Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

Braga, Luís de Almeida  (n. 1890).

Luís Carlos de Lima de Almeida Braga. Nasce em Braga. Advogado. Secretário de Paiva Couceiro. Exilado na Bélgica entre 1912 e 1914, fundando aí a revista Alma Portuguesa. Amnistiado, regressa a Portugal e é um dos fundadores do Integralismo Lusitano. Conclui a licenciatura em direito em 1917. Participa na revolta de Monsanto e volta ao exílio em 1919. Depois do 28 de Maio, distancia-se do salazarismo. Apoiante das candidaturas de Norton de Matos, em 1949, e de Humberto Delgado, em 1958. Em 1949 considera que o Estado Novo é um grosseiro tecido de incoerências, de contradições, de ficções, de equívocos. Porque, elevado à categoria de ser absoluto, o Estado absorveu a Nação. Depressa o Poder passou a prepotência, que tudo esmaga e tritura, e faz da obediência lei para escravos castrados. Em 1958 dá uma entrevista ao Diário de Lisboa, onde declara: condeno o híbrido sistema político tirânico e vingativo que está a arrastar-nos para a pior catástrofe da nossa história ... a idolatria da autoridade, o materialismo da obediência passiva ... tendo começado por ser uma ditadura administrativa, manhosamente se transformou em ditadura policial, contrária ao destino moral e pessoal do homem ... O Estado Novo tornou os ricos mais ricos e os pobres mais pobres ... para me declarar monárquico não peço licença ao rei nem aos bobos da Corte. Já antes, em A Revolta da Inteligência, critica o estatismo e o totalitarismo: quando o Estado, tonando-se dono do homem, despreza as liberdades individuais e aniquila as autonomias locais, a si próprio prepara o fim por congestão. Município tutelado pelo Estado é município morto; corporação a que o Estado governa, é feira e alborque de consciências comandadas pela avidez do lucro. Para o normal funcionamento das qualidades nacionais, deve a corporação ser livre no município autónomo.

·Paixão e Graça da Terra

Lisboa, Edições Gama, 1947.

 

·Espada ao Sol

Lisboa, Biblioteca do Pensamento Político, 1969) (obra póstuma, com estudos sobre D. Jerónimo Osório e Frei João dos Prazeres).

 




© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Última revisão em: 18-01-2004