Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Partido Socialista (1875)
O
Partido Socialista foi fundado em 10
de Janeiro de 1875, na sequência do Congresso de Haia.
Assumia-se, então, como marxista
contra o bakuninismo. Da sua primeira
comissão directiva fizeram parte José Fontana, Azedo Gneco, Nobre França e
Tedeschi. Antero Quental, autor do folheto O que é a Internacional, de
1871, estava nos Açores desde 1873, por morte do pai. Teve como órgão O
Protesto, em Lisboa, e o Operário,
no Porto, até surgir a fusão em O
Protesto Operário.. O
primeiro programa data de 1895.
O papel de Fontana
Fontana fazia saraus operários
lendo trechos do Portugal e o Socialismo
de Oliveira Martins, editado em 1873. Fontana carteava-se com Quental para pôr
de pé o programa. Não conseguindo juntar os restantes membros do Cenáculo
chegou a dizer de tal sorte que, para não
haver cismas, assentara-se em não haver programa Veio a suicidar-se em 2 de
Setembro de 1875.
O I Congresso reuniu 23
associações e 48 delegados.
A cisão de 1877
Em 1877 surgiu a primeira
cisão quando Azedo Gneco patrocinou a candidatura de Oliveira Martins pelos
progressistas, no círculo do Porto, com a desistência dos socialistas.
Congresso de 1878
No II Congresso, de 1878,
17 associações e 48 delegados. Aí se abandonaram as teses da abstenção,
resolvendo-se que o partido nunca se deveria abster da luta eleitoral. Nesse
ano, o partido muda de nome, quando se funde com a Associação dos
Trabalhadores da Região Portuguesa, passando a designar-se Partido Operário
Socialista Português, sob inspiração das teses guesdistas.
Em 1879 surgiu a dissidência
do grupo d’ A Voz do Operário, órgão
dos manipuladores de tabaco já anarquista.
No Congresso de 1880, o
partido estava já reduzido a 9 associações.
No Congresso de 1885 surge
novo programa do partido, inspirado no federalismo de Proudhon, alheando-se da
luta revolucionária e do princípio da luta de classes.
Com efeito, em 1884-1885
começou a intensificar-se o anarquismo e a respectiva propaganda,
principalmente quando a partir do momento em que Manuel Luís Figueiredo e
Viterbo de Campos participaram no Congresso Internacional de Paris de 1889.
Surgiu então o confronto
entre os economicistas, possibilistas
defensores das reformas (Luís
Figueiredo) e os marxistas ou revolucionários (Azedo Gneco). Os primeiros publicam O Protesto
Operário e o Trabalhador, mobilizando Carvalho e Cunha, Agostinho da
Silva e José Martins. Os segundos publicam o Eco Socialista e têm a
apoiá-los Nobre França, Domingos Leite, Conceição Fernandes, Viterbo de
Campos e Luís Soares. Estes dois grupos, maioritários, distinguem-se de mais
dois: o grupo dito dos ecléticos, que publicam A Voz do Operário
e o Amigo do Povo e o grupo dito dos socialistas de Estado, com
Sousa Brandão, Costa Goodolphim, Liberato Correia, Augusto Fuschini, Jaime
Batalha Reis e Oliveira Martins. Como então reconhecia Nobre França, o que
hoje existe tem pouca significação verdadeiramente socialista. O que
predominam são agremiações, animadas pela burocracia, esperando pelas cebolas
do Egipto.
Em 1897 houve uma cisão
dentro do grupo de Gneco, quando Ernesto Silva e Teodoro Ribeiro pretenderam uma
aliança com o Partido Republicano, tendo surgido uma aliança
republicano-socialista.
Alguns socialistas
chegaram a apoiar Sidónio, levando a uma divisão em 1919, com o ministro
socialista Augusto Dias da Silva a receber apoio dos anti-sidonistas. Na altura,
conseguiram 4 deputados (2.126 votos em Lisboa e 1 569 no Porto). Realizou-se
então, em Outubro de 1919, o Congresso da Figueira da Foz. Seguiu-se o X
Congresso de Maio de 1922, em Tomar.
No
XI Congresso, realizado no Porto, em Junho de 1924, o partido passou a ser
dominado por Ramada Curto e Amâncio Alpoim. Tinham então, no Porto, o jornal República
Social e em Lisboa O Protesto.
Quanto aos anarquistas, saliente-se que o movimento desencadeou-se em Portugal a
partir do movimento grevista de 1872. Em 1887
publicou-se em Lisboa uma declaração de princípios
comunista-anarquista, enquanto surgiu no Porto A
Revolução Social. Em 1892, A Revolta.
Em 1894 A Propaganda, O Rebelde, O Trabalhador. Em 1895, a Obra.
Com a lei anti-anarquista de 13 de Fevereiro de 1896, houve um certo refluxo,
mas em 1904 surgiram os jornais O Gráfico
em Lisboa e A Vida no Porto. Em 1908, A
Greve onde se destacou Alexandre Vieira.
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