos ramos da ideologia. Segundo a biografia oficial, em 1946, pôs a nu os erros e defeitos no campo literário, criticando implacavelmente os escritores que arrastavam a literatura soviética para o atoleiro da desideologização e da subserviência perante a cultura burguesa decadente e corrompida. Em 1948 pôs a nu e desmascarou uma tendência formalista e antipopular na música, pondo cobro ao objectivismo catedrático, à indiferença fria na exposição dos factos. Com efeito, em 15 de Agosto de 1946, sob proposta de Jdanov, o Comité Central do PCUS decidiu sancionar as revistas de literatura e artes de Leninegrado Zvezda e Leningrad. Depois, o jdanovismo, retomando as sendas do realismo socialista dos anos trinta, intensificou-se em 1948, com a rígida tutela da literatura, da música e das belas-artes. Assim, por praticarem formas musicais decadentes, nomeadamente pela utilização abusiva dos tambores e dos pratos, foram marginalizados compositores como Chostakovitch e Prokofiev. Por seu lado, a pintura abstracta era considerada uma história de loucos. Jaeger, Werner (1888-1961) ·Paideia. Die Formung des grieschen Menschen Berlim, 1936. Jaguaribe, Hélio (n. 1923) Analisa os modelos dos autoritarismos militares da América do Sul, principalmente do Brasil. Assinala que a via modernizante deste autoritarismo visa a industrialização acelerada, numa estratégia considerada bismarckiana e bonapartista, onde se admite um luralismo limitado. ·A Filosofia no Brasil Rio de Janeiro, Instituto Superior de Estudos rasileiros, 1957. ·O Nacionalismo na Actualidade Brasileira Rio de Janeiro, Instituto Superior de Estudos Brasileiros, 1958. ·Pensamento Económico e Desenvolvimento Político Rio de Janeiro, Ed. Fundo de Cultura, 1962. ·Desenvolvimento Económico e Desenvolvimento Político Nova ed. da obra anterior, Edições Paz e Terra, 1969. Uma trad. ingl., Economic and Political Development, Harvard University Press, 1968. ·Desenvolvimento Político São Paulo, Perspectiva, 1975. ·Alternativas do Brasil Rio de Janeiro, Livraria José Olympio, 1989. Jaime Stuart (1566-1625) Jaime (rei) Stuart, VI da Escócia, desde 1567, e I da Inglaterra, desde 1603. Filho de Maria Stuart. Educado por George Buchanan e defendido por W. Barclay. Assume-se contra os católicos e os presbiterianos. Considera que os reis têm o poder de levantar ou de abater, de dar vida e de dar morte … têm o poder de exaltar o que é humilde e de rebaixar o que é soberbo, e de utilizar os respectivos súbditos como peças de xadrez. Do lado católico, este modelo de monarquia de direito divino, foi impugnado tanto pelo cardeal Belarmino como por Francisco Suárez, em Defensio Fidei Catholicae et Apostolicae Adversus Anglicanae Sectae Errores, de 1613. Assume-se contra as teses dos puritanos, para os quais o poder dos reis derivaria do povo, assumindo o princípio da herança. Aproxima-se das teses dos politiques franceses. A Igreja anglicana defende, então, as teses do direito divino dos reis, visando o fortalecimento da igreja oficial. Mobilizam-se em favor deste modelo as teses dos gibelinos defensores do Imperador, como Dante, Ockam e Marsílio de Pádua, bem como as perspectivas de Lutero quanto ao carácter sagrado dos príncipes alemães. Rejeitam-se as teses contratualistas e, mesmo quando se admite um contrato original, fundador da monarquia, salienta-se que Deus teria sido o respectivo árbitro, pelo que só a ele se poderia recorrer, no caso de reclamação contra a tirania. Num discurso de 1609, perante o Parlamento, Jaime I chega mesmo a proclamar: reverenciam-se os reis justamente como se fossem deuses, porque exercem um certo poder divino sobre a terra. Em 1616 declara: do mesmo modo que o ateísmo comete blasfémia quando se atreve a julgar o que Deus pode fazer, assim representa grande vaidade e menosprezo que os súbditos discutam as acções do monarca. ·The True Law of Free Monarchies 1598 ·Basilikon Doron 1599. äBuchanan/ Barclay James, William (1842-1910) Estuda medicina em Harvard, onde se torna professor de filosofia e psicologia. Irmão do romancista Henry James. Influenciado por Agassiz e Renouvier. Fundador do chamado pragmatismo que considera um método mais ou menos provisório para dispensar a metafísica, uma teoria genética da verdade, isto é, aquilo que nos convem mais acreditar ‑ eis o que mais se parece com uma definição de verdade. Porque a realidade é apenas um caminhon no nosso pensamento, tal como a verdade é apenas um meio, no caminho do