Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Clausewitz, Karl von (1780-1831)

Estrategista alemão, director da Academia Militar de Berlim desde 1818. Cria o conceito de guerra total que marca a actuação da Alemanha na guerra de 1914-1918, sob a direcção de Hindenburg e Ludendorff. Celebrizado pelo facto de considerar a política como uma espécie de guerra sem efusão de sangue, enquanto perspectiva a guerra como uma simples continuação da política dos Estados, por outros meios. Porque a guerra não é senão uma parte das relações políticas e, por conseguinte, não é qualquer coisa que seja independente das mesmas … A guerra não é senão a continuação das relações políticas pelo recurso a outros meios. É o acto de violência cujo fim é forçar o adversário a executar a nossa vontade. Assim, fala na estranha trindade da guerra. O seu elemento é a violência original. O seu modo de ser é o jogo (a probabilidade, o acaso). O seu espírito é a política. Acresce que no século XIX, depois da Revolução francesa e de Bonaparte, esse deus da guerra, o sujeito político passou a ser o povo e a guerra absoluta passou a ser uma guerra popular. Surge a nação em armas, pelo que, deste modo, a a guerra passa a coincidir com a essência da política do Estado, fundada na soberania do povo. As respectivas obras são traduzidas em francês depois da derrota de 1870. Raymond Aron dedica-lhe o seu Penser la Guerre. Clausewitz, Paris, Gallimard, 1976.
·Vom Kriege (obra escrita em 1818-1831, mas apenas publicada postumamente, em 1832; cfr. trad. port. Da Guerra, Lisboa, Perspectivas & Realidades). A obra constitui os três primeiros volumes de Hinterlassene Werke, publicados entre 1832 e 1837.
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