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Partido Republicano (1876)
Em 3 de Abril de 1876 é eleito um directório
do Partido Republicano, com 33 membros. Nasceu sob o impulso da implantação da
república em Espanha, em Fevereiro de 1873. A eleição foi precedida pela
reunião comemorativa da vitória eleitoral dos republicanos franceses, em casa
do milionário Mendes Monteiro, na Rua do Alecrim, ocorrida a 25 de Março
anterior. É nessa altura que Rodrigues de Freitas adere aos republicanos.
O primeiro Centro Eleitoral
Republicano-Democrático será inaugurado no dia 20 de Julho seguinte. Entre
os participantes, António de Oliveira Marreca, Latino Coelho, Bernardino
Pinheiro, Francisco Maria de Sousa brandão, Gilberto António Rola, João Bonança,
José Carrilho Videira, José Elias Garcia, José Jacinto Nunes, Zófimo
Consiglieri Pedroso.
Centros
republicanos em Coimbra e no Porto. 1878
Já durante o governo de Fontes, surgem centros republicanos no Porto, com
Alexandre Braga, Sampaio Bruno e Rodrigues de Freitas, e em Coimbra, com Manuel
Emídio Garcia e Feio Terenas.
Eleição
de Rodrigues de Freitas. 1878
O labor tem frutos com as primeiras candidaturas republicanas nas eleições
de 13 de Novembro de 1878, onde é eleito, pelo Porto, Rodrigues de Freitas pelo
Porto nas eleições de 13 de Novembro de 1878. Contudo, os governamentais
fontistas não dão importância ao fenómeno e chegam mesmo a patrocinar a
candidatura do republicano Elias Garcia por Lisboa (obtém 15%, 1590 votos, mas,
por 18 votos, vence o avilista Barros e Cunha, que, quando ministro, tanto havia
sido fustigado pelos regeneradores). Fontes dava-se bem com Garcia, que havia
sido presidente da câmara municipal de Lisboa em 1873, chegando a dizer: o
Elias Garcia, se não existisse, era preciso inventá-lo. Outro candidato
republicano por Lisboa que acabou por não ser eleito era Manuel de Arriaga, que
teve a apoiá-lo Ramalho Ortigão. O terceiro candidato republicano pela capital
foi Teófilo Braga, apoiando-se então num programa federalista. É que os
progressitas, na sua primeira candidatura eleitoral, mostravam-se agressivos e
tentavam caçar votos no terreno dos republicanos.
Barjona, através de quem Fontes se entendia com os republicanos, defendia
um sistema de registo civil obrigatório para todos os cidadãos, incluindo os
católicos.
Em 2 de Janeiro de 1879, a corrente republicano-federalista de Lisboa funda
um centro próprio, sob a liderança de Teófilo Braga, com Carrilho Videira e
Teixeira Bastos. Os restantes republicanos de Lisboa respondem criando um novo Centro
Republicano de Lisboa.
Em 3 de Fevereiro de 1879 é eleito novo directório, com Oliveira Marreca,
Latino Coelho, Sousa Brandão, Bernardino Pinheiro e Eduardo Maia. Nessa eleição
participam os federalistas. Nesse ano, nas eleições de 19 de Outubro de 1879
voltava a ser eleito solitariamente o republicano Rodrigues de Freitas pelo
Porto.
Em 1880, depois dos jesuítas terem sido expulsos
de França, os republicanos ganham novo alento. Se em França os jesuítas eram
expulsos em Março, já entre nós, em 25 de Julho, celebravam, no Colégio de
Campolide, a restauração da Província da Companhia de Jesus, abolida por
Pombal em 1859. Por cá, vivia-se o ano do Centenário de Camões e os mesmos
republicanos assumiam a liderança do patriotismo, chegando mesmo a liderar os
ataques ao Tratdo de Lourenço Marques, negociado pelo anterior governo
regenerador e aprovado pelo progressista, então no poder. Em 17 de Março
promovem um comício no Teatro dos Recreiros, com Manuel de Arriaga, Elias
Garcia e Magalhães Lima. Em 14 de Junho, organizam um grande banquete,
presidido por Arriaga. Em 14 de Agosto promovem um meeting em Lisboa, às
Janelas Verdes. Nas eleições
suplementares de 5 de Outubro têm votações baixas, dado que Fontes já não
aparece a apoiar Elias Garcia que só consegue 997 votos. Estávamos sob um
governo progressista. Magalhães
Lima tem 519 votos e Antero de Quental que então se candidata pelos
republicanos apenas recebe 25 votos...
