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Designa-se por neomarxismo ou marxismo
ocidental o conjunto das correntes nascidas nos anos vinte deste século,
em torno das teses de Lukacs, Ernst Bloch, Karl Korsch e Antonio Gramsci.
Toma-se como ponto de partida o ano de 1923,
quando é publicada a obra de Lukacs, História e Consciência de
Classe, bem como a de Korsch, Marxismo e Filosofia.
Quase todos os neomarxistas têm origem
esquerdista e aceitam o essencial do leninismo político. Rejeitam,
contudo, a variante determinista do marxismo assumida pela II
Internacional, nomeadamente o materialismo dialéctico.
Gramsci chega mesmo a saudar a Revolução de
1917, como uma revolução contra Das Kapital.
Todos fazem alargar o marxismo a outras
correntes de pensamento. Lukacs, adquire as teses de Simmel, Weber e
Dilthey. Gramsci recebe Croce, Gentile, Pareto e Mosca. Libertam-se assim
dos modelos do naturalismo marxista onde, de certa maneira, Haeckel havia
substituído Hegel e onde Marx nos aparecia interpretado por Engels
Nos anos oitenta
do século XX deu-se o renascimento das análises neomarxistas da
teoria dos grupos no Ocidente, facto a que não é estranho o protagonismo
de intelectuais marcados pelo pensamento do Maio de 1968. Uma perspectiva
essencialmente intelectualista, até pelo facto de se confundir classe teórica
com classe real. Outra marca está no economicismo, na redução do campo
social às relações de produção económica. Finalmente, uma linha
objectivista, que esquece as lutas simbólicas. |
O chamado neomarxismo tem um cunho
essencialmente italiano, distinto do revisionismo alemão ou austríaco.
Baseia-ne numa tradição de leitura hegeliana de Marx, protagonizada, em
primeiro lugar por Antonio Labriola, que recebeu os contributos de Croce e até
de Gentile e foi, depois, consagrada por Gramsci, sendo continuada por Galvano
della Volpe e Lucio Coletti.
Tornou-se fundamental a tese de Gramsci sobre o entendimento da
sociedade civil como o domínio das super-estruturas culturais e ideológicas,
considerando-se que nesta, enquanto conjunto dos organismos privados, reina a
hegemonia, como o predomínio ideológico dos valores e normas burguesas, já na
sociedade política, ou Estado, dá-se a dominação directa ou comando, com
identificação entre Estado e Governo.
Já em França, importa referir que, em 1929
era publicada em França a Revue Marxiste,
dirigida por Georges Politzer e Henri Lefevre.
Segue-se a tentativa de Sartre, procurando
adequar o marxismo ao existencialismo, invocando-se a fenomenologia e Heidegger,
até se atingir o neogramscianismo de Louis Althusser, procurando integrar o
estruturalismo. A perspectiva neomarxista que entende o político como condensação
de uma relação de classes ou de uma relação de forças (Poulantzas).
Na Alemanha, destaca-se a chamada Escola de
Frankfurt, onde Marx se mistura com Nietzsche e Freud. Os fundadores são Adorno
e Horkheimer, os criadores de um marxismo sem proletariado. A escola só
repudia o leninismo no pós-guerra, com Habermas. Dela nos vem o radicalismo
irracionalista de Walter Benjamin, bem como a adequação ao movimento da
contracultura, com Herbert Marcuse.
Quanto aos
reflexos do neomarxismo em Portugal,
salienta-se que processo nos chegou essencialmente por importação francesa,
fundamentalmente através do Maio 68, com a adopção das teses de Althusser e
Poulantzas. A partir dos anos oitenta, deu-se uma nova síntese, de cariz
anglo-saxónico, destacando-se o magistério de Boaventura Sousa Santos e da Revista
Crítica de Ciências Sociais.
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