Parsons,
Talcott (1902-1979)
Sociólogo norte-americano, adepto de uma teoria neo-evolucionista. Estuda no Amherst College, na London School of Economics, onde contacta com Malinowski e R. H. Tawney, e em Heidelberg, onde se doutora em 1927. Aí contacta em 1925-1926 com o salão mantido por Marianne Weber, viúva de Max Weber, dele recebendo a marca dos tipos-ideais.
Vai para Harvard, onde, depois de ser assistente de economia, começa a ensinar sociologia a partir de 1931, mas só atingindo o cume da carreira de professor em 1944. Dois anos depois é director do novo departamento de relações sociais da mesma universidade, funções que mantem até 1956. Aí é professor até 1973.
Um dos principais sustentadores do modelo do welfare state, através de uma espécie de versão sociológica do keynesianismo. Com a sua sociologia da acção não aceita a oposição entre a estática das regras e das causas, apontando para o dinamismo das noções de conflito e de equilíbrio.
Introduz
na sociologia americana as ideias de Alfred Marshall, Vilfredo Pareto, Émile
Durkheim, e, sobretudo, Max Weber, elaborando uma teoria sistemática da acção
social, marcada por certo individualismo metodológico herdado de Weber. Defende
uma structural-functional
analysis of that
system.
Assinala à política um simples "aspecto instrumental da organização social", considerando-a como uma "criação intencional de estruturas sociais que responde a um fim". Salienta que a ciência política "tende a ser uma ciência sintética e não já uma ciência fundada sobre uma teoria analítica como no caso da economia"
Define o poder como "a capacidade generalizada de se conseguir que as unidades pertencentes a um sistema de organização colectiva cumpram as suas obrigações,quando estas são legitimadas pelo seu contributo para o fim colectivo".
Tende,
assim, a considerar o poder como a "capacidade de obrigar a adoptar uma
certa conduta e desempenhando uma
função" dentro do mesmo conjunto. é a capacidade de obrigar os autores
de uma sociedade a cumprir as suas obrigações,as que lhe são impostas pelos
fins colectivos, de maneira a poder mobilizar os recursos da sociedade tendo em
vista atingir os fins propostos.Algo de semelhante à moeda que está em circulação
e tem um valor simbólico, que tem um valor de troca, mas não tem um valor de
uso.
A
força física como fundamento do poder.
Considera , neste
sentido, que o fundamento último do poder é a força física,"da mesma
maneira como o sistema monetário assenta inteiramente no ouro como intermediário
real da troca, é um sistema muito primitivo que não pode fazer funcionar um
complexo de trocas de mercado, assim um sistema de poder, no qual a única sanção
negativa é a ameaça do uso da força, é um sistema muito primitivo que não
é capaz de pôr a funcionar um sistema muito complexo...O Ouro deve ser
institucionalizado enquanto símbolo; deve ser legitimado e inspirar confiança
no sistema.
De maneira análoga , não pode ser apenas um instrumento de dissuasão intrinsecamente eficaz; se deve ser inteiramente generalizado de mobilização de recursos para uma acção colectiva eficaz e assumir os compromissos feitos pelas comuniades relativamente aos seus elementos constitutivos, deve também ser generalizado sob a forma de símbolos, e legitimado".
Considera que o sistema político é um sistema autónomo e aberto ,que mantem relações e trocas constantes com os outros subsistemas da sociedade:a economia,a socialização (família e educação)e a comunidade societal,isto é, o conjunto de instituições que têm por função manter as solidariedades que uma sociedade pode exigir dos seus membros (v. g. o aparelho judicial).
Salienta que, entre os subsistemas, há uma rede complexa de trocas; um quadro de inputs e de outputs,dado que cada sistema recebe dos outros elementos ou factores de produção e oferece produtos da sua actividade .
A política aparece como um simples subsistema social, como a procura de objectivos colectivos e a mobilização dos actores e dos recursos da sociedade tendo em vista abrigar esses objectivos.A política abrange,pois, todas as tomadas de decisão,de organização e de mobilização dos recursos do sistema,existindo política tanto numa simples empresa como no Estado.

Contra
o consensualismo e o conflitualismo
Desenvolve
a noção de sociedade como sistema social:"a sociedade é um sistema
social que é caracterizado pelo mais elevado nível de auto-suficiência em
relação ao seu ambiente". Esta perspectiva opor-se-ia tanto ao
consensualismo, para quem a sociedade é "um todo, expressão de um
consenso ou vontade geral, em que cada indivíduo ou grupo é uma parte",
como ao conflitualismo, para
quem a sociedade é "um complexo de individuos e de grupos com interesses
opostos, mantendo-se a sua unidade apenas porque uns quantos impõem a sua
vontade aos restantes".