Um importante impulso na campanha republicana
deu-se com a saída do primeiro número do jornal O Século, no dia 1 de
Janeiro de 1881, dirigido por Sebastião Magalhães Lima. Nesse mesmo ano,
lideram a contestação ao Tratado de Lorenço Marques, promovendo comícios em
Lisboa e em Coimbra. No dia 13 de Março, ainda com governo progressista, num
comício republicano que decorria na Rua de S. Bento, há uma forte carga
policial. Entretanto, depois de novo governo regenerador, a partir de 25 de Março,
surgem as eleições de 21 de Agosto. Finalmente era aqui eleito Elias Garcia,
mas também se apresentaram como candidatos Teófilo Braga e Magalhães Lima. No
Porto, contudo, não era eleito nenhum candidato republicano, candidatando-se
Alves da Veiga e Manuel Emídio garcia.
Em 6 de Novembro de 1881 são as eleições camarárias (os republicanos
conseguem representação em 23 concelhos)
Centenário do Marquês de
Pombal. 1882.
novos comícios republicanos, com destaque para o
de 3 de Julho em Lisboa, onde se insurgem contra o Tratado de Comércio com a
França, com vários incidentes, donde resulta a prisão de Gomes Leal.
Publicitado o projecto de organização definitiva
do Partido Republicano, da autoria de Manuel de Arriaga (10 de Junho de 1882)
Os
republicanos tentam, então, identificar-se com o patriotismo e o liberalismo.
Para o efeito, desencadeiam um processo de recriação de mitos, tanto pela
comemoração das datas de 24 de Agosto e 15 de Setembro, como pela construção
de estátuas a Manuel Fernandes Tomás, Sá da Bandeira, José Estevão, Alves
Martins e Joaquim António de Aguiar, para além de invocarem liberais como
Borges Carneiro, Mouzinho da Silveira, José Liberato, Passos Manuel e Alexandre
Herculano, bem como de outras figuras históricas como Camões, Damião Góis,
Febo Moniz, João Pinto Ribeiro e o marquês de Pombal.
Por
um lado, pretendiam que dizer viva a República
significasse viva Portugal. por outro,
tentavam identificar o ser republicano
com o ser liberal. Apelam assim para
os verdadeiramente liberais contra o ultramontanismo
e as trevas da servidão intelectual
em nome das novas ideias, isto é, do
positivismo propagandeado por Teófilo Braga.
Deste
modo, mobilizam os mitos fundadores do liberalismo monárquico, quando o regime,
governado pelas segundas gerações desse historicismo se enredava nas teias do argentarismo
e de dissolvia em corrupção e facciosismo.
Em
Julho de 1882 os deputados republicanos apresentavam no parlamento um voto sobre
a morte de Garibaldi. Em Janeiro de 1883, sobre o passamento de Gambetta. Ambos
são rejeitados.
1884
Nas eleições de 29 de Junho, são eleitos dois
candidatos republicanos, Elias Garcia e Consiglieri Pedroso. Manuel
de Arriaga não consegue ser eleito pelo Funchal e há sangrentos incidentes. Em
22 de Agosto de 1884, o ministro Barjona proíbe um cortejo em homenagem a
Manuel Fernandes Tomás, mas logo em 4 de Setembro, cerca de 50 000
manifestantes prestam-lhe homenagem no cemitério.
1885
Em Janeiro de 1885, Oliveira Martins defende os progressistas, considerando
os republicanos como um grupo de sectários,
mais ou menos estonteados. Nun
discurso de 4 de Maio de 1885, o deputado Elias Garcia diz que se
preza de pertencer ao partido liberal, invocando Fernandes Tomás, Passos
Manuel e Sá da Bandeira. Como observa Lopes d’Oliveira, não
há verdadeiro republicanos, entre nós, que não seja liberal, nem há
verdadeiro liberal que não possa dizer-se republicanoi. Aliás, é em 1884
que José Falcão publica a Cartilha do
Povo. Em 7 de Setembro de 1885, os republicanos organizam um comício, dito
anti-jesuítico, no Porto, no mesmo ano em que Guerra Junqueiro publica A
Velhice do Padre Eterno.
1887
Em 1887, já durante o governo progressista de José Luciano, nas eleições
em 6 de Março. Progressistas elegem 107 deputados. Oposição regeneradora
elege 36 deputados. Republicanos mantêm dois deputados por Lisboa (Elias Garcia
e Zófimo Consiglieri Pedroso). 8 deputados da esquerda dinástica de Barjona de
Freitas.
Já
depois da morte de Fontes, em 22 de Janeiro de 1877, seguiram-se as eleições
de 6 de Março, com o governo progressista a eleger 107 deputados e a oposição
regeneradora a vencer apenas em 30 círculos eleitorais, enquanto os
republicanos mantêm os seus deputados por Lisboa.
Em 25 de Fevereiro de 1888, era eleito Teófilo Braga, para uma vaga.
São apoiados por o Século em Lisboa e pela Folha
Nova do Porto.
Em 16 de Setembro de 1887, eleições
municipais em Lisboa com vitória
da lista monárquica de Fernando Palha e Rosa Araújo. Os republicanos com 43%
dos votos expressos
1890
Nas eleições de 30 de Março ocorreram violentos incidentes. Dez mortos e
cerca de 40 feridos. 115 deputados regeneradores. 33 deputados progressistas. 3
deputados republicanos (Elias Garcia, Latino Coelho e Manuel de Arriaga).
