Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Estuda filosofia
em Madrid, onde se doutora, Leipzig,
Berlim e Marburgo. Discípulo de Hermann Cohen. Catedrático de Metafísica em
Madrid de 1910 a 1936. Funda em 1923 a Revista
de Occidente, que dirigiu até 1936. Deputado em 1931. Introduz em Espanha
Husserl, Scheler e Dilthey. Em 1914 considera que não pode falar-se de decadência
espanhola porque a nação desde os seus começos sempre foi um organismo mal
constituído, onde dominaram as massas e faltou uma elite. Aténem houve um
feudalismo poderoso, dado que os germanos aqui chegaram muito debilitados. Autor
da célebre síntese eu sou eu e a minha
circunstância. Isto é, a realidade radical não está no eu como pretendia
o idealismo racionalista, não está na razão pura, mas naquilo que qualifica
como a razão vital. Neste sentido, defende o chamado perspectivismo, segundo o
qual são igualmente válidas as mais distintas concepções do mundo, porque no
fundo tal diversidade apenas depende do ponto de vista adoptado.
Cada vida é um ponto de vista sobre o universo... Porque os
homens olham a mesma paisagem de vários pontos de vista e não vê em o mesmo,
pelo que não tem sentido que cada um declare falsa a paisagem alheia. Amabas são
reais. Apenas é falsa a que que pretende assumir-se como a única perspectiva.
Como é falsa a utopia, a verdade não localizada, vista de lugar nenhum. O
utopista que corresponde à essência do racionalismo, é o homem que não é
fiel ao seu ponto de vista, o que deserta do seu posto, do seu ponto de vista.
Cada um apenas pode olhar o mundo através da sua época e das suas circunstâncias.
Considera que a sociedade é sempre uma unidade dinâmica de dois factores: minorias e
massas e que o poder público é uma forma
de pressão social que existe mesmo nas sociedades primitivas onde não existe
Estado. Contra o princípio democrático da igualdade, assume a necessidade
da hierarquia e do princípio aristocrático da selecção. Abanona Espanha
durante a guerra civil, apenas regressando em 1945.
·Meditaciones del Quijote
1914.
·España Invertebrada
1921.
·El Tema de Nuestro Tiempo
Madrid,
Ediciones Espasa-Calpe, 1923.
·El Ocaso de las Revoluciones
Ensaio
publicado em El Sol,em Julho de 1923.
·La Rebelión de las Masas
1926-1927.
·Ensimismamiento y Alteración
1939.
·Ideas y Creencias
1934.
·El Hombre y la Gente
1949.
·Obras Completas
9
vols. [1946 -
1962]
(Madrid, Alianza Editorial-Revista de Occidente, 1983).
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