Considera que "um sistema social consiste numa pluralidade de actores individuais em interacção uns com os outros, numa situação que tem pelo menos um aspecto material de contexto, actores cuja motivação se baseia na tendência para optimizar a satisfação e cujas relações à stuação,que incluem as relações entre actores,são definidas e asseguradas por um sistema de símbolos culturalmente estruturados e colectivos".
Sociedade
e Estado
Distingue entre os simples sistemas sociais e o sistema político, entre a
sociedade e o Estado.Se a primeira é constituída por indivíduos, já o
sistema político impõe a existência de cidadãos,de um direito público e de
uma acção governativa,que levariam o Estado a destacar-se da restante
comunidade social.
Origem
do Estado Moderno
E
teria sido o código cultural do cristianismo,afinado pela Reforma protestante
que gerou o chamado Estado Moderno, entendido, simultaneamente, como
um Estado Funcional,um Estado de Direito e um Estado Democrático.
Estado
Funcional
Um
Estado Funcional porque visa a integração da sociedade no seu conjunto,não
podendo ser agente de conflitos ou simples instrumento de grupos particulares.
Estado
de Direitp
Em
segundo lugar,um Estado de Direito porque o respectivo sistema de legitimidade
assenta no princípio da legalidade.
Estado
Democrático
Em
terceiro lugar um Estado Democrático,dado basear-se na instituição
parlamentar e na diferenciação entre o sistema político e os restantes
sistemas sociais. perspectivando o subsistema político, nos quadros do sistema
social, refere
três tipos de institucionalização do poder:a liderança,a autoridade e a
regulação.
Liderança
A primeira é considerada como "o modelo de ordem normativa pelo qual
certos subgrupos,como consequência da posição que ocupam numa determinada
colectividade, têm autorização e até obrigação de tomar iniciativas e
decisões tendo em vista a obtenção dos fins da colectividade, como o direito
de comprometer a colectividade como um todo",abrangendo tanto o Estado nos
quadros da sociedade global como os postos de autoridade nas organizações
burocráticas.
Autoridade
A segunda forma de institucionalização, a autoridade,
não é considerada como sinónimo de poder, mas antes como o lugar onde
o poder se acumula e a partir do qual circula
um poder que tanto pode ser utilizado pelo detentor,com ser posto em
circulação.
Regulação
A terceira forma de institucionalização,
a regulação, consiste na
emissão de normas e de regras que constituem o quadro explícito do controlo
social, desde as regras profissionais,ou estatutos, ao direito propriamente
dito.
Funcionalismo
Com Talcott Parsons, o funcionalismo vai ousar transformar-se numa teoria
geral capaz de analisar qualquer sistema social, incluindo o sistema político,
considerado como um dos subsistemas sociais. Em primeiro lugar, Parsons
reelabora a herança comportamentalista, considerando que toda a acção humana
é interacção, relação entre um determinado agente e o ambiente que o cerca,
constituindo uma resposta a um determinado estímulo exterior. Contudo, Parsons
não considera que a acção humana seja apenas uma resposta ad
hoc a estímulos particulares, dado que o actor desenvolve um sistema de expectativas.
Assim, vê a acção social como significativa, dado ser motivada, ou orientada,
por significados que o agente descobre
no ambiente, entre os quais coloca os signos e os símbolos.
Procurando assumir uma espécie de terceira via entre o individualismo e o
estruturalismo, aquilo que François-Michel Bourricaud vai qualificar como o individualismo
institucional,
Noção
de sociedade
Parsons vai considerar a sociedade como
um sistema social que é caracterizado pelo mais elevado nível de auto-suficiência
em relação ao seu ambiente e que consistiria numa pluralidade de actores individuais em interacção uns com os
outros.
Funções
do sistema social
Vejamos agora, segundo as teses de Parsons, as quatro funções que caberiam
ao sistema social, duas correspondentes à relação do mesmo com o respectivo
ambiente e outras duas voltadas para as relações internas do mesmo sistema.
Adaptação
Em primeiro lugar, o sistema social teria de adaptar-se ao ambiente onde
vive, para recolher recursos, armazená-los en função das necessidades e, como
contrapartida, contribuir para o mesmo ambiente com produtos próprios. Este
conjunto de processos funcionais, correspondente ao subsistema biológico, seria
a chamada adaptação (adaptation).
Goal-attainment
Em segundo lugar, um sistema social, para viver em equilíbrio interno e
externo, teria que alcançar uma série de objectivos e de finalidades. Esta função,
dita de prossecução de fins (goal-attainment),
seria corrrespondente à personalidade psíquica.
