Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Rivera, José António Primo de (1903-1936)

Filho do general Primo de Rivera. Jurista. Cria a Falange em 29 de Outubro de 1933, numa sessão do teatro da Comédia, em Madrid. Recusa o dualismo direita/ esquerda e capitalismo/socialismo. Defende uma Espanha, una grande e livre. Alia-se com Onesimo Redondo, fundador das JONS (Juntas de Ofensiva Nacional-Sindicalista), em 1931. Adoptam um programa que pretendia ser, ao mesmo tempo, contra o marxismo e o capitalismo. Deputado desde 1933, é preso em Março de 1936. Fuzilado em 20 de Novembro de 1936, na prisão de Alicante. Celebrado como um mártir pelo regime franquista. Influência de Kelsen. Um dos teóricos mais invocados pelos nacionais-revolucionários portugueses dos anos setenta. José Miguel Júdice chaga a editar uma antologia de textos do autor. Proclama que "são os poetas que movem os povos". claro adversário das concepções românticas de nação. Considera que "uma nação não é meramente atracção pela terra onde nascemos, não é essa emoção directa e sentimental que sentimos todos ao aproximarmo-nos do nosso torrão natal", “não é uma realidade geográfica, nem étnica, nem linguística", "não é uma entidade física individualizada pelos seus acidentes orográficos, étnicos ou linguísticos". Porque "um agregado de homens sobre um bocado de terra só é nação se o for em função do universal, se cumpre um destino próprio na História, um destino que não é o dos outros". Deste modo , considera que "o que converte um povo  numa hierarquia de nação é ter cumprido uma empresa universal, porque assim como para ser pessoa e superar a qualidade nativa de individuo temos que ser outros, quer dizer, temos  que ser distintos dos outros, temos de së-lo em relação com os outros". "Uma nação é uma unidade no universal, é o grau que atinge um povo quando cumpre um destino universal na história", é "uma entidade histórica, diferenciada das demais no universal por uma própria unidade de destino". Neste sentido, entende que "a nação é irrevogável, não é nossa como objecto patrimonial; cada geração não é dona absoluta da nação; recebeu-a dos esforços de gerações anteriores e tem de entregá-la como depósito sagrado à que lhe suceder". As nações "não são contratos, rescindíveis pela vontade dos que os outorgam: são fundações, com substância própria, não dependentes da vontade de poucos ou de muitos". E isto porque "a nação não é um conceito, mas uma norma. esta norma tem que ser acatada com todo o rigor contra todos os interesses, por mais fortes que sejam". Fala em "unidade total", unidade indiscutível, unidade permanente, unidade irrevogável, em sintese transcendente, síntese indivisível, e até invoca um patriotismo de missão de empresa.

Rivera, José António Primo, Obras, Madrid, Delegación Nacional de la Sección Feminina del Movimiento, 1970.

 




© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Última revisão em: 11-01-2004