nosso comportamento. Começou por qualificar essa posição como empiricism, em 1897. ·Principles of Psychology 1890. ·The Will to Believe 1897. ·The Varieties of Religious Experience 1902. ·Pragmatism 1907. ·A Pluralistic Universe 1909. ·Some Problems of Philosophy 1911. äPragmatismo Janet, Paul (1823-1899) Professor em Estrasburgo e em Paris. Historiador francês da filosofia moral, respondendo a um concurso da Academia das Ciências Morais e Políticas de 1848. Um dos primeiros a utilizar o nome de ciência política, embora como sinónimo de filosofia oral. ·Histoire de la Philosophie Morale et Politique dans l’Antiquité et dans les Temps Modernes 1858 ·Histoire de la Science Politique, dans ses Rapports avec la Morale Obra publicada em 1872 que constitui uma reedição da obra de 1858. Tem novas edições em 1887, 1913 e 1924. ·Saint-Simon et le Saint-Simonisme Paris, 1878. ·Les Origines du Socialisme Paris, 1883 Jano Em latim, Janus, o deus dos começos, que tinha duas faces. Duverger, em Janus, les Deux Faces de l’Occident, de 1972, diz que a política tem as duas faces do mesmo deus. Dessa mesma origem é a desiganação que damos ao primeiro mês do ano, Janeiro, o mês que significa a passagem de um ano para o outro. Duverger considera nessa obra que, depois de 1945, à democracia liberal sucedeu uma tecnodemocracia, fundada em vastas organizações, complexas e hierarquizadas, com uma nova oligarquia que depende mais do estado que na anterior ordem assente na concorrência de pequenas unidades autónomas. Janowitz, Morris Polítólogo norte-americano da escola desenvolvimentista. Faz uma classificação dos sistemas políticos, tendo em atenção as chamadas novas nações: sistema de controlo autoritário-pessoal; sistema de partido autoritário de massas; sistema democrático competitivo e semi-competitivo; coligação cívico-militar e oligarquia militar. ·The Military in the Political Development of New Nations Chicago, The University of Chicago Press, 1964. ·The Professional Soldier Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1971. ·On Military Intervention Roterdão, Rotterdam University Press, 1971. Com J. van Doorn (eds. ). Jansen, Cornelius (1585-1640) Bispo católico holandês. Estuda em Lovaina onde é influenciado pelas teses de Miguel Bayo, defensor da naturalidade da graça, considerando que, depois do pecado cessa a liberdade interior da pessoa. Assume um programa contrário às teses de Luís de Molina e dos jesuítas da segunda escolástica, retomando Santo Agostinho. Autor de Augustinus, sive doctrina Sancti Augustinus de humanae naturae sanitate, aegritudine, medicina adversus Pelagianos et Mussilienses, editada postumamente em 1640. Jansenismo Doutrina religiosa e política inspirada nas teses de Jansen. Defense as teorias agostinianas da predestinação contra as teses tomistas do racionalismo e do livre arbítrio. Tem como programa libertar os espíritos do racionalismo. Considera que só pode obedecer à vontade divina aquele que já escolheu seguir a graça. Porque Deus predestina todas as pessoas, ou para a salvação ou para a condenação e o ser humano é impotente, tanto perante a inclinação para o pecado, como perante o impulso da graça para o bem. O modelo influencia Pascal e a comunidade de Port-Royal, bem como Racine, Boileau, Fénelon e Bossuet. Transforma-se num programa de luta contra o barroco, marcado pelo rocócó e pelo gongorismo e favorece o desenvolvimento do galicanismo, quando proclama a autonomia dos bispos face ao papa, ao mesmo tempo que deixa livre o desenvolvimento do poder real, não pondo peias ao absolutismo. Em Portugal houve recepção do jansenismo, sobretudo em matéria política, sendo várias as tentações de criação de uma Igreja Lusitana independente de Roma, desde D. João IV. Neste sentido se compreende a restauração do Beneplácito Régio, com D. João V. As doutrinas jansenistas também favoreceram o pombalismo, havendo reflexo das mesmas em autores como António Pereira de Figueiredo, autor de De Suprema Regum, e António Ribeiro dos Santos, autor de De Sacerdocio et Imperio. Jardim, Alberto João (n. 1943) Licenciado em direito pela Universidade de Coimbra. Fundador e líder do PPD na Madeira. Presidente do Governo Regional da Madeira desde Março de 1978. Para além de advogar, começa a respectiva actividade profissional como professor do ensino técnico e do ensino secundário particular. Destaca-se como jornalista político no Diário de Notícias da Madeira. Jaspers, Karl Theodor (1883-1969) Filósofo existencialista alemão. Formado em direito por Heidelberg e Munique, torna-se médico psiquiatra, por Berlim, onde também se doutora. Professor de filosofia em Heidelberg de 1921 a 1937, data em que é demitido pelo nazismo. Regressa à Alemanha depois de 1945. Instala-se a partir de 1948 em Basileia. Considera que a exigência da liberdade não é, portanto, o agir por arbítrio ou por cega obediência, mas por convicção fundada. Porque a liberdade só é possível com a transcendência e por causa dela. No plano epistemológico, salienta que a explicação tem de completar-se pela compreensão, porque há uma infinitude do indivíduo e só assim conseguimos aproximar-nos do todo que e o homem. ·Psychopatologie Générale 1913. Paris, Alcan, 1938. ·Psychologie der Weltanschauungen 1919. ·Conditions et Possibilités d'un Nouvel Humanisme Neuchâtel, La Bacconière, 1946. ·The philosophische Glaube 1948. ·A Culpabilidade Alemã ·Origine et Sens de l'Histoire Paris, Plon, 1955. ·Iniciação Filosófica Lisboa, Guimarães, s. d. ·A Bomba Atómica e o Futuro da Humanidade 1962. Jaspers, Karl. Alemanha. Em 1960, por exemplo, rejeita a hipótese de restauração de um Estado de Bismarck pelo facto do mesmo ter sido realizado com sangue e aço, numa guerra contra a Áustria (1866) e noutra contra a França (1870), destruindo as esperanças de uma unificação federal e liberal dos povos alemães. Este Estado que apenas existiu durante 75 anos não passaria, aliás, da pequena Alemanha, comparada com aquela grande Alemanha que vive na nossa alma e que existe há mil anos. Ela produziu muitas formas políticas, mas nunca foi uma unidade num sentido nacional moderno (como a França ou a Inglaterra). Foi mais ou menos o território da Europa Central, povoado e formado por homens falando a língua alemã, o território desta Europa Central com as suas paisagens alemãs, de história múltipla e com pátrias múltiplas. Considera assim que a última época do carácter alemão universalista era a época clássica da literatura e da filosofia em que homens de língua alemã se encontraram de Copenhaga a Zurique, de Riga a Amsterdão. Essa uma, unicamente grande Alemanha é um conceito não-político. Sua consciência é, portanto, pré-política ou superpolítica. Dela cresceram, durante o decurso de um milénio, várias formas políticas. Mas nenhuma delas pode reivindicar ser a única Alemanha. A concepção histórica segundo a qual a Alemanha desunida tinha evoluído, com necessidade lógica, no rumo da criação do Estado de Bismark da pequena Alemanha, é uma ficção dos historiadores da época bismarkiana e guilhermiana e de epígonos de hoje. As oportunidades que este Estado abriu estão esgotadas. Nós permanecemos alemães. Mas os alemães são "um povo dos povos" (Schelling). Jaurès, Jean (1859-1914) Professor de filosofia em Toulouse, doutorado com uma tese sobre as Origens do socialismo alemão em Lutero, Kant, Fichte e Hegel. Militante socialista não marxista, invoca Proudhon e Blanc. Amigo de Péguy. Deputado desde 1885. Dirigente da II Internacional, sempre recusou cargos governamentais, de acordo com as directivas do movimento. Um dos principais dreyfusards. Funda em 1904 o jornal L’Humanité. Assassinado em 31 de Julho de 1914, quando tentava evitar a guerra, depois de ter um encontro com uma delegação do SPD. Influenciado por Espinosa, Kant e Hegel, tenta misturar idealismo e materialismo. Considera que há uma evolução necessária, um movimento da história, mas também um sentido ideal: há um sopro de lamento e de esperança que sai da boca do escravo, do servo e do proletário; é esse sopro imortal de humanidade que forma a alma do que chamamos de direito (1894). Tenta também assumir o individualismo, em nome dos direitos do homem: somente o socialismo dará à declaração dos direitos do homem todo o seu sentido e realizará o direito humano … o socialismo é o individualismo lógico e completo. Ele não é o produto da inveja, que é o mais baixo dos impulsos humanos, mas da justiça e da piedade, que são os mais belos. O socialismo, portanto, é uma moral e uma religião, tanto quanto uma doutrina. ·Histoire Socialiste de la Révolution Française Paris, 1901 - 1904. Cfr. a antologia L'Esprit du Socialisme, Paris, Gonthier, 1964. Jay, John (1745-1829) Um dos redactores de The Federalist. The Federalist (1787 - 1788) (cfr. trad. port. de José da Gama e Castro, O Federalista, publicado em inglez por Hamilton, Madison e Jay, cidadãos de Nova York, Rio de Janeiro, 1840). |