Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Razão de Estado Expressão usada pela primeira vez pelo autor florentino Francesco Guicciardini  em 1526-1527, onde, justificando-se a política repressiva dos Medici, se assinala que o poder para vencer a contingência tem de recorrer à violência, não havendo poder legítimo. Consagra a expressão Giovanni Botero em Della Ragione di Stato, de 1583, considerando-se que os príncipes nas sua amizades e inimizades se regulam sobre aquilo que lhes proporciona vantagens. Arnold Clpamar utiliza a expressão arcana rerum publicarum, influenciado por Tácito que usa arcana imperri e arcana dominationis. Os franceses vão preferir as maximes d'État. Vários autores retomam o tema como Scipion Ammirato, Traiano Boccalini e Gabriel Naudé. Este último, em 1639, considera-a como tudo o que viola o direito comum em nome do interesse público.

Carl J. Friedrich considera que a razão de Estado tem um perfil pré-constitucional, sendo uma situação limite, uma situação extraordinária, aproximando o conceito da perspectiva que Carl Schmitt adopta para o conceito de soberano, isto é, aquele que decide num estado de excepção.

 

·Lazzeri, C., Reynié, D., Le Pouvoir et la Raison d’État, Paris, Presses Universitaires de France, 1992.

·Reynié, D., La Raison d’État. Politique et Rationalité, Paris, Presses Universitaires de France, 1992.

·Donelan, Michael, ed., The Reason of the States. A Study in International Political Theory, Londres, Allen & Unwin, 1978.

·Carl J. Friedrich, Constitutional Reason of State. The Survival of Constitutional Order, Providence, Rhode Island, Brown University Press, 1957.

 

Razão de Estado cristã Movimento derivado da Razão de Estado, a partir da obra de Justus Lipsius, Politicorum…, de 1589. Teve particular importância em Portugal e em Espanha, como Ribadeneyra. Saaverda Fajardo, Francisco Quevedo, Fernando Alvia de Castro. Pedro Barbosa Homem, João Salgado Araújo, António Carvalho Parada, António Sousa Macedo, Manuel Fernandes Vila Real e António Henriques Gomes. ESPE II, p. 78.

 




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