Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Nazionale (Das) System der politischen Oekonomie, 1841

 

Da autoria de Friedrich List. Uma  das primeiras obras onde surge uma teoria económica assente na ideia de nação. Surge, a partir de então, o chamado nacionalismo económico e consagra-se o proteccionismo. Considera que o traço característico da respectiva obra assenta na ideia de a nação: toda a minha construção se alicerça na ideia de nação, como intermediária entre o indivíduo e o género humano. Assim, salienta que a história económica mundial atravessou cinco períodos. Depois da fase selvagem, marcada pela colheita e pela caça, da fase pastoril, da fase agrícola e da fase agrícola e manufactureira, atinge-se a fase da nação normal, entidade simultaneamente agrícola, manufactureira e comercial. Esta nação normal possui uma língua e uma literatura, um território provido de numerosos recursos, extenso, bem delimitado, uma população considerável, bem como forças da terra e mar suficientes para defender a sua independência e para proteger o seu comércio externo. Exerce influência no desenvolvimento das nações menos adiantadas que ela e, com a maior plenitude da sua população e dos seus capitais intelectuais e materiais, funda colónias e dá origem a novas nações. Eis o tipo de nação ideal, para o qual deve tender toda a nação. O nacionalismo económico acaba por ser um dos principais inimigos das libertações nacionais dado que, face à competição internacional, obriga à construção de grandes espaços, cada qual com o seu Estado-director. A nação normal acaba por reforçar o papel dos Estados multinacionais e por levar à corrida imperialista. Nem sequer escaparam as médias potências, dado que a autarcia económica visada, de cada um viver com quilo que tinha, de apenas consumir aquilo que podia produzir, acabou por favorecer um neomercantilismo que, esmagando nações, fez renascer o free trade. Os pequenos Estados, com a ilusão de construírem uma economia nacional, ao negarem a divisão internacional do trabalho, acabaram por optarem pelo dirigismo despótico, planeando verdadeiras irracionalidades económicas com a consequente miséria e produzindo bens que poderiam ser obtidos no comércio internacional a menos que os preços de custo.

 

 

 




© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Última revisão em: 16-02-2009