Integração
Em terceiro lugar, e entrando agora nas funções voltadas para as relações
internas, o sistema tende a integrar ao máximo todas as respectivas tendências
internas que correm o risco de marginalizar-se ou de ser colocadas fora do
sistema. Eis a função de integração (integration)
que representa o nível de compatibilidade que caracteriza as relações
internas dos elementos de um determinado sistema, correspondente ao subsistema
social, à socialização propriamente dita.
Latent
pattern maintenance
Em quarto e último lugar, surge a função de manutenção dos modelos
culturais, a função de conservação dos modelos (latent
pattern maintenance), correspondente ao subsistema da cultura e que permite
a superação satisfatória dos eventuais conflitos. É neste contexto que o político
é perspectivado como o subsistema social que tem como função o goal-attainment,
a organização e a mobilização dos recursos necessários para a realização
dos fins de uma determinada colectividade, a capacidade de fazer com que as
unidades que pertencem a um dado sistema de organização cumpram as respectivas
obrigações, sendo entendido como um sistema autónomo
e aberto que mantém relações e
trocas constantes com os outros subsistemas da sociedade: o conjunto das
actividades económicas, o conjunto dos processos de socialização (família e
educação), o conjunto de instituições que tem por função manter as
solidariedades que uma sociedade pode exigir dos seus membros (o aparelho
legislativo e o aparelho judicial). Salienta também que, entre os subsistemas,
há uma complexa rede de trocas, um quadro de inputs
e de outputs, dado que cada
sistema recebe, dos outros, elementos ou factores de produção e oferece
produtos da sua actividade.
Poder
Para Parsons, enquanto o poder económico é linearmente
quantitativo, uma simples questão de "mais" e de "menos", já
o poder político é hierárquico tendo a ver com níveis mais altos e mais
baixos. Aqui, o maior poder não é apenas uma questão de mais poder, mas de um nível superior relativamente a um nível
inferior, o poder político é relacional ( the
great power is power "over" the lesser, not merely "more"
power "than" the lesser. Political
power is relational, not merely in reference, that is to "n" potential
exchange partners, but in direct significance. This is perhaps another way of
stating the diffuseness of political power, in that it is a "mobilization
of the total relational" context as facility to the goal in question.
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1928 |
”Capitalism”
in Recent German Litterature. Sombart and Weber |
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Tese
de doutoramento publicada no Journal of Political Economy,
1928-1929. |
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1937 |
The
Structure of Social Action |
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Nova
York, MacGraw, 1937 [reed., Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1961]. A
obra fundamental. Como salienta Vamireh Chacon, é a partir desta obra que
Parsons passa a vida a fazer exegese de si mesmo. |
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1947 |
Max
Weber. The Theory of Social and Economic Organisation |
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1947.
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1949 |
Essays
in Sociological Theory. Pure and Applied |
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1949.
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1951 |
The
Social System |
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Glencoe,
The Free Press of Glencoe, 1951. |
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1956 |
Economy
and Society |
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Londres,
Routledge & Kegan Paul, 1956. Com
Neil J. Smelser. |
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1960 |
Structure
and Process in Modern Societies |
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Glencoe,
The Free Press of Glencoe, 1960. Ver
trad. port. de Dante Moreira Leite, Sociedades. Persectivas Evolutivas
e Comparativas, São Paulo, Pioneira, 1969. |
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1962 |
Towards
a General Theory of Action |
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Cambridge,
Massachussetts, Harvard University Press, 1962. Com Edward Shils. |
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1964 |
Social
Structure and Personality |
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Glencoe,
The Free Press of Glencoe, 1964. |
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1966 |
Societies.
Evolutionary and Comparative Perspectives |
|
|
Englewood
Clifs, NJ, Prentice-Hall, 1966. |
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1969 |
«On
the Concept of Political Power» |
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in
Sociological Theory and Modern
Society, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1969. Ver
a trad. port. de Maria Stella de Amorim, Sociologia Política, Rio
de Janeiro, Zahar, 1970, 2 vols. |
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1969 |
Politics
and Social Structure |
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Glencoe,
The Free Press of Glencoe, 1969. |
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1971 |
The
System of Modern Societies |
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Englewood
Clifs, NJ, Prentice-Hall, 1971. Ver
trad. port. de Dante Moreira Leite, Sistema das Sociedades Modernas,
São Paulo, Pioneira, 1974. Nesta obra ainda diz que o presente livro
foi escrito no espírito da obra de Weber. |
4Bourricaud, François-Michel, L'Individualismne Institutionnel.
Essai
sur la Sociologie de Talcott Parsons, 1977.
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