Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |

Funcionário do Papa, contemporâneo de Botero, é, ao contrário deste, adversário dos interesses espanhóis. Acaba por servir e admirar a república aristocrática de Veneza. Teórico da razão de Estado, trata da matéria de forma satírica. Considera a razão de Estado como uma lei útil aos Estados, mas contrária em tudo à lei de Deus e dos homens. Se ela, por um lado, merece repulsa, face à necessidade de se sofrer a hipocrisia, eis que, por outro, é inevitável, impondo a resignação dos que a sofrem. Comenta a obra de Tácito, salientando a arte e a sagacidade dos homens de Estado. Considera que o interesse é o verdadeiro tirano da alma dos tiranos e até dos príncipes que não são tiranos. Admite a hipótese do assassinato político, chegando a criticar a brandura de Carlos VI, por não ter mandado queimar Lutero. Proclama, contudo, que a verdadeira pátria do homem é a cidade livre. Neste sentido, convida os príncipes a governarem com justiça e doçura.
·Ragguagli di Parnaso
2 vols., Veneza, 1612-1613.
·La Pietra del Paragone Politico
Veneza, 1615.
·La Bilancia Politica di tutte le opere de Traiano Boccalini
Em três tomos, publicados postumamente por Du May, em 1677. Comentário à obra de Tácito.
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