Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Bandarra, Gonçalo Anes

Entre 1530 e 1540, surgem umas Trovas atribuídas a Gonçalo Anes, de alcunha o Bandarra, sapateiro de Trancoso, que falam Desse bom Rei Encoberto que Tirará toda a Erronia/ Fará Paz em todo o Mundo. O autor terá nascido em 1500 e morre entre 1556 e 1603. Como dele diz Fernando Pessoa, plebeu como Jesus Cristo/ Não foi santo nem heróis, / Mas Deus sagrou com Seu sinal/ Este, cujo coração foi/ Não português, mas Portugal. As Trovas, que serão julgadas como judaizantes pela Inquisição, servirão, contudo, de elemento fundamental para a estratégia de resistência dos que se opunham à administração filipina e tratavam de lançar achas para a fogueira do messianismo sebastianista, procurando transformar aquele que fora O Desejado num Encoberto. Aliás, as Trovas surgiram antes do nascimento do próprio D. Sebastião. Gonçalo, sujeito a um processo inquisitorial em 1541, é obrigado a retractar-se para não ir para a fogueira. A maior parte das trovas são apócrifas, sendo amplamente adaptadas às circunstâncias durante os reinados filipinos. São impressas em Paris em 1644, por D. João de Castro, na Paráfrase e Concordância de Algumas Profecias de Bandarra, Sapateiro de Trancoso. Voltam a ser editadas em Barcelona por ocasião da Revolução Francesa.

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