Maçonaria Do francês maçon, pedreiro. Assume a sua forma moderna no século XVIII, num
ambiente dominado pelo iluminismo dos philosophes e da Encyclopédie.
Nas suas origens inglesas é, sobretudo, um movimento deísta, defendendo uma
religião natural ou geral que invoca um grande arquitecto do universo, ao mesmo
tempo que é marcado pela filantropia. Transforma-se numa nas colunas do
humanismo ocidental, invocando o humanismo laico em rivalidade com o humanismo
cristão, principalmente o assumido pela Igreja Católica. Tem como marca
específica o sonho universal de uma cosmopolis, de uma república
universal de irmãos. Como elemento doutrinário inicial destacam-se os Diálogos
Maçónicos de Lessing, editados em
1778 e 1780, marcados pelas ideias de humanidade, filantropia, beneficência e
cosmopolitismo. Aí se proclama que o objectivo maçónico está em superar em
si mesmos e por sua acção a divisão que suscita necessariamente entre os homens
a existência do Estado e dos Estados... sem prejudicar o Estado nem os Estados.
A penetração destas ideias no universo francês quase coincide com o
desenvolvimento subversivo que há-de conduzir a 1789. Enquanto os modelos
britânico e norte-americano de maçonaria se transformam num elemento
estruturante do situacionismo, transformando-se num movimento reformista das
mentalidades, eis que no universo latino ele nunca perdeu certo carácter
subversivo, tendo como objectivo a construção de uma contra-sociedade, não
tanto defrontando o aparelho de Estado, mas sobretudo a influência de certa
mentalidade da Igreja Católica. Em Portugal, infleizmente, o modelo maçónico
assumiu algo da herança pombalista da reforma despótica contra a ratio
studiorum dos jesuítas. Apesar da moderação cartista ter permitido uma
espécie de armistício noral, sobretudo a partir da Regeneração, quando as
ideias maçónicas se volveram em tolerância krausista, depressa se retomaram as
velhas querelas entre os chamados liberais e os alcunhados reaccionários,
como aconteceu com a questão das Irmãs da Caridade. O modelo krausista vai,
entretanto, ser substituído pela dominante positivista e naturalista, de Comte
e de Haeckel e a esta alteração de ideologia corresponde a importação da
questão religiosa da III República Francesa, nomeadamente do modelo de Lei da
Separação, numa luta que vai levar a I República a retomar o modelo pombalista
que, década e meia volvidaa, conduz à inevitável viradeira salazarista,
fazendo esquecer que só a reforma pela revolução evitada dos métodos
reformistas permite a necessária reconciliação de duas tradicionais famílias
dominantes entre as elites portuguesas.
Ver Confederação Maçónica Progressista de Portugal;
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