1891
Os
republicanos estão divididos, especialmente pela campanha jornalística de
Homem Christo contra Elias Garcia. mas a unidade é estabelecida no congresso
realizado no Porto de 5 a 7 de Janeiro de 1891. Aprovado novo programa para o
partido que foi publiacdo em 11 de Janeiro de 1891.
Revolta republicana do 31 de Janeiro de 1891. Conforme salienta Lopes
d’Oliveira, desde o 31 de Janeiro todo o
programa republicano é Revolução
Aires de Gouveia na Câmara dos Pares critica a perseguição aos
republicanos, considerando-os como pequena
minoria (23 e 25 de Junho de 1891)
1892
As eleições de 23 de Outubro de 1892 foram atípicas, surgindo 52
deputados regeneradores, 33 progressistas, 26 governamentais, 8 independentes e
4 republicanos. O presidente do ministério que perdeu a eleição por Aveiro,
até apareceu à última hora deputado por Penacova.
4 republicanos (obtêm em Lisboa 25%). Elegem aqui Jacinto Nunes, com 5 336
votos (25%). Rodrigues de Freitas continuou a ser eleito pelo Porto. Outro
deputado republicano eleito foi Teixeira de Queirós por Santiago do Cacém.
Finalmente, João Chagas foi eleito por acumulação de votos, conseguindo 18
000.
Nas
eleições de Lisboa, Eduardo Abreu, 5 615 votos; Jacinto Nunes, 5 336; José
Falcão, 5 178; Filomeno da Câmara, 4 880. O monárquico mais votado, 7 145
1893
Em Junho de 1893, conferência de Badajoz dos republicanos portugueses e
espanhóis. Criticada na CD por Carlos Lobo d’Ávila
Em Setembro de 1893 foi preso o jornalista João Pinheiro Chagas, revolucionário
do 31 de Janeiro de 1891, que se havia evadido de Angola.
1894
Nas eleições de Abril de 1894, os caciques progressistas de Lisboa, como
José Pinheiro de Melo e o prior da Lapa ajudaram os republicanos, enquanto
outros, como o Conde do Restelo, se passaram para os governamentais
regeneradores 2 deputados
republicanos em Lisboa (Eduardo de Abreu e Gomes da Silva)
Em 2 de Julho já se constitui uma União
Liberal entre progressistas e republicanos , enquanto os alemães ocupam
Quionga no norte de Moçambique.
Em 3 de Dezembro formava-se a Coligação
Liberal, juntando progressistas e republicanos. Surgem importantes comícios
anti-governamentais.
No dia 9 de Dezembro, grande comício no Campo Pequeno, com republicanos e
progressistas junto. José Maria de Alpoim proclama que a pátria está em perigo. No Porto, o conde de Samodães também
preside a comício de protesto no teatro do Príncipe Real.
1895
Em 20 de Fevereiro, eleita a comissão municipal republicana do Porto. O
secretário da Universidade de Coimbra, Cerqueira Coimbra, depois de aderir aos
republicanos, é imediatamente demitido.
Em 2 de Março, reunião em Lisboa o sexto Congresso do Partido Republicano.
Comissário da polícia impede a continuação da reunião. Mas, no dia
seguinte, em ajuntamento secreto, é eleito novo directório: Eduardo de Abreu,
Jacinto Nunes, Magalhães Lima e Gomes da Silva.
Joaquim Martins de Carvalho, director dÓ
Conimbricense, adere aos republicanos: entre
a monarquia quase absoiluta , que aí existe e a República, o nosso caminho
estava naturalmente traçado
1897
Nas eleições de 2 de Maio de 1897, os republicanos abstêm-se: até
que uma lei regularmente votada em Cortes, dê, pelo menos, as garantias já
conquistadas em 1884.
Grandes
comícios republicanos em Lisboa e no Porto entre Maio e Agosto de 1897.
Congresso
do Partido Republicano em Coimbra (25 de Setembro de 1897)
1898
VIII Congresso do Partido Republicano em Lisboa, em 18 de Novembro de 1898
Os deputados da peste. 1899
Em 26 de Novembro de 1899. Eleições. Vitória dos republicanos no Porto.
Conde Burnay vence em Setúbal.
Em 18 de Fevereiro de 1900, repetição das eleições no Porto. Nova vitória
dos republicanos, com a eleição, como deputados, de Afonso Costa, Xavier
Esteves e Paulo Falcão.
passagem para os republicanos de Braamcamp Freire e de Augusto José da
Cunha em 1907. Mas entre os próprios republicanos, surgiram fortes dissências
com Francisco Martins de Carvalho a passar- se para as hostes franquistas, em
1903, Elias Garcia a colaborar com Barjona de Freitas, em 1887, e José Falcão
a ligar- se a Fuschini em 1891.
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